audiência caiu, qualidade também...

Episódios 'filler' são calcanhar de Aquiles de "The Walking Dead", diz especialista da série no Brasil


Publicada:04/12/2017 17:32:00
Gustavo Gobbi, Redação/RedeTV!

Com exceção de, talvez, "Game of Thrones", nenhuma série recente se mostrou ser um fenômeno tão grande como "The Walking Dead". Adaptação da série de histórias em quadrinhos criada por Robert Kirkman, o seriado estreou em 2010 com bons números, mas provavelmente ninguém iria imaginar que o show iria abrir sua quinta temporada com 17.30 milhões de espectadores, recorde da série até hoje. É verdade que o fim do sétimo ano já havia dado indícios de que o seriado estava começando a perder fôlego, e mesmo com 11.3 milhões de espectadores foi o season finale menos visto em cinco anos. 

Os números colocaram uma certa pressão sobre a série com a chegada de seu oitavo ano. Não é incomum que produções vejam, com o passar do tempo, seu número de espectadores cair, mas "The Walking Dead" mexeu de tal maneira com o público que seu sucesso parecia ser inesgotável. Os números, porém, até aqui, parecem dizer o contrário: a série tem visto seus piores números de audiência desde a terceira temporada, e nem a chegada do oitavo episódio, que conclui a primeira metade da temporada e coloca a série em hiato até fevereiro, no próximo domingo (10) parece estar animando os fãs.

Mas o que foi que aconteceu? "The Walking Dead" estreou seu oitavo ano, está no meio de adaptar uma das sagas mais famosas dos quadrinhos, "Guerra Total", e tem em Negan um vilão carismático e icônico. Foi pensando nisso que o RedeTV! Geeks conversou com a editora do Walking Dead Brasil, uma das maiores comunidades brasileiras da série, Ivy Leça, em busca de opiniões e respostas sobre o andamento da série até aqui.

Ivy toca em um ponto importante que gerou polêmcia entre os fãs: o exagero na hora de inserir os cliffhangers, aqueles momentos no fim de um episódio, geralmente a última cena, que deixam um mistério para ser resolvido no capítulo seguinte. "Os roteiristas têm exagerado em alguns recursos que desagradaram a audiência, como criar cliffhangers que só são solucionados depois de várias semanas, às vezes depois de alguns meses como foi o caso do final da sexta temporada", pontuou. O final do sexto ano recriou um momento clássico das HQs - Negan mata um dos membros do grupo de Rick - mas não mostrou seu desfecho, deixando a resposta só para a estreia da sétima temporada. Isso, claro, deixou muito fã enfurecido, ainda mais por que, no fim, o personagem que morre na HQ é o mesmo que morre no seriado - não que mudar essa resolução fosse alterar a frustação, mas... E essa sensação não foi sentida apenas nos fãs, mas também pela crítica. Um dos mais influentes especialistas em TV dos Estados Unidos, o blogueiro Alan Sepinwall anunciou que não iria mais cobrir o show semanalmente após a exibição do penúltimo episódio da sexta temporada, "East". "Para cada escolha boa que os episódios recentes fizeram, o show achou uma maneira de miná-las com atalhos e outras escolhas ruins que parecem ser motivadas em manter a série igual aos quadrinhos ao invés de encaixá-las no que as versões para a TV desses personagens realmente fariam", o crítico escreveu na época.

Centésimo episódio de 'The Walking Dead' é celebrado com passeio de zumbis

Além disso, a sétima temporada fez uma mudança em sua estrutura de roteiro ao focar episódios inteiros em certos personagens ou grupos: "A série parece estar diminuindo um pouco o uso desse tipo de recurso, mas ainda não sabemos se será suficiente para recuperar os números de audiência", opinou Ivy. Com 60% de aprovação dos críticos no site Rotten Tomatoes - o pior índice de sua história - o sétimo ano parece ter falhado em atrair a atenção dos espectadores e da crítica e ainda afetou diretamente os números da oitava temporada. E uma 'correção de curso' chegou a ser anunciada pelo condutor da série, Scott Gimple: "A história vai mudar bastante em um único episódio entre vários personagens diferentes de maneira consistente, o que é um pouco incomum para a série", ele explicou antes da estreia da nova temporada. Mas será que essa mudança veio tarde demais?

"Acredito que o fato de perdermos dois personagens queridos do público de maneira tão violentamente explícita pelas mãos de Negan afastou uma parcela dos fãs. Mas também acredito que a opção feita por quem tem o controle criativo da série, de expandir um arco relativamente curto para toda uma temporada está gerando um certo cansaço", analisou Ivy. A editora do The Walking Dead Brasil está se referindo ao arco "Guerra Total", que já mencionamos no início do texto e mostra o inevitável confronto entre Rick e Negan. Com 11 edições nos quadrinhos, esse arco possivelmente deve acabar apenas no episódio 16, o season finale desta temporada. Esticar episódios e eventos com tramas inverossímeis e soluções mirabolantes gerou até a criação de um termo, chamado "filler". Em tradução, seria algo como "enchimento", um episódio cheio de acontecimentos que, somados, não querem dizer muita coisa; ou o contrário, um episódio onde pouca coisa de relevância acontece. "Lost" e as produções recentes da Marvel para a Netflix, como "Demolidor" e "Jessica Jones", são bastante acusadas de produzir episódios "filler", por exemplo. Ivy soube resumir bem essa sensação agridoce que os episódios recentes têm causado: "Penso que a opinião geral é a de que ainda há muita história de qualidade para contar, mas há que se repensar a maneira como esta história está sendo contada".

Algumas alterações já foram anunciadas, sendo a partida de Morgan, personagem interpretado por Lennie James, a mais importante delas. James vai se juntar ao elenco de "Fear The Walking Dead", spin-off lançada em 2015, época em que o selo The Walking Dead vivia dias melhores de popularidade. A mudança já começou a gerar especulações entre os fãs, já que "Fear" se passe antes dos eventos de sua irmã mais velha. Será que Morgan vai morrer? Ou será apenas mais um 'recurso criativo' dos roteiristas? A julgar pelo passado recente, é bom eles acertarem a mão na transição.

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