Cearense que teve mãos decepadas após tentativa de feminicídio reaprende a mexer no celular com os pés
Redação Rede TV!A habilidade surgiu 15 dias após a paciente passar por uma cirurgia de 12 horas para o reimplante dos membros superiores

Foto: Reprodução/Redes sociais
A jovem Ana Clara Antero de Oliveira, de 21 anos, aprendeu a utilizar o telefone celular com os pés no Hospital Instituto Doutor José Frota, em Fortaleza, onde se recupera de uma tentativa de feminicídio. O crime ocorreu no município de Quixeramobim, no interior do Ceará. As informações são do g1.
A nova habilidade surgiu 15 dias após a paciente passar por uma cirurgia de 12 horas para o reimplante dos membros superiores. A evolução clínica da cearense tem surpreendido os familiares e é acompanhada por psicólogos e assistentes sociais.
De acordo com o padastro da vítima, José Airton Firmino, a jovem recupera gradualmente os movimentos dos dedos. "A Ana Clara cada dia que passa vem surpreendendo a gente com a evolução. Ontem [15 de maio] foram trocados os curativos da mão dela e antes disso ela apreendeu a usar o celular com os pés", disse José Airton.
A internauta utiliza os membros inferiores para navegar nas redes sociais, onde soma mais de 30 mil seguidores. Na plataforma digital, a paciente agradeceu pelo apoio recebido e compartilhou informações sobre o andamento do caso.
As investigações da Polícia Civil apontam que a agressão foi executada com uma foice por Evangelista dos Santos, sob ordens do irmão dele, Ronivaldo dos Santos, que era companheiro da vítima. O casal, que convivia em união estável há dois anos, discutiu na noite do crime após ingerir bebidas alcoólicas.
Câmeras de segurança registraram o momento em que a jovem atingiu o veículo do parceiro com uma pedra e foi perseguida por ele em via pública. Cerca de 20 minutos depois, o homem retornou de carro acompanhado do familiar para cometer o atentado.
O agressor pulou o muro da residência e recebeu a arma do irmão antes de invadir o local pela janela. O primeiro golpe decepou a mão direita da moradora, enquanto os ataques seguintes deixaram o membro esquerdo semi-amputado e geraram lesões graves nas pernas, ombros e cotovelos.
O socorro foi acionado por vizinhos que ouviram os pedidos de ajuda. Desde a internação, a cearense passou por procedimentos cirúrgicos para reimplante das mãos, recomposição de um tendão cortado na perna e substituição de uma artéria do braço.
Os suspeitos foram presos no mesmo dia do crime com o auxílio do pai da dupla, Raimundo Nonato Acioli dos Santos. O genitor indicou a localização dos filhos aos policiais militares após receber mensagens de Ronivaldo afirmando que Evangelista teria matado a companheira.
A captura de Evangelista ocorreu em Quixeramobim, onde foram apreendidos o chinelo, as roupas e a foice utilizados na ação, todos com marcas de sangue. Já o parceiro da vítima foi localizado no Sítio Cajazeiras, na cidade vizinha de Madalena.
Mensagens obtidas com autorização judicial revelaram que os envolvidos planejavam fugir após o crime. Nos diálogos, Evangelista solicitou o envio de R$ 1.000 para sumir, enquanto o mais velho demonstrou preocupação apenas com as punições legais do caso.
Em áudio enviado ao irmão, o companheiro da vítima criticou o nível de violência empregado no ataque. "A culpa toda vai subir pra mim. Eu que tenho que sumir do mapa, [tu] se faz de doido é? Loucura que tu fez isso aí, era só ter dado umas mãozadas nela pra ela respeitar as cara [...] Como é que vou mandar [dinheiro], se tudo vai sobrar é pra mim", afirmou Ronivaldo.
Em depoimento oficial, Evangelista confessou a autoria das agressões e relatou que agiu motivado pelos gritos do irmão no local. Ele declarou que abandonou a casa por acreditar que a cunhada já estivesse morta.
O ex-companheiro alegou que não se lembrava de detalhes por estar sob efeito de álcool. O investigado argumentou que o motivo da briga inicial foram transferências bancárias feitas pela mulher da conta dele para a dela.
Os réus estão detidos em uma unidade prisional em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza. O Ministério Público do Estado do Ceará denunciou a dupla por tentativa de feminicídio e estipulou o pedido de uma indenização de R$ 97 mil para a vítima.
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