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Maria Rita, filha de Elis Regina, revela que não ouve as músicas da mãe: "Não ouço porque dói"

Redação RedeTV!

Cantora detalhou tratamento de estresse pós-traumático gerado por luto na infância

(Foto:Reprodução/Redes Sociais)


A cantora Maria Rita revelou que enfrentou um quadro de depressão infantil após a morte de sua mãe, a cantora Elis Regina, em janeiro de 1982. A declaração foi dada em entrevista para a jornalista Maria Fortuna, do jornal O Globo.

A revelação surgiu após a artista explicar que evita escutar os discos da familiar. "Não", disse. "Não ouço porque dói", revelou.

A herdeira musical explicou que uma psicóloga a ajudou a entender o impacto do sumiço repentino da mãe quando ela tinha quatro anos.

"Grosseiramente falando, eu tive uma terapeuta que falou isso para mim quando eu morava em São Paulo. Ela falou: ‘Deixa eu te falar uma coisa aqui para você entender o que aconteceu com você com quatro anos de idade. Você foi dormir, ela te botou para dormir. Quando você acordou, ela sumiu e nunca mais apareceu. E ninguém te explicou o que aconteceu. E todo mundo sumiu. Sumiu sua avó, sumiu seu avô, sumiu o tio, sumiu todo mundo. Sumiu todo mundo’", contou.

A paciente detalhou que o diagnóstico de estresse pós-traumático só foi compreendido tardiamente.

"Então o que aconteceu ali, ela falou: ‘Você tem estresse pós-traumático de uma depressão infantil’. Olha o tamanho do negócio. E eu aqui vivendo, achando que estava tudo bem, normalzinha. Ela falou: ‘Não tem como ser normal, não tem’", disse.

O falecimento ocorreu na infância da menina, que descobriu as circunstâncias do óbito aos 12 anos. A descoberta do laudo médico de Elis Regina influenciou diretamente a relação da jovem com entorpecentes.

"Do álcool, não, não vou mentir, mas drogas, 100%. Eu tinha uns 12 ou 13 anos quando descobri a verdade. Antes, me falavam que ela tinha um dodózinho no coração", revelou.

A causa da morte por intoxicação de cocaína e bebida alcoólica era tratada como segredo pelos familiares. A adolescente aproveitou a ausência do pai para investigar o armário da residência.

"Eu tinha o entendimento de que esse era um assunto proibido. Mas um dia, meu pai tinha viajado a trabalho e chamou minha avó para ficar com a gente. E aproveitei", contou.

A curiosidade levou ao achado de uma biografia que detalhava o caso histórico da MPB. A neta guardava o livro embaixo do travesseiro.

"No fundo de um armário tinha uma mini biografia dela, uma coleção chamada ‘Os Grandes Gaúchos’, acho. Um livrinho que eu ficava lendo. Achava que escondida, mas quando eu ia para a escola, minha avó arrumava o meu quarto e viu embaixo do meu travesseiro", relatou.

A leitura provocou forte abalo emocional e iniciou uma relação de confidências com a avó.

"No dia que eu li [sobre a causa da morte], tive uma reação violenta. Eu falei: ‘Vó, é verdade?”. Na troca de olhar, entendi que ela sabia que eu estava lendo. Aí virou uma coisa minha e dela, passou a confidenciar coisas comigo", concluiu.





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