Tarcísio de Freitas critica 2º dia de greve na CPTM e mantém plano de contingência
Redação RedeTV!Sindicato cobra garantia de empregos por escrito; estado nega demissões

(Foto: Rogério Cassimiro/GESP/Divulgação)
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) voltou a criticar a paralisação nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) durante o segundo dia de greve nesta quarta-feira (5). A manutenção da medida foi decidida por metroferroviários que cobram a reestatização dos trechos concedidos ou garantias formais contra demissões relativas aos 4.700 empregados da estatal.
Para amenizar os transtornos no transporte público, o governo do estado de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo mantiveram esquemas especiais de contingência na capital paulista. O município voltou a suspender o rodízio municipal de veículos de passeio ao longo de todo o dia.
Outras restrições de trânsito, como as regras para caminhões e veículos fretados, seguem mantidas na cidade. A gestão municipal também informou que consultas e exames de pacientes afetados nas unidades de saúde serão reagendados diretamente pelas equipes médicas.
As concessionárias privadas do sistema metroferroviário reforçaram a frota nos horários de pico e o número de orientadores nas estações. Os trechos sob gestão privada operam normalmente e com monitoramento do Centro de Controle Operacional (CCO) para ajustes de frota.
A paralisação prossegue após o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil rejeitar o encerramento do movimento em assembleia. A entidade de classe alega a ausência de um documento formal assinado que assegure a estabilidade dos trabalhadores envolvidos no processo de transição.
"Diante da ausência dessa garantia, a assembleia da categoria decidiu manter a greve e convocou nova Assembleia Geral para esta quarta-feira, 5 de agosto, às 17h00, quando os trabalhadores voltarão a avaliar o andamento das negociações e os próximos encaminhamentos do movimento", diz a nota.
Por sua vez, o Poder Executivo estadual contesta a justificativa do movimento trabalhista e nega o encerramento de postos de trabalho na empresa pública. A administração estadual informa que o contingente de 4.648 empregados registrados em junho de 2026 está sendo redistribuído entre a Linha 10-Turquesa, o Metrô e outros órgãos do Estado.
"A justificativa apresentada pelo sindicato para sustentar o movimento não é verdadeira", diz o texto. "Não há demissões em curso decorrentes do processo de concessão. Dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; os demais funcionários estão contemplados no plano de realocação englobando Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos", diz o texto.
Em manifestação nas redes sociais, o chefe do Executivo paulista classificou o movimento paredista de ato com motivações político-partidárias.
“A aposta na baderna e na paralisia dos serviços não vai intimidar o governo, que esteve e seguirá aberto ao diálogo. Uma concessão é feita para melhorar os serviços, eliminar problemas de via permanente, trazer trens novos, garantir estações mais acessíveis, eliminar falhas na via aérea de alimentação e nas subestações, estender as linhas até Bonsucesso ou até César de Souza e dar mais confiança ao sistema”, afirmou.
“A greve de hoje é resultado unicamente de instrumentalização política para prejudicar o passageiro e o cidadão de bem, que já não suportam mais ver justamente aqueles políticos que dizem defender os seus interesses atuando para ferir seu direito de ir e vir”, disse.
O gestor estadual argumentou ainda que o movimento ignora decisões judiciais e compromissos anteriormente pactuados sobre o quadro de pessoal.
“Negociações aconteceram, garantias de manutenção de emprego foram dadas e descartadas pelo sindicato, que não só ignorou a proposta do governo, como também, mais uma vez, ignora a decisão da Justiça do Trabalho”.
“Não vamos permitir que o cidadão seja refém, que seja usado mais uma vez como instrumento de pressão. Não é por acaso que determinados eventos ocorram em ano de eleição. Seguiremos em frente e, não custa lembrar, as linhas concedidas estão operando normalmente”, declarou.
A transferência da operação dos três ramais para a concessionária Trivia Trens ocorreu após leilão realizado em março do ano passado. A operação assistida começou em maio, com a transição completa efetivada no mês de julho.
Após falhas operacionais na reabertura e um incêndio em um vagão da Linha 12-Safira registrado em 23 de julho, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) determinou o retorno emergencial da CPTM ao comando dos serviços por 90 dias.
Nota do Governo:
"Após um dia inteiro de transtornos à população da capital e da Grande São Paulo, a decisão do sindicato de manter a greve nas Linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade é injustificável. O Governo do Estado de São Paulo manifesta sua absoluta reprovação à continuidade de uma paralisação que, sob o pretexto de defender interesses da categoria, impõe graves prejuízos a quase 1 milhão de passageiros que dependem diariamente do transporte ferroviário para trabalhar, estudar e acessar serviços essenciais.
Os impactos da greve extrapolaram o sistema ferroviário e comprometeram a mobilidade de toda a maior região metropolitana da América Latina. A paralisação levou à suspensão do rodízio municipal de veículos na capital e contribuiu para o registro de 720 quilômetros de congestionamento no período da manhã, penalizando milhões de paulistas.
A justificativa apresentada pelo sindicato para sustentar o movimento não é verdadeira. Não há demissões em curso decorrentes do processo de concessão. Dos 4.648 funcionários empregados em junho de 2026, 2.171 seguem na Linha 10-Turquesa; os demais funcionários estão contemplados no plano de realocação englobando Metrô, Artesp, Arsesp e outros órgãos.
Ao insistir na paralisação, o sindicato evidencia que sua motivação ultrapassa qualquer reivindicação trabalhista e se concentra na defesa da reestatização de serviços concedidos, conferindo caráter eminentemente político ao movimento. Além disso, a decisão do Tribunal Regional do Trabalho que determinava a manutenção de 80% do efetivo nos horários de pico foi desrespeitada, uma vez que a CPTM operou com apenas 53% dos funcionários no período de maior demanda da noite, agravando ainda mais os prejuízos impostos à população.
A CPTM e o Metrô voltarão a executar o plano de contingência e reforçarão a operação do sistema de transporte para reduzir os impactos à população durante este segundo dia de paralisação.
O Governo do Estado continuará adotando todas as medidas administrativas e judiciais cabíveis para assegurar a prestação do serviço público, responsabilizar os envolvidos pelo descumprimento das determinações judiciais e garantir a proteção do direito de ir e vir dos cidadãos."
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