19/05/2026 20:57:00

Laudo aponta que criança torturada e acorrentada em casa morreu por desnutrição grave

Redação Rede TV!

Menino de 11 anos não estava matriculada na escola e vivia em cárcere há um ano

(Foto:Divulgação/Polícia Militar)

O laudo necroscópico apontou que o menino Kratos Douglas, de 11 anos, morreu de desnutrição grave e maus-tratos. O corpo dele foi encontrado acorrentado em 11 de maio dentro da casa em que morava com a família na Zona Leste de São Paulo. As informações são do g1. 

O pai da criança, Chris Douglas, de 52 anos, a avó paterna Aparecida Gonçalves, de 81, e a madrasta Camilla Barbosa Dantas Felix, 42, foram presos e indiciados por tortura com resultado morte. A Polícia Civil apurou que o sofrimento ocorria havia pelo menos um ano, com penas previstas de até 16 anos de prisão.

O delegado Thiago Bassi, do 50º Distrito Policial (DP), em Itaim Paulista, acompanha o caso. "Estamos convictos da participação dos três no crime de tortura", disse à imprensa o delegado Thiago Bassi, do 50º Distrito Policial (DP), Itaim Paulista.

Bassi informou que os indiciados habitavam o imóvel no Itaim Paulista havia um ano. Moradores da região relataram aos investigadores que desconheciam a presença do menor de idade no local.

"Falamos com diversos vizinhos e todos eles foram unânimes em dizer que a criança nem sequer era vista. A maioria deles disse que não sabia nem da existência da criança na casa."

O genitor admitiu em depoimento na delegacia que prendia o garoto com correntes sob a alegação de impedir fugas. A prisão em flagrante do investigado ocorreu na segunda-feira (11), data em que socorristas constataram o óbito na habitação.

O suspeito permanece detido preventivamente por ordem da Justiça. O homem negou agressões físicas contra o filho, mas os peritos identificaram lesões nas pernas compatíveis com tortura.

O secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, manifestou-se sobre as condições físicas constatadas no cadáver.

"Mais de um ano que esse menino... olha eu não vou mostrar essa imagem para ninguém, sabe quando você vê aquelas crianças desnutridas, magrinhas, que é só esqueleto? É o caso deste menino", disse Osvaldo Nico Gonçalves, secretário da Segurança Pública de São Paulo.

A avó paterna e a madrasta foram detidas por determinação judicial. A autoridade policial solicitou a prisão preventiva das duas investigadas e aguarda uma deliberação do Judiciário.

Em depoimento, as mulheres confirmaram que sabiam do cárcere, mas refutaram a coparticipação nos atos violentos. Elas alegaram que apenas alimentavam a vítima.

O responsável pelo distrito policial detalhou os argumentos apresentados pelas suspeitas para justificar o quadro geral da criança.

"Elas afirmam que tinham conhecimento do acorrentamento, mas alegam que ele fugia", falou Thiago. "E elas informaram que ele não ia à escola porque ao chegar à escola ele fugia, ficava vários dias fora de casa e depois retornava. E esse seria inclusive o motivo da desnutrição dele."

A delegada Ancilla Vega, titular do 50º DP, relatou que o estudante estava afastado do ambiente escolar desde o ano de 2024. Os registros apontam que a avó trouxe o neto da cidade de Bauru há um ano.

"A informação é de que a criança não estava matriculada. A avó veio com a criança de Bauru há um ano", disse a delegada Ancilla Vega, titular do 50º DP.

O corpo estava caído no piso de um dormitório quando foi descoberto. Os próprios familiares acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e o Corpo de Bombeiros alegando que o jovem sofria um mal-estar.

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