21/07/2026 12:38:00 - Atualizado em 21/07/2026 12:39:00

Setor de máquinas se opõe a retaliação aos EUA e cobra saídas diplomáticas do governo

Redação RedeTV!

Entidade se reuniu com governo federal e defendeu expansão de crédito e diplomacia

(Foto: Júlio César Silva/MDIC)

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, declarou nesta terça-feira (21) que a entidade é contrária à aplicação de reciprocidade tarifária contra os Estados Unidos. A manifestação ocorreu após reunião com o vice-presidente Geraldo Alckmin e integrantes dos ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, que buscam alternativas para amenizar os impactos das novas barreiras comerciais americanas.

O dirigente da entidade defendeu o fortalecimento do diálogo entre as nações para resolver o impasse econômico.

"A reciprocidade não é tão simples. Não somos favoráveis. Temos que continuar pela via diplomática e empresarial"

Além da via diplomática, o representante do setor solicitou a expansão das linhas de crédito do programa Brasil Soberano, direcionado às empresas atingidas, e a busca por novos mercados consumidores. O empresário destacou que, apesar da taxa de 25% imposta pelo governo americano, a indústria registrou alta de 12% nas vendas externas nos últimos 12 meses, atingindo patamar recorde de exportações.

O especialista explicou que a tarifa individual traz prejuízos diretos às empresas brasileiras que disputam o mercado com a produção local dos Estados Unidos e com concorrentes internacionais.

"Quando a tarifa é aplicada apenas ao Brasil, nossos produtos ficam mais caros e perdem competitividade em relação aos concorrentes internacionais"

Segundo Velloso, o cenário difere de sobretaxas gerais de 12,5%, em que todos os países exportadores enfrentam as mesmas condições de mercado.

"Quando a tarifa é para todos, o Brasil perde menos competitividade em relação aos outros fornecedores. O problema maior é quando a taxa é específica para o Brasil"

Para conter os efeitos da medida, iniciada após investigação comercial dos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a entidade aposta na diversificação de compradores.

"Do ponto de vista econômico, não deveria haver tarifaço. Existe um componente político, e o que vai resolver isso é a diplomacia do Estado e a diplomacia empresarial"

O governo federal prometeu analisar as reivindicações da indústria, enquanto avalia a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica frente às novas tarifas americanas que entram em vigor nesta quarta-feira (22).

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