02/08/2026 13:13:00 - Atualizado em 02/08/2026 13:14:00

Governo amplia vacinação contra o sarampo em São Paulo após surto ativo da doença

Redação RedeTV!

Medida emergencial busca conter cadeia de transmissão e proteger grupos vulneráveis

(Foto: Adobe Stock)

O Ministério da Saúde determinou a ampliação da vacinação contra o sarampo para toda a população de 6 meses a 59 anos em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A medida começa nesta segunda-feira (3) e segue até 1º de setembro para conter a cadeia de transmissão do vírus no estado.

A imunização será feita independentemente do histórico vacinal e sem a necessidade de comprovar doses anteriores. O estado paulista concentra 15 dos 18 casos confirmados da doença no Brasil em 2026, sendo 12 na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos.

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, explicou que a alta densidade populacional e a grande circulação diária de pessoas na Grande São Paulo complicam a contenção da doença. A região concentra conexões estratégicas, como o Aeroporto Internacional de Guarulhos e o Porto de Santos.

“Em São Paulo há, sem dúvida, uma zona de muito perigo para a reintrodução do vírus e de mais difícil controle de bloqueio dessas ações”, afirma Kfouri.

A capital paulista registrou dois casos importados da Bolívia e da Guatemala, enquanto os demais contágios ocorreram dentro da própria cidade. Os pacientes de São Bernardo do Campo foram infectados após contato com moradores do município de São Paulo, o que caracteriza surto ativo na região.

A disseminação da infecção para outras localidades do país está associada à presença de públicos com esquema vacinal incompleto. O especialista em imunização reforçou que a baixa cobertura vacinal cria condições para que novos focos da doença surjam em qualquer município brasileiro.

O controle do vírus depende da manutenção de altas coberturas vacinais e de um sistema de vigilância capaz de isolar e rastrear contatos rapidamente. A estratégia de imunização indiscriminada busca reforçar a proteção individual e imunizar quem não respondeu às doses anteriores.

“Uma dose adicional reduz esse risco de falha vacinal, mas tomar uma dose a mais não traz nenhum malefício”, afirma.

A vice-coordenadora do Departamento Científico de Imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Ana Karolina Marinho, destacou que a vacinação ampliada é uma estratégia de bloqueio recomendada internacionalmente. A medida visa reduzir o número de indivíduos suscetíveis perto das áreas atingidas.

“Ao aumentar rapidamente o número de pessoas protegidas ao redor dos casos e em áreas de maior risco, diminui-se a quantidade de indivíduos suscetíveis e reduz-se a possibilidade de o vírus continuar circulando”, afirma.

Crianças de 6 a 11 meses também receberão uma dose adicional, chamada de "dose zero", para garantir proteção parcial contra quadros graves. Esse público ainda não atingiu a idade recomendada para o esquema padrão de imunização, que começa aos 12 meses.

“Dar uma dose entre 6 e 11 meses não vai conseguir uma proteção ideal. Mas dá uma proteção parcial que faz com que a gente reduza a chance de essa criança pequena adoecer, especialmente de forma grave”, explica.

A primeira dose da tríplice viral atingiu 77,5% de cobertura no estado de São Paulo em 2026, enquanto a segunda dose alcançou 65,5%. O resultado ficou abaixo da meta de 95% estipulada pelo Ministério da Saúde para evitar a circulação comunitária.

“Depois que você perde o controle, a epidemia se instala e é muito difícil de segurar”, alerta Kfouri.

O sarampo é uma doença infectocontagiosa grave que pode evoluir para complicações como pneumonia, encefalite e morte. Crianças menores de 5 anos, adultos com mais de 20 anos e imunossuprimidos integram o grupo com maior risco de gravidade.

Os sintomas clínicos incluem febre de 38,5°C ou mais, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse seca, coriza e conjuntivite. As vacinas oferecidas no Sistema Único de Saúde apresentam perfil de alta segurança, com reações adversas leves e transitórias.

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