02/06/2026 18:52:00

Flávio Bolsonaro atribui a Lula nova proposta de taxação dos EUA: "Discurso antiamericano"

Redação Rede TV!

Presidente critica atuação de oposição em Washington e diz que medidas punem o país

Foto: Reprodução/Redes sociais 

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nova proposta dos Estados Unidos de taxar em 25% as importações do Brasil. De acordo com o parlamentar, a medida decorre de um estudo iniciado em 2025 pelo governo norte-americano e reflete a postura externa adotada pelo Palácio do Planalto. As informações são do Uol. 

O congressista criticou a condução diplomática da gestão federal e associou as tarifas ao posicionamento econômico do Executivo. "A realidade é que essa tarifa é do Lula, pelo seu tom agressivo com os Estados Unidos, pelo seu discurso antiamericano, por defender que o dólar deixe de ser a moeda padrão nas negociações internacionais."

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) oficializou a proposta de taxação citando práticas comerciais consideradas "irrazoáveis" por parte do mercado brasileiro. Fontes do governo apontam que o foco principal das restrições recai sobre o sistema Pix, mencionado mais de 20 vezes nos relatórios que fundamentam a decisão.

O legislador afirmou ter intercedido formalmente junto a autoridades de Washington para tentar barrar a imposição tributária ao setor produtivo nacional. O político fluminense relatou ter argumentado que o cenário ideal de cooperação mútua entre as duas nações será restabelecido a partir do próximo ciclo presidencial brasileiro.

"Expliquei que não seria justo taxá-los ainda mais. Eu reforcei que os Estados Unidos não precisariam mais usar a política de tarifas para negociar com o Brasil, porque a partir de janeiro de 2027 o Brasil terá um presidente da República que vai sentar para negociar de igual para igual."

As declarações foram detalhadas em uma gravação divulgada pelo senador em suas plataformas digitais de relacionamento. O pré-candidato manifestou contrariedade com a carga de impostos que atualmente recai sobre a atividade privada no país.

“Eu fiz o pedido direto para que os Estados Unidos não taxassem as empresas brasileiras, que já são absurdamente taxadas pelo governo Lula. Os empreendedores brasileiros já estão sufocados com tanto imposto, burocracia e perseguição”, disse Flávio Bolsonaro, em vídeo publicado no Instagram.

O representante do Partido Liberal também encaminhou uma correspondência oficial ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. No documento, o parlamentar prestou apoio a resoluções recentes daquele país contra facções criminosas que atuam em território nacional.

"A esmagadora maioria do povo brasileiro celebrou essa medida, mesmo que ela desagrade ao atual governo. Trata-se de um passo decisivo para proteger cidadãos honestos em todo o nossos hemisfério compartilhado", escreveu ele ao secretário de Estado dos EUA.

A manifestação por escrito reiterou temores quanto aos impactos financeiros que o novo encargo alfandegário pode gerar para a população local. Para subsidiar a linha de argumentação, foram apresentados indicadores macroeconômicos relacionados ao endividamento das famílias e ao deficit público.

"diante deste cenário, a imposição de novas tarifas infligiria sério dano ao povo brasileiro - os mesmos cidadãos que veeem os Estados Unidos como parceiro e amigo".

O prefeiturável comprometeu-se com o chefe da diplomacia norte-americana a priorizar a assinatura de um tratado amplo de investimentos caso vença as eleições majoritárias. O encerramento da carta formal trouxe uma mensagem de cunho religioso direcionada a ambos os países.

Flávio Bolsonaro prometeu a Rubio que, se for eleito presidente, pretende concluir rapidamente um novo acordo comercial e de investimentos com os EUA. Ele termina a carta com a frase "Deus abençoe a América, e Deus abençõe o Brasil".

Anteriormente, o chefe do Executivo brasileiro relembrou publicações antigas do adversário político feitas em redes sociais. As postagens recuperadas datavam do período em que o governo de Donald Trump determinou as primeiras restrições aduaneiras contra o Brasil.

"O filho dele [do ex-presidente Jair Bolsonaro], que hoje foi para a televisão dizer que não disse nada, eu vou repetir: no dia 9 de julho de 2025, no dia que o Trump nos puniu, ele disse: 'Obrigado Trump, faça o Brasil livre de novo'", leu o presidente, em evento em Catalão (GO).

Ataques de Lula

Durante agenda pública no estado de Goiás, Lula proferiu duras críticas ao senador, classificando a postura do opositor como prejudicial aos interesses soberanos. A manifestação presidencial equiparou o ato de pedir intervenções externas a episódios históricos de traição nacional.

“São traidores. Por menos do que isso, Joaquim Silvério do Reis, que delatou Tiradentes, foi enforcado. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso país? Pensem, pensem, meditem, porque esse cidadão [Flávio] hoje aparece lá em pé: 'Eu não falei nada, eu não falei nada'. Todo covarde é assim, fala a merda que fala, e por não ter coragem de assumir o que fala, fica tentando mentir”, Lula, sobre Flávio Bolsonaro, futuro adversário nas urnas.

Em resposta aos ataques desferidos, a equipe jurídica da campanha de Flávio anunciou que ingressará com uma representação no Supremo Tribunal Federal. A defesa sustenta que o discurso proferido em praça pública extrapolou o debate político e configurou infração legal.

"Lula afirmou que o senador deveria ter o mesmo destino que Tiradentes e ser morto por enforcamento. De acordo com Flávio Bolsonaro, a fala do presidente configura crime de ameaça e de incitação ao crime."

O líder da República confirmou que as rodadas de negociações bilaterais com os Estados Unidos para tentar reverter a taxação de 25% seguem travadas. Ele encerrou as declarações insistindo que a viagem da comitiva de oposição a Washington influenciou negativamente o resultado comercial.

"Até agora já conversaram três vezes e não houve acordo", disse Lula, que voltou a atrelar a taxação à recente visita de Flávio a Washington. "Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras",", afirmou o presidente.

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