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8 de março

Thainá Zanholo destaca machismo no universo da cannabis

Redação/RedeTV!

Empresária à frente da Nowdays, que trata sobre a planta, ela diz que falar sobre maconha ainda é um fator desmoralizante para a mulher

(Foto: Divulgação)

Comemorado neste 8 de março, o Dia Internacional da Mulher traz luz para o papel da mulher na sociedade, bem como mudanças de paradigmas com relação à figura feminina em diversos setores. Na indústria do cannabidiol, isso não é diferente. Para além da polêmica que maconha traz por si só, ter uma figura feminina falando sobre o assunto ou mesmo a frente de uma marca que lida com a planta é um fator duplamente desmoralizante.

A empresária Thainá Zanholo sabe bem o peso duplo dessa luta. À frente da Nowdays, marca criadora de conteúdo é idealizadora de produtos a base de canabidiol (CBD), ela destaca que assim como no universo da tabacaria e do álcool, a figura feminina como defensora e consumidora de produtos canábicos é vista como menos valiosa ou digna de respeito pela sociedade.

Para ela, o machismo dentro dessa questão é algo discutido pelos grupos pró-legalização antes mesmo da questão avançar nos países onde a planta é liberada para produtos e consumo. “Fato é que a mulher sempre foi muito objetificada, por isso ao falar abertamente sobre a maconha, ela ganha mais um ponto de ‘validação’ social para ser desmoralizada”, exemplifica a empresária.

Esse pensamento é o que, para a empresária, pode explicar a desigualdade no número de mulheres à frente de indústrias e marcas que trabalham com a cannabis. “A desigualdade de gênero no mercado canábico é tão grande em todos os outros mercados. Há pouquíssimo tempo atrás as mulheres têm tomado a frente dessas iniciativas, o mercado ainda é controlado, em maioria, por homens, cis gêneros e brancos. Desde o momento da legalização da cannabis em outros países a mulher tem que provar porque ela pode fazer diferença na questão, porque merece ser ouvida”, diz.

Thainá Zanholo acredita que o olhar feminino sobre a questão é um dos fatores que tem transformado esse mercado. “A mulher naturalmente tem uma sensibilidade que o homem dificilmente tem, então nós conseguimos encontrar o problema de uma questão e mostrar outras vertentes e soluções de uma forma mais clara, limpa e doce. Há muitas décadas a cannabis se tornou um problema social, algo mal visto, tudo isso atrelado ao racismo. Na minha visão, era o olhar feminino que estava faltando para o avanço dessas questões, pois é nele que podemos discutir a maconha com mais leveza”, defende.

O papel da celebridades femininas

O consumo de maconha — seja em forma de medicamentos, produtos à base de CBD ou mesmo de forma recreativa — ainda é recheado de estereótipos, em especial quando o assunto parte da boca de uma mulher. Por isso, para a ativista e empresária Thainá Zanholo, quando celebridades femininas de grande relevância falam sobre o uso de cannabis, há um grande impulso para uma transformação cultural e de pensamento.

“A partir do momento que Rihanna e Miley Cyrus, por exemplo, falam sobre a maconha, há um movimento de quebra de paradigmas. Primeiramente, a cannabis ainda é muito relacionada ao universo masculino, então quando uma mulher sai do armário e fala de forma natural sobre o consumo, ela já quebra o estereótipo de que aquilo é algo apenas consumido por homens”.

Outro ponto de ruptura destacado por Thainá Zanholo é o achismo de que quem faz o consumo de cannabis se enquadra no rol dos vagabundos e desocupados. “A mulher já traz, principalmente as celebridades, uma mudança com relação à isso, pois ela mostra basicamente que: ‘olha eu sou foda,eu tenho um emprego, eu sou multimilionária e eu faço o consumo de tais e tais produtos e tudo certo’. Isso dá força para várias outras mulheres poderosas também que tem um emprego, que cuidam da própria vida e que tem um profissão, a também falarem sobre o assunto sem que isso as diminua como mulher ou como figura que merece respeito”, pontua.

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