31/07/2025 18:31:00 - Atualizado em 31/07/2025 18:32:00

Chemsex: o perigo por trás do 'combo' de sexo e drogas

Laís Souza Gomes com supervisão de Nathalia Ferreira / Redação RedeTV!

Entenda os porquês e quais são os impactos do abuso de substâncias para a prática de relações sexuais

(Foto: Pexels)

O sexo continua sendo um grande tabu e o desempenho na relação pode gerar inseguranças em pessoas de todas as idades. Algumas “soluções” podem causar problemas letais para a saúde; há casos de pessoas que morrem durante o ato após introduzir substâncias, como drogas para melhorar a dinâmica sexual. 

Chemsex é um termo do inglês que tem se popularizado e significa “sexo químico”. Ele caracteriza uma prática que consiste na utilização de substâncias psicoativas e remédios para aumentar a duração e “melhorar” o desempenho durante a relação sexual.

Diante desse cenário, o portal da RedeTV! entrevistou o biomédico especialista em estética masculina e sexólogo clínico Dr. Vitor Mello e o cardiologista Dr. Valdir do Nascimento para entender melhor as motivações e perigos de utilizar substâncias lícitas e ilícitas no sexo.

De acordo com Mello, a principal motivação para recorrer às drogas está ligada a dois aspectos principais: pessoas que realmente precisam de estimulantes para melhorar a ereção ou aqueles que procuram intensificar o prazer sexual: “Existem pesquisas que mostram que 20% dos jovens adultos já utilizaram algum tipo de medicação sem prescrição para melhorar a ereção. Isso evidencia uma medicalização sem indicação, mas que a pessoa busca, sem muitas vezes ser realmente uma indicação ou necessidade para melhorar a potência sexual.”

Apesar das drogas provocarem sensações que intensificam o prazer, segundo o especialista, elas não podem ser utilizadas como a base para uma pessoa conseguir ter relações sexuais. “A curto prazo, nós podemos pensar que o uso dessas drogas, esses medicamentos podem trazer mais segurança, intensificar o prazer, mas, sem dúvida nenhuma, não tem como nós associarmos autoestima ao uso de drogas”, completou.

Quais são os perigos no uso de drogas para o sexo?  

O uso de drogas ilícitas, como a cocaína, poppers, ecstasy ou até quetamina, pode, a longo prazo, diminuir o número de neurotransmissores - substância química que atua como mensageiros no sistema nervoso - que estão ligados diretamente aos hormônios do prazer, como a dopamina.

“Existe uma expectativa muitas vezes irreal do sexo, de performance sexual, e aí esse jovem, que hoje em dia tem tantos meios dele encontrar pornografia, traz um mundo muito imaginário, onde as expectativas são muito irreais”, iniciou o Dr. Vitor Mello. Ele já vai para o sexo, que está ligado ao centro do prazer, com a dopamina, serotonina, e conforme vai diminuindo esse número de neurotransmissores, a pessoa tende a ter mais dificuldade em sentir prazer, então cai aí numa questão realmente de saúde mental”, alertou.

O cardiologista Dr. Valdir do Nascimento explicou que “as medicações para disfunção erétil agem como dilatadoras dos vasos penianos, aumentando o tempo de ereção. Já as substâncias ilícitas não são recomendadas pela classe médica e suas ações podem ser altamente prejudiciais; por isso, são totalmente contraindicadas”.

O especialista ainda destacou que, para casos de disfunção erétil, “as drogas lícitas como Viagra, Cialis e Levitra são seguras e eficazes quando utilizadas com prescrição médica. Elas devem ser prescritas após consulta médica para descartar problemas cardíacos como hipertensão arterial, arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, angina, entre outras”. Além disso, caso esses remédios não sejam tomados com acompanhamento médico, eles podem perder o efeito e prejudicar ainda mais o paciente.

O priapismo também entra na lista de principais riscos deste abuso de substâncias. Conforme Mello, “priapismo é quando o homem tem uma ereção prolongada por muito tempo e ele não consegue perder essa ereção”. Essa condição pode acontecer quando há o uso de um estimulante sexual associado com outras drogas e álcool. Caso não seja tratada corretamente, pode causar a incapacidade total de ter ereções no futuro até a necrose do pênis.

Os usuários precisam estar atentos a problemas como:

- Disfunção erétil;

- Questões psicológicas de autoconfiança;

- Riscos à saúde e bem-estar. 

“É preciso entender que o uso de drogas durante o sexo pode sim causar problemas de saúde e oferecer riscos à vida do usuário”, ressaltou o biomédico. 

Impactos da ansiedade no sexo

A ansiedade é um dos principais causadores de disfunção erétil nas relações sexuais, podendo estar associada a questões diversas como autoestima, pressão externa e interna. O sexólogo Dr. Vitor Mello explica que existe uma cobrança real para os homens sobre a “entrega nas relações sexuais”. 

“O sexo, que deveria ser uma troca afetiva, algo emocional, se torna uma cobrança por uma performance [...] O International Journal of Impotence Research tem uma pesquisa que mostra que 30% dos quadros de disfunção erétil em jovens estão diretamente ligados a episódios de ansiedade” apontou. “Então, não é uma questão fisiológica, não é que esse homem tem uma baixa testosterona que vai fazer com que ele não responda sexualmente, é uma questão emocional, ansiedade que leva ele a ter uma disfunção erétil”, acrescentou.

O biomédico também deu conselhos sobre como priorizar o prazer nas atividades sexuais, sem precisar recorrer às drogas. “O melhor caminho é se conhecer e se permitir. Entender o que dá prazer. Quando há esse conhecimento pessoal, ela acaba não buscando outras formas de potencializar esse prazer durante o sexo”, finalizou.

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