Em sabatina da RedeTV!, Marina Silva destaca chance de ser primeira mulher negra eleita ao Senado por SP
Esther Ursulino / Redação RedeTV!Na conversa, a ex-ministra do Meio Ambiente falou sobre propostas para o combate à violência contra a mulher, além de comentar a crise no STF e o tarifaço dos EUA

Foto: Divulgação/RedeTV!
Marina Silva, candidata ao Senado por São Paulo pelo partido Rede Sustentabilidade, foi sabatinada por Daniel Caniato na manhã desta quinta-feira (03), no programa RedeTV! Notícias, na sede da RedeTV!, em Osasco-SP. Durante a entrevista, foram discutidas pautas como o crescimento da violência contra a mulher, uma eventual votação para impeachment de ministros do Supremo, o combate às organizações criminosas e o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil.
Natural do Acre, a ex-ministra do Meio Ambiente iniciou sua participação no programa ao responder sobre a escolha por representar SP na casa legislativa. “São Paulo recebe pessoas de todas as regiões do Brasil; é formado por pessoas das mais diferentes regiões do mundo. (...) Tanto é que eu tenho uma relação histórica com São Paulo desde 1979. Sou casada com um paulista há 40 anos e, em 1994, recebi o título de cidadã paulistana. Então, não é um estado estranho à minha pessoa.”
Ao abordar o tema da segurança pública, a candidata criticou o aumento dos feminicídios na metrópole paulista, que registrou mais de 270 casos em 2025. Já como medida para fortalecer o combate ao crime organizado, Marina defendeu a valorização salarial de policiais e a integração entre órgãos de comando e controle dos estados e da União, a fim de “fechar o dreno do dinheiro que financia a criminalidade”, como, segundo ela, ocorreu na Operação Carbono Oculto.
“O julgamento que o Senado faz de um ministro do Supremo não é um linchamento político”
Questionada sobre qual seria seu posicionamento como senadora em um eventual processo de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Marina Silva defendeu mecanismos de autocorreção no Judiciário e disse que a questão do impedimento não pode ser banalizada: “O julgamento que o Senado faz de um ministro do Supremo não é um linchamento político e ideológico em função das posições e das decisões tomadas pelo ministro. Essa confusão tem que parar”, criticou.
A ex-ministra do Meio Ambiente também prometeu combater as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros e criticou a atuação dos Bolsonaros para imposição de taxações ao país. “Não vou compactuar com uma família que, para ficar no poder, articula um tarifaço prejudicando o Brasil e tirando 11 bilhões de dólares da nossa economia.”, afirmou.
“Se Deus quiser, e o povo paulista, vou ser a primeira mulher negra eleita pelo estado [de São Paulo]”
Sobre a possibilidade de assumir um cargo no Executivo em uma eventual reeleição do governo Lula, Marina responde: “Eu já dei a minha contribuição por três mandatos do presidente. [Se] eleita, vou exercer o cargo de senadora para ajudar São Paulo em um novo ciclo de prosperidade, representar as mulheres no Congresso Nacional e, se Deus quiser, e o povo paulista, ser a primeira mulher negra eleita pelo estado”, encerra.
“Precisamos fazer com que São Paulo continue liderando (...) e eu sei o caminho das pedras”
Ao final da sabatina, Marina Silva ainda concedeu uma entrevista exclusiva ao portal RedeTV! Notícias, onde apresentou propostas para o combate à violência contra a mulher e defendeu “punição severa” aos agressores. “Muitas vezes a mulher denuncia e ela mesma desiste do processo em função da pressão que sofre dentro de casa. Mas é obrigação do poder público acompanhá-la”, reforça.
Diante disso, Marina propôs que delegacias se especializem no acolhimento às vítimas, promovam um “acompanhamento direcionado” a cada uma e funcionem, de fato, 24 horas por dia. A autonomia financeira feminina também foi reconhecida como um fator importante para enfrentar situações de violência patrimonial, forma de agressão às mulheres reconhecida pela Lei Maria da Penha.
Por fim, a candidata, que foi eleita a senadora mais jovem da República em 1994, também relembrou sua trajetória na política e explicou por que resolveu voltar ao Senado após ter passado por cargos no Executivo. “Estar [atuando] como senadora de São Paulo é dar uma contribuição para que o estado não fique para trás em educação e desenvolvimento econômico. (...) Nós precisamos fazer com que São Paulo continue liderando. Nesses anos todos tendo uma agenda internacional bastante forte, tendo atuado no G20, nos BRICS, na COP, eu sei o caminho das pedras”, afirma.
Veja a entrevista exclusiva para o portal Notícias RedeTV!:
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