'Eu sou um escravo aqui dentro', declara tenente-coronel preso por feminicídio à Corregedoria
Redação/ RedeTV!Oficial da Polícia Militar nega assassinato da esposa e alega que companheira tirou a própria vida
(Fonte: Reprodução/ Redes Sociais)
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, declarou em interrogatório prestado à Corregedoria da corporação na terça-feira (2) que se sente um "escravo" no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo. O réu por feminicídio e fraude processual negou o crime contra a esposa e afirmou preferir a morte à prisão.
O oficial está preso desde 18 de março pelo assassinato da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, atingida por disparo na cabeça em fevereiro. Rosa Neto afirma que a companheira cometeu suicídio e nega ter alterado a cena do crime.
O depoimento foi obtido pelo colunista Alfredo Henrique, do portal Metrópoles, e confirmado pelo UOL. Durante a oitiva, o preso detalhou ter que realizar tarefas como faxina, busca de refeições e lavagem de louça, além de pedir permissão a praças mais antigas no raio.
"Eu sou um escravo aqui dentro. Eu falei isso para o Cel Komata porque existem as normas internas e existem as normas dos internos", declarou.
O investigado afirmou que o tratamento para oficiais é diferente por parte dos demais detentos, compostos majoritariamente por cabos e soldados. O militar disse ser ridicularizado por mensagens divulgadas pela imprensa e alegou sofrer cobranças de policiais que já fiscalizou na carreira.
"Porque o que eu tô passando aqui só Deus sabe. Eu preferia estar morto do que estar preso aqui. E ontem eu fiquei na sala do coronel Komata conversando com ele durante uma hora e meia, foi uma hora chorando, porque eu tô aqui desesperado. Entendeu? Então, só Deus sabe a pena que eu tô cumprindo aqui. E eu não pratiquei nenhum crime. Fora o sofrimento pela perda da minha esposa", disse.
Rosa Neto alegou que a vivência de 35 anos na Polícia Militar não o preparou para a cena da morte da esposa. "Foi a cena mais traumática que eu vi na minha vida. Eu nunca tinha participado de uma situação assim e eu tenho 35 anos de polícia. Eu nunca vi uma cena tão traumatizante, ó meu Deus."
A Secretaria da Segurança Pública de Estado de São Paulo informou que a unidade prisional adota a igualdade de tratamento entre todos os detentos, independentemente do posto ou graduação ocupados na corporação.
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