Policiais militares matam eletricista após discussão de trânsito em São Paulo
Redação RedeTV!Vítima tinha diagnóstico de autismo e trabalhava de forma funcional em São Paulo

(Foto: Reprodução/ PMSP)
O cabo da Polícia Militar Cauan Alencar Bastos afirmou que mataria o eletricista Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos, antes de descer da viatura e disparar contra ele na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães. Imagens da câmera corporal do agente contradizem o depoimento inicial dado pelos policiais à Polícia Civil.
Os registros da bodycam mostram que o militar verbalizou a intenção de cometer o homicídio ainda dentro do veículo oficial. O agente de segurança desembarcou do automóvel já realizando os disparos de arma de fogo.
O cabo efetuou seis disparos contra o eletricista, enquanto o soldado José Otávio Ribeiro atirou uma vez de dentro do veículo. As imagens revelam que a vítima não apresentou ameaça antes de ser atingida.
A aproximação dos policiais ocorreu após um motoboy relatar uma discussão de trânsito com o motorista, que supostamente portava uma faca. O condutor do veículo retornava de um serviço quando houve o desentendimento.
Em depoimento oficial, os PMs alegaram que o homem avançou contra a equipe e justificaram os tiros como reação a uma agressão. O baleado recebeu socorro na via pública, mas morreu no Hospital de Taipas com ao menos duas perfurações.
A Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar não se manifestaram sobre a frase proferida pelo cabo. A pasta informou apenas que os agentes foram encaminhados para avaliação psicológica formal.
A Corregedoria da Polícia Militar instaurou um inquérito próprio para apurar a conduta dos profissionais. Não há informações oficiais sobre o afastamento dos envolvidos por conta do relato falso.
Familiares informaram que o paciente tinha diagnóstico de autismo, TDAH e epilepsia desde os 8 anos. O profissional realizava tratamento medicamentoso constante e trabalhava de forma autônoma com pequenos reparos elétricos.
Parentes confirmaram que o homem portava uma faca no carro, mas relataram desconhecer o motivo do transporte. O eletricista enfrentava problemas pessoais nas semanas anteriores ao ocorrido no trânsito.
O sepultamento do cidadão ocorreu no Cemitério Dom Bosco, localizado na zona norte de São Paulo. O trabalhador não tinha cônjuge e não deixou filhos.
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