Rio Grande do Norte registra alta em casos de ciguatera e acende alerta na saúde pública
Redação RedeTV!Mulheres e adultos entre 20 e 59 anos são o perfil mais afetado pela doença

(Foto: Pixabay)
A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte registrou um aumento de 60,2% nos casos de ciguatera no primeiro semestre de 2026. Até o dia 11 de junho, o órgão de saúde notificou 141 ocorrências da intoxicação alimentar no território potiguar. O índice supera os 88 casos computados em todo o ano anterior.
A ciguatera é uma intoxicação causada pelo consumo de peixes contaminados pela ciguatoxina. Segundo a Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica, essa neurotoxina é invisível e não altera o sabor do alimento. Processos como congelamento, cozimento ou salga não eliminam a substância.
Desde o ano de 2022, o estado do Rio Grande do Norte acumula 259 casos notificados da doença distribuídos em 46 surtos. Desse total, o sistema oficial de saúde confirmou 113 infecções e registrou dois óbitos.
O mapeamento da vigilância estadual aponta que 64% das contaminações ocorrem em ambientes domésticos. O restante dos episódios, correspondente a 36%, é registrado em restaurantes e estabelecimentos comerciais.
A espécie de peixe Bicuda é apontada como a principal transmissora da toxina, respondendo por 45,13% dos casos confirmados. Outras espécies associadas ao surto incluem a Arabaiana, o Dourado e a Cioba.
O perfil das vítimas indica maior incidência entre as mulheres, que representam 59,3% dos registros históricos. A faixa etária predominante abrange adultos de 20 a 59 anos de idade, com 61,95% das ocorrências.
A capital, Natal, centraliza 52,21% de todas as notificações registradas no Rio Grande do Norte. Os municípios litorâneos de Touros, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz completam a lista de cidades afetadas.
Os primeiros sinais clínicos da intoxicação surgem até 48 horas após a ingestão e incluem dores abdominais, vômitos e diarreia. Sintomas neurológicos, como coceira intensa, dormência de extremidades e inversão térmica de sensações, podem persistir por anos.
Em quadros mais severos, os pacientes desenvolvem complicações cardiovasculares graves. Essas condições incluem episódios recorrentes de pressão arterial baixa e redução drástica dos batimentos cardíacos.
A pasta de saúde orienta a população a buscar atendimento médico imediato e a identificar o pescado consumido em caso de sintomas. Sobras do alimento devem ser congeladas para análise da Vigilância Sanitária.
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