Argentina acusada de racismo relata "desespero e angústia" após audiência no Rio de Janeiro
Redação RedeTV!Imagens de segurança confirmam sons e gestos de macaco proferidos contra funcionário
(Foto: Reprodução/Redes Sociais)
A advogada argentina Agostina Páez declarou sentir angústia e desespero após prestar depoimento à 37ª Vara Criminal do Rio de Janeiro em audiência realizada na última terça-feira (24). A ré responde pelo crime de injúria racial contra funcionários de um bar em Ipanema, na Zona Sul da capital fluminense.
Durante a sessão, o Judiciário colheu o depoimento de sete testemunhas, sendo cinco de acusação e duas de defesa. A Justiça aprovou a inclusão de um assistente de acusação no processo, que terá cinco dias para apresentar alegações antes da prolação da sentença.
A defesa da estrangeira solicitou a revogação de medidas cautelares, como a retenção do passaporte e o uso de tornozeleira eletrônica. Os advogados afirmaram que a cliente pediu desculpas pessoalmente às vítimas durante o ato processual.
"Estou desesperada, sobrecarregada, sofrendo muito, não sei quanto mais vou sofrer aqui. Tenho cada vez menos esperança. Estou muito angustiada", afirmou Agostina Páez em entrevista ao canal de notícias LN+.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) manifestou-se contra a liberação da acusada para retornar à Argentina. O órgão argumenta que não há garantias de pagamento de indenização às vítimas caso ela deixe o território brasileiro.
A promotoria reiterou o pedido de condenação da advogada pelo crime de injúria racial. O episódio ocorreu em 14 de janeiro, motivado por uma suposta divergência no pagamento da conta do estabelecimento.
Imagens de segurança e registros em vídeo mostram a turista imitando gestos e sons de macaco em direção a um funcionário. A investigação aponta que ela utilizou o termo "mono", expressão em espanhol com conotação racista, após ser orientada a aguardar a conferência do consumo.
Em depoimento, a ré negou a intenção discriminatória e alegou que os gestos eram uma "brincadeira" direcionada às suas amigas. A argentina afirmou desconhecer que tal comportamento configurasse crime no Brasil e acusou funcionários de gestos obscenos.
A denúncia do MPRJ destaca que os relatos das vítimas são corroborados por testemunhas e pelo circuito interno de monitoramento. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro chegou a decretar a prisão preventiva da advogada, medida posteriormente revogada.
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