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'Minha mãe me salvou'

Paula Fernandes rompe o silêncio sobre machismo, fofocas no auge e faz forte desabafo

Redação RedeTV!

Cantora de 41 anos revisitou fases difíceis da carreira e da vida pessoal em entrevista antes de voltar a Barretos

(Foto: Reprodução/Instagram)

A cantora Paula Fernandes, prestes a completar 42 anos, revisitou momentos marcantes de sua trajetória e revelou bastidores de sua carreira em entrevista à BBC News Brasil, antes de seu retorno à Festa do Peão de Barretos após dez anos.

Durante o depoimento, a artista abordou o machismo enfrentado na indústria sertaneja, os rótulos recebidos no auge do sucesso, a luta contra a depressão na juventude e adotou um tom crítico em relação ao uso de inteligência artificial na criação musical.

Pioneira no espaço feminino dentro do gênero, Paula relembrou o período em que chegou a realizar 220 shows em um único ano, em 2011, e relatou o estranhamento da estrutura da época em relação às suas necessidades nos camarins.

“Não consigo descrever o olhar de espanto de quando eu chegava. ‘Por que ela pediu um banheiro no camarim? Por que pediu um espelho?’”, pontuou a cantora, acrescentando que solicitações básicas, como palcos sem buracos para o uso de salto alto, eram tratadas como exigências excessivas em vez de necessidades femininas.

Ao recordar o auge de sua visibilidade, a sertaneja refletiu sobre as críticas que recebia e as especulações envolvendo sua vida pessoal. Paula relatou que frequentemente era taxada de "antipática" e "chata", enquanto falsos romances eram atribuídos a ela na mídia. “Me deram cinco namorados em uma semana. Aí a frase era: ‘boazinha, mas passa o rodo, né?’. E eu solteira, super quietinha”, recordou.

Paralelamente ao sucesso profissional, a artista enfrentou dificuldades financeiras na juventude — vivendo em condições de extrema pobreza em uma casa sem luz e sem banheiro em Minas Gerais — e um severo quadro depressivo. Aos 18 anos, a cantora considerou tirar a própria vida, momento em que a intervenção de sua mãe, Dona Dulce, foi decisiva.

“Se não fosse por ela, eu tinha pulado aquela janela. Com 18 anos, eu escolhi uma janela para pular, e minha mãe falou: ‘se você pular, eu vou pular antes’. Minha mãe me salvou milhões de vezes”, desabafou.

Sobre as transformações tecnológicas na indústria da música, Paula Fernandes manifestou forte oposição ao uso de inteligência artificial em composições e produções artísticas.

“Me nego. Como criadora, é inadmissível usar uma vírgula do Chat. É um crime contra minha natureza”, declarou. Na avaliação da cantora, a ferramenta não possui a profundidade exigida para a criação artística: “A IA não tem profundidade. Para emocionar, tem que ser humano, vulnerável, profundo”.

Por fim, a artista abordou as cobranças por posicionamentos políticos no meio sertanejo e declarou manter uma postura apartidária, defendendo a universalidade da arte. “Eu sou uma representante da poesia, da arte, e a arte é universal. Eu não me sinto apta a fazer isso. Na hora do meu voto, ele é meu voto”, concluiu.

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