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Brasileiro que joga na 2ª divisão da Guatemala diz ter desistido do sonho de atuar no Corinthians

André Lucena/RedeTV!

Dimas Braz está em seu segundo time na Guatemala
(Foto: Divulgação/Deportivo Siquinala)

A Guatemala não tem uma história vencedora no esporte, tanto é que o país conquistou apenas uma medalha em suas 14 participações em Jogos Olímpicos. Apesar do futebol ser o esporte número um da nação, foi na marcha atlética 20km, com Erick Barrondo, que os guatemaltecos garantiram a prata em Londres 2012. E é no país localizado na América Central que o atacante brasileiro Dimas Braz ganha o pão de cada dia. Autor de um golaço de bicicleta pelo Deportivo Marquense no Torneio Apertura da Liga Mayor, considerada a primeira divisão da Guatemala, ele agora assinou contrato para defender o Deportivo Siquinala, da segunda divisão.

"Joguei sete meses no Marquense, que fica na cidade de San Marcos, um local com clima frio e agora estou em Siquinalá, que fica a 30 minutos da praia. O Deportivo Siquinala foi campeão do Torneio Apertura e estamos com um pé na Liga Mayor. O clube está montando um time forte para subir para a primeira divisão. Tenho contrato até dezembro e recebo de 15 em 15 dias na moeda local que se chama quetzal. O salário não é alto, mas vale a pena", diz o jogador de 29 anos que mora com um colombiano que é seu companheiro de equipe.

Bicicleta de Dimas Braz foi eleita o gol mais bonito da rodada da Liga Mayor. Assista ao vídeo:

Dimas Braz explica que o Deportivo Siquinala tem estádio próprio e treina em um campo da cidade. Para ele, o futebol guatemalteco não está abaixo do que é praticado em outros lugares do mundo. "Hoje em dia não tem mais bobo no futebol. Todo mundo está se modernizando muito. Antes o Brasil goleava todo mundo, mas hoje é tudo igual".

O brasileiro conta que a televisão local exibe as partidas da Liga Mayor e a pressão da torcida e imprensa é quase igual à do Brasil: "Se o jogador não rende aqui, a imprensa e a torcida acabam com o ele. Se não rende eles te xingam e se rende você é rei. Marquei dois gols no meu primeiro amistoso e agradei a torcida. Eles são apaixonados pelo time e sempre enchem o estádio. Agora é trabalhar duro para o Clausura que começa neste domingo".

Empresário de Londrina levou Dimas Braz para a Guatemala
(Foto: Divulgação/Deportivo Marquense)

Como nem tudo são flores, Dimas Braz relata o medo de morar em um país frequentemente atingido por terremotos. "Antes de jogar na Guatemala atuei pelo Once Municipal, de El Salvador, por quatro anos e oito meses. Foi lá que conheci o tal do temblor, que é um mini terremoto. Também estava lá quando em 2009 teve um terremoto de magnitude 7.1. Estava vendo TV na minha casa e fiquei sem reação quando tudo começou a tremer. Só saí de casa porque vi todos os vizinhos lá fora. Aqui na Guatemala até agora só presenciei temblor de leve. Quando estamos em um lugar aberto nem sentimos. Moro em um prédio de três andares que é bem preparado para casos de terremotos".

Sonho de vestir a camisa do Timão

Além de jogar na Guatemala e em El Salvador, o atacante também atuou no futebol romeno. "Saí da casa dos meus pais em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, para jogar no Nacional-PR e depois fui para a Portuguesa-PR, onde fiz quase toda minha base até ir para o profissional quando tinha 18 anos. Fiz um bom Campeonato Paranaense e um empresário de Londrina me levou para jogar no Cetatea Suceava da Romênia. Eu tinha 19 anos e fiquei por lá dois anos".

Primeira experiência internacional de Dimas Braz foi na Romênia
(Foto: Divulgação/Cetatea Suceava)

"Lembro que peguei um frio de 20 graus negativos quando joguei na Romênia. Teve uma noite que eu e outros jogadores ficamos para fora do hotel onde nossa equipe estava hospedada. Fazia muito frio e ninguém abria a porta do hotel. Tivemos que entrar em um carro estacionado para nos aquecermos senão iríamos morrer congelados. Ninguém sabia de quem era o carro e felizmente o dono não apareceu (risos)", relembra Dimas Braz.

Corintiano fanático, ele assiste aos jogos do Timão sempre que está em São Paulo, mas admite que desistiu do sonho de vestir a camisa do Corinthians. "Tenho uma idade que já não tenho mais esse sonho. Antes também tinha o sonho de jogar em um grande clube do Brasil, mas hoje já passou. Me cuido bastante, treino bastante e quero jogar até quando meu corpo permitir".


Quando está no Brasil, Dimas Braz costuma ir à Arena Corinthians
(Foto: Reprodução/Facebook)

Saiba mais sobre a Guatemala

Conhecido como o berço da civilização maia, o país possui um dos sítios arqueológicos mais incríveis das Américas. A Guatemala também tem uma grande variedade de climas devido ao seu terreno montanhoso que vai desde o nível do mar até 4.220 metros de altitude. O território é cortado por duas cordilheiras, a serra Madre e a serra dos Cuchumatanes e, além de ser sujeito a terremotos, possui 288 vulcões ou formações vulcânicas sendo que oito vulcões estiveram ativos em algum momento na história.

(Foto: Reprodução/Google Maps)

A capital é a Cidade da Guatemala e o idioma mais falado é o espanhol. "A alimentação da Guatemala é quase a mesma do Brasil pois primeiro vem o arroz e depois a mistura", comemora Dimas Braz.

Deportivo Siquinala apresentou Dimas Braz com uma transmissão ao vivo pelo Facebook. Assista ao vídeo:

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