Irã resiste a ataques e desafia Estados Unidos em nova fase da guerra
Lucas Pordeus León / Agência Brasil
Major-general português Agostinho Costa avalia os 4 dias de guerra

(Foto: Redes Sociais)
Com a manutenção do regime de governo e o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, o Irã mostra capacidade de resistência após ataque dos Estados Unidos (EUA) e passa a ter a "iniciativa de guerra". É a avaliação do major-general português Agostinho Costa, especialista em segurança e geopolítica, e ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal.
Para o general, o conflito está sendo prolongado por vontade iraniana.
“Neste momento, parece-nos que a iniciativa é mais do Irã, do que propriamente dos EUA e de Israel”, comentou o militar à Agência Brasil.
O governo iraniano, por meio dos bombardeiros de bases dos EUA no Oriente Médio, além do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, que ameaça a economia global, teria colocado a pressão maior sobre Washington em relação ao futuro da guerra.
Para o general, não houve uma degradação da capacidade dos mísseis iranianos como inicialmente era esperado, indicando má avaliação e precipitação dos EUA em deflagrar o conflito. Agostinho destaca que o objetivo estadunidense de derrubar o regime iraniano em poucos dias não foi alcançado.
“Porque o pressuposto era que os iranianos estariam, neste momento, em um ponto de fraqueza, numa fase de debilidade e de incapacidade, e que iriam ruir como um castelo de cartas. Não é isso que estamos a ver”, enfatizou.
O militar Agostinho Costa analisa que o Irã se preparou para essa guerra, tendo dispersado equipamentos balísticos por todo o território de 1,6 milhão de quilômetros quadrados, área maior que o estado do Amazonas.
Satélites chineses
Além disso, a estratégia de desgastar o sistema de defesa aéreo de Israel e de colocar as bases dos EUA na região sob fogo estaria dando resultado positivo para Teerã.
“Temos visto que as bases americanas têm sido atacadas cirurgicamente, o que comprova as informações de que os chineses garantiram aos iranianos o acesso à constelação de satélites chineses BeiDu, que permitem uma percepção situacional em tempo real e imagens do dispositivo adversário”, disse Agostinho Costa.
O major-general afirma que os EUA não têm um antídoto contra o sistema de satélites chinês.
“Não conseguem neutralizar a rede de satélites chineses. É isso que justifica a precisão dos ataques iranianos”, completou.
Para o especialista em defesa, não é possível prever por quanto tempo o Irã conseguirá manter a pressão militar sobre os EUA e Israel. Porém, ele avalia que é difícil para os EUA sustentarem essa guerra por muito tempo devido a condições militares, econômicas e políticas.
“Quatro semanas é, precisamente, o tempo que Trump teoricamente aceitaria continuar este conflito, mas há aqui uma grande interrogação. Qual é a capacidade que um e outra parte tem para manter esta campanha com o ritmo que estamos a assistir?”, questionou
Estratégia iraniana
O Irã teria duas estratégias principais, de acordo com o especialista: atacar as bases dos EUA no Oriente Médio, no sentido de expulsar os estadunidenses do Golfo, além de desgastar a defesa aérea israelense “para impor a Israel uma derrota estratégica que retire deles as condições de voltar a incomodar o Irã nos próximos tempos”.
Ainda segundo o militar português, os ataques às bases dos EUA “mostram aos países árabes da região que ter aquelas bases todas não serve para nada, porque os americanos, a primeira coisa que fizeram, foi abandonar as bases”.
Superioridade aérea
Ao mesmo tempo, Israel e EUA não teriam conseguido estabelecer uma superioridade aérea sob o território iraniano. O ex-vice-presidente da Associação EuroDefese-Portugal, Agostinho Costa, rejeita a afirmação de Israel de que eles teriam conseguido abrir um corredor aéreo sobre o Irã onde poderiam transitar livremente.
“Não vimos isso até agora. Antes, pelo contrário, o que vemos é que aquilo que Israel e os EUA conseguem pôr sobre o Irã são, fundamentalmente, drones e temos visto imagens de drones sendo abatidos”, disse.
Bases dos EUA no Golfo Pérsico
Costa acrescentou que, com a inutilização de bases dos EUA no Oriente Médio, os caças israelenses e estadunidenses precisam viajar longas distâncias, o que dificulta as operações.
“A constelação de bases dos EUA na região está, na sua maioria, inoperante. Portanto, os EUA estão a operar a partir dos dois porta-aviões, certamente a partir das bases em Israel e, muito provavelmente, do Chipre”, explicou.
Os ataques contra bases militares dos EUA em, pelo menos, 12 países do Golfo Pérsico teriam conseguido deixar Washington sem parte de seu apoio logístico.
“Ao decolar de um porta aviões, os caças saem com menos mísseis, e tem que ser reabastecidos. Para isso, devem estar, no mínimo, a uma distância de 700 km. É uma manobra operacional, em termos logísticos e de coordenação, muito complicada”, explicou.
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