Mariana Godoy Entrevista

Sexta-feira, às 23h
Mariana Godoy Entrevista

'Precisamos readequar a legislação trabalhista', diz ministro do Trabalho


Publicada:18/06/2016 00:20:00
Redação/RedeTV!

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, o cantor Arlindo Cruz e seu filho Arlindinho, o padre Júlio Lancelotti e o presidente do Conselho Municipal de Assistência Social Carlos Nambu, foram os convidados do programa "Mariana Godoy Entrevista" desta sexta-feira (17).

(Ministro Ronaldo Nogueira)

Ronaldo Nogueira, que deixou o cargo de deputado federal para assumir o ministério do Trabalho a pedido do presidente interino Michel Temer, falou sobre a situação do desemprego no país e apontou quais medidas irá tomar para reverter o cenário preocupante.

"Brasil hoje está acima da média mundial, mais de 11% de desempregados. Estamos trabalhando para a recuperação do emprego, é necessário haver toda uma conjuntura, entre elas a recuperação da economia. Entre as principais prerrogativas do ministério está promover políticas públicas de proteção ao trabalhador". Ele ainda mostrou-se otimista com a retomada. "No início do segundo semestre, pelo menos julho, agosto e setembro, nós deveremos retomar a empregabilidade".

Ao falar sobre a presidente afastada Dilma Rousseff, Nogueira posicionou-se favorável à decisão de afasta-lá e reafirmou que pedaladas fiscais configuram crime de responsabilidade. Ainda elogiou o mandatário interino Michel Temer. "Não há golpe. Golpe é quando se vende uma expectativa pré-eleitoral e depois, no exercício do mandato, você faz totalmente o contrário. Além de ferir os princípios da administração pública. Aqueles que dizem que hoje é golpe, defendiam o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Pelo fato de já ter sido parlamentar, ele (Temer) tem uma relação diferente com o Congresso Nacional. Em apenas um mês já conseguiu aprovar medidas importantes que trouxeram estabilidade de governança".

O ministro do Trabalho chamou as leis trabalhistas de retrógradas e reafirmou que é necessário atualizá-las. "Preciso garantir para o trabalhador que direito você não revoga, direito você aprimora. Precisamos readequar a legislação trabalhista com a realidade do século XXI. Nós precisamos criar um código legal que traga garantia para o trabalhador. Precisamos ter contrato de trabalho que explicite as regras mais claramente, a respeito dos direitos e garantias ao trabalhador".

Nogueira garantiu a manutenção dos direitos trabalhistas: "O trabalhador não vai pagar a conta da crise. Férias, 13º, jornada de trabalho, fundo de garantia serão mantidos". O ministro ainda reforçou que todas as 'esferas trabalhistas' serão contempladas pela pasta: "As políticas públicas pretendem contemplar todos os tipos de trabalhador: o empresário, o celetista, o trabalhador por conta própria e o servidor público".

Ao ser questionado sobre um tema recorrente e que causa grande preocupação no país, Ronaldo Nogueira foi enfático: "Eu não gosto da expressão terceirização. O Projeto 4330, que tramitou na Câmara, eu votei contra. Agora, nós precisamos redefinir um contrato para atender os serviços especializados. Os serviços especializados são uma realidade no nosso país. Nós precisamos observar a cadeia econômica e quais são as especialidades dentro dela". O ministro, então, exemplificou o que classifica como "serviços especializados". O ministro chamou a atenção, ainda, para o risco de precarização do trabalho terceirizado e alertou que isso não pode ocorrer em pleno século XXI.

Um expectador questionou o ministro sobre a valorização do salário mínimo e chamou a atual gestão de "governo de improviso do Temer". Ronaldo Nogueira, então, reforçou o que já havia dito antes: "O Brasil está num processo de recuperação de ganho do salário mínimo. Para isso, precisamos recuperar a economia, para isso precisamos garantir segurança para os investidores".

Questionado sobre até quando será ministro, Nogueira foi realista: "Estou ministro e não sou de fugir. Tenho a consciência do compromisso e coragem para fazer os enfrentamentos necessários". E enfatizou: "Quem nomeia e quem demite ministro é o presidente".

Sobre uma possível volta de Dilma, ele afirmou: "O Senado da República vai definir de uma forma madura", mas deixou um ponto bastante claro: "A decisão será política".

Sobre o grande número de indicados aos ministérios com citações na Operação Lava Jato, Ronaldo Nogueira defendeu as indicações citando o ministeriado da presidente afastada: "Dilma também tinha ministros citados na Lava Jato e manteve eles até o momento em que foi afastada". Ele ainda defendeu que a Constituição garante que ninguém é culpado até ser julgado.

Perguntado por internauta se já ficou desempregado, o ministro contou parte de sua história: "Eu já fiquei desempregado mais de uma vez. Eu conheço essa realidade. Fui metalúrgico e comerciário e lembro de uma vez em que fiquei mais de seis meses desempregado". Ele prosseguiu: "Tive que fazer bicos para sustentar minha família". O ministro ainda fez uma revelação: "Sou associado do sindicato dos comerciários de Carazinho [sua cidade natal, no Rio Grande do Sul]".

Ao ser questionado por Mariana Godoy sobre a possibilidade de possuir contas na Suíça, Ronaldo Nogueira foi direto: "Eu tenho conta na Caixa Econômica de Carazinho desde 1992". O ministro ainda disse que, caso alguém quisesse, poderia disponibilizar os dados da conta e a senha. 

O ministro do Trabalho terminou sua participação no programa lembrando que faz parte da terceira geração familiar da igreja Assembleia de Deus e enfatizando: "o que tenho para oferecer para os meus filhos é minha honra".

(Carlos Nambu e Padre Júlio Lancelotti)

A dramática situação dos moradores de rua em São Paulo, diante da onda de frio que castigou o centro-sul do país, também foi destaque no Mariana Godoy Entrevista. A jornalista recebeu, para discutir o assunto, o Padre Júlio Lancelotti, da Pastoral da Rua, e Carlos Nambu, do Conselho Municipal de Assistência Social.

O padre Júlio foi bastante crítico à atuação da prefeitura de São Paulo diante deste grave problema. Para ele, só se olha para situações como esta quando algo extremo ocorre. Ele se referia às mortes de moradores de rua na capital em decorrência das baixíssimas temperaturas registradas. Ele foi categórico ao afirmar que o "poder público só acorda quando uma tragédia dessas se abate". Ele ainda garantiu que morre, não somente em razão do frio, um morador de rua por dia em São Paulo. 

Mariana Godoy comentou que, com a gestão Haddad, muitas questões sociais melhoraram na cidade, mas questionou Nambu sobre o porquê de não ser suficiente para solucionar os problemas. Sobre essa questão, ele considerou: "Acredito que a demanda seja maior que a oferta. As políticas públicas precisam se fortalecer, com ampliação, com qualificação, inclusive com qualificação daqueles que trabalham, mas sempre com o olhar para o usuário, aquele que está lá na ponta. E também com um olhar que há uma diversidade na cidade de São Paulo, onde a gente não pode comparar a região central com a sul ou com a leste, há uma diferenciação muito grande". 

Mariana Godoy apresentou números das pessoas em situação de rua na cidade de São Paulo, mas os dados foram contestados pelo padre Júlio: "Esse número do censo, que custou um milhão de reais prá ser feito pela Fipe, não é real". O religioso argumentou: "Nós acreditamos que mais de 20 mil pessoas estão em situação de rua em São Paulo". 

O padre criticou as ações feitas em São Paulo e as chamou de ultrapassadas: "A prefeitura vê que as pessoas não vão ao albergue e não repensa os centros de acolhimento". Para ele, falta a participação das pessoas, sobretudo das que serão acolhidas, nesse processo: "Há uma sinalização muito forte de que as coisas têm que mudar".

O católico ainda criticou duramente o prefeito de São Paulo Fernando Haddad: "Ele é bastante receptivo, mas não conosco. A receptividade dele talvez seja seletiva". Júlio Lancelotti chamou a atenção para características das pessoas em situação de rua: "Se ele está sofrendo, nós temos que ouvir esse sofrimento". E ainda enfatizou: "Eles não são um número, eles são pessoas e pessoas têm contradições".

Sobre a proposta de instalação de tendas na região central quando a sensação térmica ficar abaixo de 13ºC, o religioso opinou que essa medida é uma resposta ao "atraso de não se ter uma programação para as frentes frias". 

O padre pediu, ainda, à sociedade para "não discriminar as pessoas que estão na rua" e fez críticas à população paulistana de um modo geral: "nós somos uma sociedade intolerante. Temos dificuldade em lidar com as pessoas mais difíceis". 

Sobre as ações da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que retiraria pertences e, inclusive, cobertores dos moradores de rua, Carlos Nambu esclareceu: "Levam colchão, levam cobertor. O Conselho repudia essa ação, porque ela é higienista". O padre Júlio também fez críticas à atuação da Guarda: "A GCM é para guardar o patrimônio". E recomendou: "A GCM tem que ficar longe do morador de rua. Não é questão da Guarda Civil". 

Carlos Nambu afirmou que o prefeito foi oficiado para a necessidade de uma política habitacional pois, segundo ele, essa foi uma demanda surgida dos moradores em situação de rua que participam das reuniões do Conselho Municipal de Assistência Social. 

(Arlindinho e Arlindo Cruz)

A atração musical do Mariana Godoy Entrevista foram os sambistas Arlindo Cruz e seu filho Arlindinho, que iniciaram a participação no programa com a canção "A Sós".

Depois da música, Arlindo falou um pouco sobre a carreira e sobre o ingresso no Grupo Fundo de Quintal, um dos maiores ícones do samba no país. Ele ainda recordou: "A primeira vez que entrei no estúdio foi pra tocar com o mestre Candeia". Arlindo ainda falou da tradição familiar com a música e revelou que o samba veio do berço: "As festas lá em casa não tinham vitrola". 

Mariana Godoy observou que Arlindinho emagreceu bastanter e ele revelou: "Eu perdi 58 kg". O músico contou que, apesar de muito jovem, já estava com problemas nas articulações e teve ajuda de um profissional para perder peso. 

Pai e filho interromperam a entrevista para apresentar a canção "Bom Aprendiz".

Ao ser questionado sobre as diferenças dos públicos que acompanham seus shows em todo o Brasil, Arlindo Cruz garantiu que não há tantas diferenças. Ele disse que é muito bem recebido em todo o país, mas revelou um grande carinho por São Paulo: "O público de São Paulo é o mais carinhoso comigo, com todo o respeito. O primeiro autógrafo que dei na vida foi em São Paulo. O paulista me ensinou a ser artista".

Arlindo não quis falar sobre o futuro do samba e, providencialmente, passou essa responsabilidade ao filho, que se esquivou: "É muito cruel ter uma comparação da nova geração com essa geração que já se consagrou". 

A dupla observou, entretanto, um detalhe: "Faltam meninas cantando samba". Arlindo afirmou que ele conhece grandes jovens sambistas da noite, mas cobrou mais espaço para elas". Ele e Arlindinho destacaram Teresa Cristina e Maria Rita, mas se mostraram ansiosos pelo surgimento de novas mulheres no samba.  

Arlindo Cruz e Arlindinho falaram sobre a expectativa para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro e tocaram um trecho de "Os Deuses do Olimpo Visitam o Rio de Janeiro".

Para encerrar essa participação musical no Mariana Godoy Entrevista, pai e filho tocaram um grande sucesso do samba: "Meu Lugar".

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