"É um erro crasso você sacrificar os interesses do Brasil, da soberania nacional, pra tentar salvar um ex-presidente da República", afirma cientista político
Redação RedeTV!Murilo Medeiros é o convidado do ‘É Notícia’ desta quinta-feira (31)

(Foto: RedeTV!)
Cientista político, Murilo Medeiros é o convidado desta quinta-feira (31) no programa ‘É Notícia’, apresentado por Beatriz Bulla às 23h45, na RedeTV!.
Murilo Medeiros é cientista político pela UnB (Universidade de Brasília). Atua na área legislativa do Senado Federal e é consultor político eleitoral.
Em entrevista, Medeiros comenta o “saldo político” do governo e da oposição nesta última semana de julho, em que houve diversas movimentações no meio político, como a prisão da deputada Carla Zambelli, a oficialização do tarifaço de Donald Trump, entre outros eventos que tiveram o Brasil como protagonista da mídia nacional e internacional. Em especial, o cientista fala das relações diplomáticas do Brasil e dos Estados Unidos: “A insensatez de alas da oposição que foram buscar o governo norte-americano para sancionar o Brasil, para penalizar o Brasil, mostrou uma estratégia errada. Deixou a oposição do campo mais à direita, ainda mais fragmentada, ainda mais dividida, porque é um erro crasso você sacrificar os interesses do Brasil, da soberania nacional, para tentar salvar, em termos jurídicos, um ex-presidente da República. Toda essa consequência fortaleceu, fez ressurgir o governo Lula, ressurgiu das cinzas com o tarifaço”.
Murilo ainda aponta a maneira como o Brasil deve se posicionar após as atividades e imposições do governo estadunidense: “Agora o que o Brasil precisa para tentar ampliar essa conexão com o governo americano é uma diplomacia inteligente, menos bravatas, menos arroubos. Inclusive, do atual presidente da República, menos o anti-americanismo que era tão presente na nossa diplomacia e tentar buscar criar pontes de conexão com o governo americano, olhando pro pragmatismo, pro interesse comercial do Brasil […] Nessa reta final, cabe ao governo brasileiro redobrar os seus esforços na busca da diplomacia, da conversa”, diz.
O cientista também fala da aplicação da lei Magnitsky, aplicada contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Alexandre de Moraes, decretada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um breve resumo, esta lei é um dispositivo da legislação estadunidense, que permite que o país imponha sanções econômicas a acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos. As consequências principais dos que passam por esta sanção são: proibição de viagem aos Estados Unidos, congelamento de bens nos Estados Unidos e proibição de qualquer pessoa ou empresa nos Estados Unidos de realizar transações econômicas com a pessoa penalizada.
“O ataque do Trump ao ministro Alexandre de Moraes não é a Alexandre de Moraes, é a instituição do poder judiciário brasileiro, ao Supremo Tribunal Federal. E a democracia brasileira é consolidada, é dividida em três poderes independentes e harmônicos em tese, mas que essa independência do judiciário precisa ser preservada independente de quem esteja no poder. A lei é pra ser cumprida e decisão judicial é pra ser cumprida também. A estratégia de tentar aliviar, suspender o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, por meio do tarifaço, ou mesmo de punir um integrante da Suprema Corte é uma extravagância”, afirma Medeiros.
O programa ‘É Notícia’, apresentado pela jornalista Beatriz Bulla, vai ao ar toda quinta-feira, às 23h45, trazendo personalidades de destaque em diversas áreas, diretamente dos estúdios da RedeTV!, em Osasco, Grande São Paulo e de Brasília.
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