18/07/2025 13:45:00 - Atualizado em 18/07/2025 13:45:00

Quando o São João pulsa em São Paulo: os bastidores invisíveis do CTN que mantêm viva a festa junina

Gabriel Anjos sob supervisão de Caio Fonseca

O que o público não vê também faz a festa acontecer; confira as curiosidades

(Foto: Gabriel Anjos)

Bandeirinhas no alto, cheiro de milho assado no ar, o som do triângulo embalando o arrasta-pé. É junho e, no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), na zona norte de São Paulo, tudo parece magia. Mas por trás de cada passo de forró, prato de canjica ou selfie diante da fogueira cenográfica, há uma engrenagem silenciosa que começa a se mover muito antes da primeira quadrilha.

Enquanto os visitantes celebram com alegria, um exército de trabalhadores anônimos, montadores, costureiras, técnicos, cozinheiros e artistas, atua nos bastidores para que a tradição nordestina brilhe em solo paulista. São eles que garantem que a cultura popular siga viva e vibrante, conectando migrantes e descendentes às suas raízes e aproximando paulistanos da força e beleza do São João. Este é um olhar para o que ninguém vê, mas que faz toda a diferença na maior festa junina da capital.

Mas quem são essas pessoas que mantêm a tradição acesa longe dos holofotes?

Entre elas, histórias de vida se misturam ao forró, aos aromas da cozinha nordestina e às lembranças da terra natal.

Uma dessas pessoas que fazem esse show acontecer é Nazaré Fontoura, que veio de Santo Antônio de Salto da Onça (RN) e começou no CTN graças a uma tia que morava na cidade. Com 42 anos de São Paulo nas costas, ela se considera “mais paulista que potiguar”.

Para ela, o CTN não é apenas trabalho, mas um refúgio para matar a saudade da terra natal: “Eu nem sinto tanta falta de lá porque convivo aqui. É muito bom, maravilhoso. Um pedacinho do Nordeste pra gente matar a saudade”, falou Nazaré ao Diário do Nordeste.

Outro personagem é Vicente “Chapéu de Couro” Nonato Silva, que atua no CTN desde 1991. Especializado no famoso Super Baião, seu restaurante fica tão cheio aos finais de semana que forma filas de espera.

Sua equipe chega a preparar 400 kg de carne de sol por final de semana: “Meus mestres são Deus, o fogão, a boa vontade e a curiosidade…”, disse ele ao Notícias Brasil.

A paixão desses trabalhadores é o motor que move a festa. Mas, além das histórias individuais, existe toda uma estrutura organizacional por trás desse espetáculo.

(Foto: Gabriel Anjos)

Mergulho na cultura

Para revelar os bastidores invisíveis da festa junina, o portal da RedeTV! conversou com a presidente do CTN, Christiane Abreu, que detalhou os preparativos, desafios e significados por trás de uma das épocas mais aguardadas do ano.

“A tradição junina é algo muito importante não só para mim, mas para toda a família CTN, que se engaja para deixar uma boa memória afetiva nos que nos procuram nessa época. É uma oportunidade para que muitos nordestinos que moram em São Paulo revivam as lembranças daquela que é a melhor época do ano. Mate a saudade das comidas de milho, do calor da fogueira, das quadrilhas e do forró”, iniciou Abreu.

A estrutura que sustenta essa celebração começa a ser preparada com bastante antecedência. “A pré-produção já se inicia no mês de março, quando organizamos todos os parceiros e fornecedores de infraestrutura. A montagem começa em maio, um mês antes da abertura. Uma área externa é construída especialmente para o evento. O desafio é conciliar o funcionamento normal dos finais de semana com a operação de montagem do São João durante a semana. Mas, com um bom planejamento, conseguimos dar conta da operação”, explicou Christiane.

Além disso, segundo a presidente do CTN, mais de 600 pessoas estão envolvidas na realização da festa, entre elas:

Montadores

Equipe operacional

Marketing

Artistas

Seguranças

Bombeiros

Cozinheiros

Garçons

Diversos empregos diretos e indiretos

(Foto: Gabriel Anjos)

Pontos altos da festa

Um dos grandes destaques do São João do CTN, segundo Christiane, é o resgate de tradições que pareciam esquecidas: “Eu acho que estamos vivendo um resgate das tradições juninas, e a festa ganha mais espaço no calendário de eventos do Brasil inteiro. Certamente a venda e o uso de camisas xadrez e jeans se intensificam nesse período”.

O crescimento da visibilidade da festa também é percebido por quem a organiza. “O consumo de festa junina cresceu na cidade de São Paulo. Estamos na 9ª edição e sentimos que evoluímos muito de lá para cá. Construímos parcerias com o poder público e a iniciativa privada para realizar o São João de Nóis Tudim. É sinal de que o mercado está atento a essa demanda”, avaliou.

Entre os sabores que marcam presença todos os anos, um deles carrega mais do que apenas uma tradição. “O prato carro-chefe do CTN, com certeza, é o baião de dois. A história do CTN se confunde com esse prato. Ele é o mais servido ao longo desses 34 anos. Existem 11 restaurantes no CTN que servem essa iguaria. No prato vai arroz, feijão verde, queijo coalho, carne seca e diversos temperos”, contou.

Apesar de todos os elementos visíveis que encantam o público, há uma parte da história que ainda permanece desconhecida por muitos. “Para quem não conhece a história do CTN, eu apresentaria quem iniciou todo esse sonho: meus pais, José de Abreu e Cristina Abreu, os fundadores do CTN. Eles não estão mais aqui presentes, mas, de onde estiverem, estão felizes com o tamanho da festa”, finalizou Christiane.

(Foto: Gabriel Anjos)

Fique informado com a RedeTV!

- Clique aqui para entrar no nosso canal de notícias no WhatsApp

Clique aqui para acessar o Notícias RedeTV! no Youtube

Assista AO VIVO à programação da RedeTV!

Recomendado para você

Comentários