Bolsonaro relembra atentado, valoriza relação com Trump e defende Reforma da Previdência em entrevista exclusiva
Redação/RedeTV!
O presidente da República, Jair Bolsonaro, recebeu a apresentadora Luciana Gimenez para uma entrevista no Palácio do Planalto - (Foto: Reprodução/RedeTV!)
O presidente da República, Jair Bolsonaro, foi entrevistado com excluvisidade pela apresentadora Luciana Gimenez para o seu talk show na RedeTV!, o Luciana By Night. A conversa foi gravada na tarde de segunda-feira (6), no Palácio do Planalto, em Brasília, e exibida no programa de terça-feira (7).
Questionado sobre quais foram os fatores positivos dos primeiros cem dias de governo, Bolsonaro citou a "liberdade" para poder atuar e escolher seu corpo ministerial. "Eu acho que o mais importante do governo foi eu ter liberdade para escolher os 22 ministros, sem qualquer interferência externa - quer seja de grupos de lobby, empresários. Consegui montar um ministério que, com todo respeito, orgulha o Brasil. Cada ministro ali e ele sabe da sua função, tem competência, está preparado e tem dado conta do recado mesmo com os pacos recursos que cada um tem", explicou o presidente, que também comemorou o que chama de "parlamento alinhado", apesar de alguns imprevistos. “Ah, não há dúvida. Teve umas caneladas, o que é natural no início de governo - e um Congresso novo”, diz.
Relembrando como começou a se preparar para disputar a Presidência da República nas eleições de 2018, Bolsonaro destaca que começou sua jornada sem recursos e “como um nômade andando por todo o Brasil”. O presidente dissertou sobre o processo eleitoral, argumentando que sentia que poderia vencer o pleito eleitoral "semanas antes" do atentado que sofreu no dia 6 de setembro do ano passado, após receber um facada de Adélio Bispo, 40, durante um ato da campanha presidencial, em Juiz de Fora (MG).
"O maior medo meu é deixar minha filha de 8 anos órfã", falou Bolsonaro. “Eu achava que algo poderia acontecer nesse sentido, mas não calculei o nível da possibilidade, porque a gente sempre acha que a gente é imortal. Ali, partimos para a campanha exclusivamente nas redes sociais e a população fez a campanha para mim dessa forma espontânea que a gente viu em todo o Brasil", diz Bolsonaro. Questionado se perdoou Adélio Bispo, autor confesso do crime, o presidente nega. "Sabia o que estava fazendo", afirma.
Perguntado por Luciana Gimenez sobre como separar família e política, Jair Bolsonaro citou as críticas feitas ao filho "02", o vereador Carlos Bolsonaro, pelos posts feitos por ele em redes sociais. “As críticas foram em cima do 02 [Carlos Bolsonaro]. Ele tem a sua liberdade de falar no seu Twitter, Facebook, Instagram e expor sua opinião. O pessoal leva para o lado de ‘olha, o filho do presidente. Ele está dando um recado através dele’. Confesso, nem sempre”, comenta.
Ainda falando sobre redes sociais, o presidente diz não se arrepender de nenhuma publicação feita na rede social. “Não, acontece, acontece, mas eu tenho que assumir. Não posso faltar em arrependimento, já foi feito e não vai se repetir lá na frente. Acontece”, acrescentando que só apaga publicações quando há algum erro de informação, mas estima: “Eu acho que mais de 95% das informações nossas são mais do que precisas”.
Encontro com Trump
Bolsonaro falou sobre um dos momentos mais "importantes" até o momento de seu governo, que foi o encontro com o presidente dos EUA Donald Trump. Afirmando ser “um momento ímpar na vida”, o presidente do Brasil revelou ser um “Fã e admirador" do chefe de estado norte-americano desde que ele começou a disputar as primárias.
"O que ele sofria lá é o mesmo que eu já vinha sofrendo aqui, que são as mesmas acusações patéticas de sempre. Me tratou muito bem e conversamos reservadamente sobre vários assuntos”, detalhou Bolsonaro, acrescentando que seu filho Eduardo Bolsonaro, deputado federal com mais votos pelo estado de São Paulo, que o acompanhou em sua visita à Casa Branca, tem amizade com um dos filhos de Trump e completou: “Ele faz até um papel de chanceler - e faz muito bem no meu entender, mas reconhecendo que o chanceler é outro e não é ele. Essa viagem não tem preço”.
Desemprego e Reforma da Previdência
Sobre a questão do desemprego no Brasil, que atingiu no fim do mês de março 12,7% da população - segundo o IBGE -, o presidente citou que “a mão de obra é cara no Brasil”. “O salário é pouco para quem recebe e muito para quem paga. O que se produz aqui dentro acaba tendo um valor agregado muito alto”, explicou Bolsonaro, que se comprometeu a diminuir burocracias para patrão e empregado, visando “transformar o ambiente de negócios mais saudável”.
Durante a entrevista para Luciana Gimenez, Bolsonaro defendeu a reforma da Previdência, argumentando que o Brasil não tem "outra alternativa” para melhorar a economia do País. “Se você não fizer isso, não vai ter dinheiro para pagar nem o aposentado nem o servidor ativo”, afirmou ele.
“Não temos outra alternativa. Não é um projeto meu, do meu governo. É um projeto do Brasil”, acrescentou o presidente, que ainda explicou como funcionaria a proposta da "Nova Previdência", apontando que trará investimentos em educação, saúde, segurança pública e geração de empregos. “Temos que demonstrar que podem confiar na gente”, diz Bolsonaro.
Esportista e "palmeirense de coração"
Jair Bolsonaro falou sobre a valorização do esporte no Brasil e lamentou o fato de não poder praticar mais com frequêncua. Segundo ele, após a "tentative de homicídio", ele se limita à algumas caminhadas e exercícios na piscina. O presidente ainda "brincou" com Luciana Gimenez durante o programa, dando sua opinião sobre algumas falas polêmicas durante a campanha presidencial e relembrando fotos de sua trajetória com a família e momentos que já marcaram seu governo, como sua visita à Israel.
Ao final da entrevista, a apresentadora presenteou Bolsonaro com uma camisa do Palmeiras. Com a camisa do Verdão em mãos, o presidente aproveitou para explicar: “O meu nome eu devo ao Jair Rosa Pinto, que era meia-esquerda do Palmeiras e da seleção”. Bem-humorado, o presidente ainda fez questão de dedicar o presente ao Felipe Melo, volante do clube. “Ele foi uma pessoa maravilhosa comigo desde muito tempo antes das eleições”.
Confira a íntegra da entrevista com o presidente Jair Bolsonaro!
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