Pai de jovem morto pela PM em Paraisópolis contesta absolvição: "Executaram meu filho sem motivo"
Gabrielly Mendes / Redação RedeTV!Imagens de câmeras corporais mostram Igor Moraes desarmado e com as mãos erguidas momentos antes de ser baleado

Foto: Reprodução/Polícia Militar
O pai de Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, morto durante uma operação da Polícia Militar em Paraisópolis, na Zona Sul de São Paulo, desabafou sobre a morte do filho após a absolvição dos dois policiais acusados de efetuar os disparos.
Em entrevista exclusiva ao RedeTV! Notícias, Magno de Morais Santos afirmou esperar que o caso tenha um julgamento justo e contestou a versão de que os agentes teriam atirado por acreditar que o jovem estava armado.
“Espero que a verdade seja mostrada (...). Eles tiveram tempo suficiente para ver se meu filho estava armado e prender ele. Executaram meu filho sem nenhum motivo. É destruidor”, disse.
Igor foi morto em julho do ano passado, durante uma operação da Polícia Militar contra o tráfico de drogas na comunidade de Paraisópolis. Segundo a investigação, o jovem foi encontrado dentro de uma casa e não estava armado.
Novas imagens das câmeras corporais dos policiais, exibidas durante o julgamento dos agentes, mostram Igor com as mãos erguidas momentos antes de ser baleado. As gravações se tornaram um dos principais elementos do processo e passaram a ocupar o centro da discussão sobre a legalidade da ação policial.
Nas imagens, o jovem aparece se levantando, atendendo às ordens dos policiais e mantendo as mãos para cima. Em seguida, são efetuados os disparos.
Outro trecho registra a reação dos agentes logo após os tiros. Ao perceberem que as câmeras corporais continuavam gravando a ocorrência, um dos policiais vira o equipamento em direção à parede, enquanto outro cobre parcialmente a lente.
Para a acusação, a conduta indica uma tentativa de impedir o registro dos momentos seguintes à abordagem.
As gravações também mostram que, após os disparos, os policiais permanecem no local enquanto Igor está caído no chão. Segundo o Ministério Público, a sequência das imagens contradiz a versão de que havia uma ameaça iminente à vida dos agentes.
A defesa, por outro lado, sustentou que a decisão de atirar foi tomada em uma fração de segundos, diante da percepção de que Igor poderia estar armado.
Os policiais Renato Torquato da Cruz e Robson de Lima foram denunciados por homicídio qualificado e ficaram presos preventivamente por cerca de um ano. Outros dois PMs também se tornaram réus, acusados de fraudar o registro da ocorrência e inserir informações falsas para justificar a ação policial.
Após três dias de julgamento, o Tribunal do Júri absolveu os dois policiais acusados pelos disparos. A maioria dos jurados acolheu a tese da defesa de legítima defesa putativa, quando uma pessoa age por acreditar estar diante de uma ameaça, ainda que posteriormente se constate que o risco não existia. O Ministério Público recorreu da decisão.
Confira a entrevista completa:
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