04/08/2026 18:30:00

Governo Trump revoga visto de embaixadora brasileira nos EUA

Redação RedeTV!

Departamento de Estado afirma que medida responde à demora brasileira em autorizar indicado para comandar Embaixada dos EUA em Brasília

Foto: Reprodução/Redes sociais

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (4) a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Segundo o Departamento de Estado, a decisão é uma resposta à demora do Brasil em conceder o aval diplomático necessário para que Daniel Perez, indicado por Donald Trump, assuma a Embaixada dos EUA em Brasília. As informações são do g1. 

Apesar da medida, o governo americano afirmou que a diplomata brasileira não será expulsa do país. De acordo com o Departamento de Estado, Viotti poderá permanecer nos Estados Unidos mesmo sem um visto válido, e o documento poderá ser restabelecido caso o governo brasileiro conceda o aval ao novo embaixador.

Daniel Perez foi indicado por Trump em junho. Há duas semanas, seu nome recebeu o aval de uma comissão do Senado americano, mas ainda precisa passar pelo plenário da Casa.

Pela prática diplomática, o país que recebe um novo embaixador precisa concordar previamente com a indicação, por meio do chamado agrément. Segundo o governo americano, o Brasil ainda não concedeu essa autorização.

Os Estados Unidos alegam ainda que autoridades brasileiras teriam sinalizado que a decisão poderia ficar para depois das eleições presidenciais de outubro. Diante do impasse, o Departamento de Estado afirmou que outras medidas não estão descartadas.

"Lamentamos a situação em que nos encontramos, mas deixamos muito claro que a reciprocidade é a regra do jogo. Se outro governo não permitir que realizemos nosso trabalho da maneira adequada, responderemos com medidas recíprocas."

O Itamaraty ainda não havia se manifestado sobre o anúncio até a última atualização.

Brasil havia negado vistos a diplomatas

A decisão americana ocorre dez dias depois de o Itamaraty negar vistos a dois integrantes do Departamento de Estado que pretendiam viajar ao Brasil: o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson.

Os dois foram citados pelo The Washington Post em uma reportagem sobre uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. O Departamento de Estado negou que os funcionários planejassem interferir nas eleições.

Segundo o governo americano, a viagem teria como objetivo discutir "integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão" com autoridades e representantes da sociedade civil brasileira.

O governo brasileiro já avaliava a possibilidade de uma retaliação diplomática dos Estados Unidos após negar os vistos.

Quem é Daniel Perez

Daniel Perez, de 38 anos, foi indicado pela Casa Branca para assumir a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Presidente da Câmara dos Deputados da Flórida e integrante do Partido Republicano, ele ainda depende da confirmação do Senado americano.

Filho de imigrantes cubanos, Perez nasceu em Nova York e mudou-se ainda criança para a Flórida. Caso seja confirmado, assumirá um posto que está vago desde janeiro de 2025, após a saída de Elizabeth Bagley, indicada pelo então presidente Joe Biden.

Relação entre Brasil e EUA volta a se desgastar

O novo episódio ocorre em meio a outra fase de tensão entre os governos brasileiro e americano. Depois de um período de aproximação e negociações entre Lula e Trump, divergências comerciais e diplomáticas voltaram a afetar a relação bilateral.

Entre os episódios recentes estão a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos e a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros.

Em julho, uma tarifa de 25% entrou em vigor após uma investigação americana baseada na Seção 301 da Lei de Comércio. O governo Trump alegou que determinadas práticas brasileiras restringiriam ou onerariam o comércio com os Estados Unidos, citando, entre outros pontos, o Pix e a regulação das plataformas digitais.

Dois dias depois, Washington anunciou outra tarifa, de 12,5%, contra produtos brasileiros e de dezenas de outros países, alegando falhas no combate ao trabalho forçado.

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