Após pedido de Moraes, Mendonça abre processo sobre pagamentos ligados a Vorcaro
Redação RedeTV!Decisão libera processo com informações sobre movimentações financeiras relacionadas ao ex-banqueiro e ao Banco Master

Foto: Reprodução/STF
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo da ação que reúne informações sobre uma rede de pagamentos não declarados envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master. A decisão foi tomada após um pedido de Alexandre de Moraes e uma solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin. As informações são do g1.
Moraes havia pedido acesso ao material antes da sessão do plenário marcada para esta terça-feira (15), quando os ministros vão analisar a abertura de uma investigação contra ele.
Após receber a solicitação, Fachin pediu um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão se manifestou favoravelmente à retirada do sigilo por considerar que os documentos são relevantes para a compreensão do conjunto das investigações relacionadas ao Banco Master.
“Tendo em vista a manifestação da Procuradoria-Geral da República, acolho o pedido formulado pelo e. Ministro Alexandre de Moraes para solicitar que o e. Ministro André Mendonça promova o levantamento do sigilo da Pet 15.645”, determinou Fachin.
Relatório do Coaf aponta movimentações
Entre os documentos tornados públicos está um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), enviado à Polícia Federal em fevereiro deste ano.
O material reúne movimentações financeiras de empresas ligadas a Vorcaro e ao cunhado dele, Fabiano Zettel.
A Igreja Batista da Lagoinha, administrada por Zettel, aparece entre as instituições citadas. Segundo o Coaf, a denominação registrou movimentação considerada atípica de R$ 57 milhões entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
Zettel está preso em meio às investigações, e a igreja foi fechada no contexto das apurações que envolvem o empresário, que também é pastor.
Segundo apuração do UOL, a petição reúne detalhes sobre a rede de pagamentos não declarados de Vorcaro e do Banco Master.
Moraes pediu documentos antes de julgamento
Ao solicitar acesso ao processo, Moraes afirmou que o material contém “elementos essenciais” para o julgamento marcado para esta terça-feira.
O plenário do STF vai analisar um relatório da Polícia Federal que cita a relação entre Moraes e Vorcaro. Conversas extraídas do celular do ex-banqueiro e divulgadas no início do mês indicam, segundo a investigação, que Vorcaro teria mantido contato com o ministro às vésperas de ser preso, em novembro de 2025.
A divulgação das mensagens desencadeou uma crise interna no Supremo. No sábado, Fachin assumiu a relatoria do procedimento envolvendo Moraes, que até então estava sob responsabilidade de Mendonça.
A mudança foi fundamentada no regimento interno da Corte, segundo o qual apurações preliminares envolvendo ministros do próprio STF devem ser conduzidas pelo presidente do tribunal.
Mendonça, porém, permanece responsável por outros processos relacionados ao Banco Master. Entre eles está a investigação que apura suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
STF mantém julgamento para esta terça-feira
Fachin marcou para as 10h desta terça-feira uma sessão do plenário para discutir a abertura de investigação contra Moraes.
Ministros próximos a Moraes pressionaram pelo adiamento ou cancelamento da sessão extraordinária. O grupo defendia que um pedido de investigação envolvendo Mendonça também fosse analisado na mesma ocasião.
Fachin, porém, manteve o julgamento. O presidente do Supremo avalia que a Corte precisa dar uma resposta rápida e pública diante da gravidade das acusações envolvendo integrantes do tribunal.
Nesta segunda-feira (14), a Polícia Federal também entregou dados extraídos do celular de Vorcaro aos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, que haviam solicitado acesso ao material.
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