Polícia investiga se PCC ordenou morte de ex-delegado Ruy Ferraz
Ana Souza / Redação RedeTV!Executado com pelo menos 21 tiros, Ruy Ferraz Fontes foi uma das figuras centrais no enfrentamento ao PCC 
(Foto: Reprodução/Prefeitura Praia Grande)
O ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, foi executado com pelo menos 21 tiros na noite de segunda-feira (15), em Praia Grande, litoral sul de São Paulo. As investigações iniciais apontam que a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) pode estar por trás do crime.
De acordo com imagens de câmeras de segurança e testemunhas no local, o ataque aconteceu na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, nas proximidades do Fórum da cidade. Ruy Ferraz Fontes havia deixado a sede da Prefeitura, onde ocupava o cargo de secretário de Administração desde o início de 2023, quando foi perseguido por criminosos em uma caminhonete.
Ao tenta acessar a Avenida Doutor Roberto de Almeida Vinhas, o ex-delegado colidiu com um ônibus e o veículo capotou. Em seguida, três criminosos portando fuzis desembarcam da caminhonete e atiram diversas vezes. Ele morreu antes da chegada do socorro.
O crime está sendo tratado como uma execução premeditada. Uma força-tarefa foi criada pelas polícias Civil e Militar para apurar o caso. O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, classificou o assassinato como “brutal” e colocou apoio federal à disposição do governo estadual.
Ruy Ferraz Fontes foi uma das figuras centrais no enfrentamento ao PCC desde o início dos anos 2000, tendo participado da prisão de diversas lideranças da facção, incluindo Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola. Ele também esteve à frente da implementação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), medida considerada ofensiva pela cúpula do crime organizado, por impor isolamento severo a seus líderes.
Fontes estaria jurado de morte pela facção há quase duas décadas. Segundo o Ministério Público, ele escapou de diversas tentativas de atentado ao longo da carreira. A morte do ex-delegado é vista por promotores como a “terceira grande vingança” do PCC contra o Estado, após os assassinatos do juiz-corregedor Antônio Machado Dias, em 2003, e do diretor de presídio José Ismael Pedrosa, em 2005.
O promotor Lincoln Gakyia, também ameaçado pela facção e parceiro de Fontes nas investigações, afirmou que o ex-delegado “entendia como ninguém a estrutura e os métodos do PCC”. Ele destacou que a execução pode ser uma resposta à atuação contínua de Fontes no enfraquecimento da liderança do grupo dentro dos presídios paulistas.
Ruy Ferraz Fontes dedicou mais de 40 anos à Polícia Civil, tendo chefiado o órgão entre 2019 e 2022. Comandou departamentos estratégicos como o Deic, o Denarc e o Decap. Ao longo da carreira, foi alvo de ataques registrados oficialmente como tentativas de assalto, mas que agora passam a ser reavaliados à luz da nova investigação.
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