Mariana Godoy Entrevista

Sexta-feira, às 23h15
Mariana Godoy Entrevista

Eike Batista admite fracasso e diz que quitou dívidas com BNDES


Publicada:05/06/2015 23:59:00
Gustavo Gobbi/RedeTV!

Mariana Godoy e Eike Batista antes do programa (Foto: Fernanda Simão/RedeTV!)

O Mariana Godoy Entrevista desta sexta-feira (5) recebeu o executivo Eike Batista, para uma conversa sobre as perdas, ganhos e a vida pessoal de um dos homens mais importantes do cenário econômico recente do país.

Mariana começou a entrevista mostrando um vídeo do filme "O Exterminador do Futuro", com a popular frase "I'll be back" (Eu voltarei). Eike riu e disse: "i'm back" (estou de volta). A apresentadora quis saber sobre a hashtag #EikeTudoPeloBrasil, de pessoas que apoiam e acreditam em Eike. O empresário falou sobre a dificuldade que teve com o petróleo, principalmente na Bacia de Campos (RJ), local conhecido por sua alta taxa de sucesso de extração, mas que não funcionou para a companhia de Eike. "O setor privado quando faz, faz bem, mas não tem que achar petróleo. As nossas áreas não tinham a produtividade que esperávamos. Eu apostei demais no petróleo", analisou.

O jornalista Mauro Tagliaferri selecionou perguntas do Twitter enviadas através da hashtag #MarianaGodoyEntrevista, e um telespectador quis saber o que Eike tem a dizer para os investidores que apostaram em suas ideias e perderam dinheiro: "Eu fracassei. Eu apostei nessas áreas, a produtividade não era o que eu imaginava, e perdemos. Perdemos todos juntos. Mas o maior perdedor nessa história fui eu", respondeu.

Direto das ruas, o programa quis saber o que o povo sabe sobre a carreira do empresário. A percepção é de que Eike "era um rico que ficou pobre", e Mariana quis saber se a afirmação é verdade. O empresário disse que acertou as contas com todos quando soube do início da crise, e que já acertou inclusive suas dívidas com o BNDES. Eike diz que a informação de que ele deve R$ 10 bilhões a instituição não é verdadeira, e que o BNDES agiu como um repassador de dinheiro que foi assegurado por diversos bancos privados, o que garantiu a instituição governamental risco zero, já que os bancos iriam arcar com o prejuízo. "Parem com isso, eu não devo nada ao BNDES. A vocês contribuintes, i'm sorry (me desculpem), eu não devo nada", afirmou.

Questionado se teria vendido 'sonhos mentirosos' para seus acionistas, Eike disse que muitos de seus acionistas "ganharam muito" com as ações de seu grupo. Mariana quis saber mais sobre o "momento de virada" na vida de luxo que Eike estava acostumado a viver. "Se você tem a consciência de que fez a coisa certa e está falando a verdade… Foi um choque, mas tivemos consciência de que a justiça seria feita, e foi. Rapidamente a injustiça foi corrigida e tivemos nossos bens de volta". Eike ainda aproveitou para comentar o caso do juiz que usou seu carro de luxo para andar pelas ruas do Rio de Janeiro, e disse que se sentiu "violentado". 

Mariana aproveitou para mostrar algumas fotos de momentos familiares de Eike. Entre eles, um momento em sua infância brincado com um carrinho, e a foto com seus filhos todos juntos.

Eike Batista e Mariana Godoy no palco do programa (Foto: Fernanda Simão/RedeTV!)

Eike negou a informação de que teria recebido um "mapa do tesouro" de seu pai, Eliezer Batista, ex-presidente da companhia Vale do Rio Doce, que também estava envolvido na extração de minério. "Ele (Eliezer) nunca deixou ninguém chegar nem 10 quilômetros perto da empresa principal, muito menos das subsidiárias", revelou. O empresário também revelou a briga que teve com o pai, logo depois de ter se formado, quando os dois ficaram quase oito anos sem se falar.

Questionado sobre a qualidade dos projetos brasileiro, Eike foi crítico: "Eu não gosto de fazer puxadinho. Puxadinho me irrita, pois acho que o Brasil tem muito isso. Tudo que se constrói dura um ano. O Brasil tem que se redesenhar nisso, as pessoas tem que ser responsáveis 10 anos pelo o que se faz. O projeto que se faz para durar 200 anos é o projeto que eu faço. Meus projetos não são 'PowerPoint'".

Mauro foi visitar o Porto do Açu, considerado um dos maiores legados da companhia de Eike Batista. A estrutura no Rio de Janeiro teve os projetos iniciados há 7 anos, e tem 90 quilômetros quadrados que podem receber 40 navios cargueiros simultâneamente. Hoje, 6 mil trabalhadores estão no local, nas mais diversas funções.

Eike aproveitou a matéria sobre o Porto do Açu, que o empresário revelou ter investido R$ 6 bilhões, para explicar seu ressentimento com a ideia de que seria um empresário de "PowerPoint", programa de slides geralmente utilizado para apresentações. O termo significa que Eike seria melhor vendedor do que realizador, algo que magoou muito o empresário.

Questionado por Mariana se se arrependeu das declarações vitoriosas após o escândalo sobre suas finanças estourar, Eike negou e disse que não tem ressentimentos. O empresário ainda aproveitou para negar que possui uma dívida de US$ 1 bilhão e anunciou que vai "começar de novo. Já estou começando de novo". Para botar fim aos boatos de que estaria 'quebrado', Eike fez uma analogia com o manual da fábrica de luxos Rolls-Royce e afirmou que a quantia que tem em sua conta hoje é "suficiente".

Eike disse que se sente injustiçado com a quantidade de notícias negativas relacionadas ao seu nome, mas afirmou que não sente nenhum desejo de deixar o Brasil. O executivo aproveitou para refutar qualquer ideia de que seria um "empresário do PT", e que teria sido favorecido pelo governo Lula e pelo Partido dos Trabalhadores, e cravou: "Sou um empresário do Brasil". 

Eike Batista explicou polêmica envolvendo ovo 'milionário' (Foto: Fernanda Simão/RedeTV!)

Mariana quis saber se alguém tem dívidas com Eike, mas o empresário 'driblou' rapidamente: "Ainda não pensei nisso".

Um internauta quis saber se Eike pensa em ser candidato a algum cargo político: "I don't know (eu não sei), quem sabe?", respondeu. Mauro quis saber sobre os processos que o empresário responde por manipução de dados, uso de informações privilegiadas, e outros casos que correm na Justiça, e o jornalista quis saber se Eike sabia que os poços de petróleo que ele tinha não possuiam tanto combustível quanto ele anunciou. Eike disse que achou que sua empresa iria produzir o que foi divulgado, e só quando o estudo final foi concluído é que foram divulgados os dados conclusivos sobre a extração do minério. O executivo disse que não optou por ouvir "os mais otimistas", apenas que escutou estudos de profissionais contratados na época. Em uma analogia com um capitão que fica com o navio que está afundando, Eike disse que "ficou até o final. Estou lá até hoje", definiu. "Tudo comigo é gigante. Tudo é extrapolado comigo de uma maneira superlativa", acusou.

O executivo disse que não pretende mais abrir nenhum capital de suas empresas na bolsa, apenas se criar "algo muito especial, muito grande". Um telespectador quis saber se a corrupção na Petrobras atrapalhou seus projetos, algo que Eike acredita que talvez isso tenha uma relação. "Não usei nenhuma dessas grandes empresas, as grandes empreiteiras envolvidas no escândalo. Então acredito que sim". Eike disse que preferiu não trabalhar com as grandes empreiteiras envolvidas no escândalo da Operação Lava Jato, e preferiu trabalhar com companhias internacionais e entidades brasileiras menores.

Mariana perguntou para o empresário como está a situação do Hotel Glória, marco arquitetônico do Rio de Janeiro. "Vai ser, se Deus quiser, um hotel cinco estrelas com localização especial", mas negou que o projeto fique pronto para as Olímpiadas de 2016. "Vou entregar quando estiver pronto".

Em momento descontraído, Eike disse que não gosta de ser comparado com o executivo norte-americano Donald Trump, e comentou que admira o empresário Elon Musk, que comanda a empresa de carros elétricos Tesla Motors e a companhia SpaceX.

Eike disse se sentiu atacado por pessoas que irritou com seus projetos, como a tentativa de "esconder" o Porto do Açu, um projeto grandioso que pouca gente conhece. "As termoelétricas no Ceará são enormes, inacreditáveis. Eu não faço propagandas em jornais… Se você está construindo a coisa certa, você tem que apostar que o cliente vai vir pela eficiência", decretou.

Apesar das dificuldades, Eike disse que não sofre de depressão, mesmo após tantas perdas, e, em mais uma analogia, disse que quer "continuar pintando", como um pintor que não deixa nunca de pintar.

Para o bloco final, o programa recebeu a banda Mr. Johnny Beatles Cover, que toca os sucessos da trupe britânica The Beatles, para uma apresentação da música "I'll Be Back", novamente em referência ao retorno de Eike para o mundo executivo.

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Participações

Na semana passada, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi o convidado do programa. O político petista falou sobre a polêmica das ciclovias e negou pensar em reeleição por enquanto.

O ministro da Previdência, Carlos Eduardo Gabbas, também foi entrevistado em uma das edições do "Mariana Godoy Entrevista". O ministro garantiu que a previdência "não vai quebrar" e defendeu o corte no Orçamento anunciado pelo governo Dilma.

Na semana anterior, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), foi o convidado do "Mariana Godoy Entrevista". Além de falar pela primeira vez sobre a morte do filho mais novo, Thomaz, Alckmin descartou um rodízio de água na capital paulistaadmitiu o aperto do metrô de SP e disse ter certeza de que a greve dos professores é manobra política.

Na estreia, Mariana Godoy recebeu o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB). No palco, ele defendeu a redução da maioridade penal, o parlamentarismo, disse que não mistura política e religão e surpreendeu tocando bateria.

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