Morre Waldirene Nogueira, primeira mulher trans a passar por cirurgia de redesignação sexual no Brasil
Redação Rede TV!Natural de Lins (SP), Waldirene tinha 80 anos e morreu em decorrência de insuficiência respiratória aguda

Foto: Facebook/Reprodução
Morreu nesta terça-feira (19), aos 80 anos, Waldirene Nogueira, primeira mulher trans do Brasil a passar por uma cirurgia de redesignação sexual. O falecimento ocorreu no município de Ubatuba, localizado no litoral norte do estado de São Paulo, em decorrência de uma insuficiência respiratória aguda.
Waldirene vivia acamada na cidade litorânea. Segundo informações confirmadas pela família, ela recebia os cuidados diretos de um de seus irmãos.
O sepultamento da paulista nascida no ano de 1945 será realizado em sua cidade natal, Lins. O velório começa na manhã desta quarta-feira (20), a partir das 7h, e o enterro está previsto para as 17h no Cemitério da Saudade.
A idosa foi registrada como Waldir Nogueira. Em 1969, começou a receber o acompanhamento da endocrinologista Dorina Epps no Hospital das Clínicas de São Paulo.
O laudo que reconhecia a sua transexualidade foi emitido após dois anos de avaliações médicas e psicológicas. A operação pioneira aconteceu em dezembro de 1971, no Hospital Oswaldo Cruz, situado na capital do estado.
O procedimento foi conduzido pelo cirurgião plástico Roberto Farina e é considerado o primeiro do tipo no país. Depois da intervenção, a cidadã enfrentou uma longa batalha no âmbito judicial.
Ao tentar modificar os seus documentos oficiais, ela viu o médico responsável ser condenado a dois anos de reclusão por lesão corporal gravíssima. No ano de 1976, as autoridades a levaram de forma coercitiva ao Instituto Médico Legal.
Na instituição de segurança, ela passou por exames invasivos e foi fotografada nua. Mesmo diante da pressão sofrida, a paciente atuou ativamente na defesa do cirurgião plástico.
Nogueira reuniu cartas de apoio emitidas por autoridades e familiares para ajudar no processo do especialista. O pedido de alteração de seu nome civil foi negado inicialmente pelo Poder Judiciário.
A retificação na certidão de nascimento só foi obtida em 2010, quando ela já tinha 65 anos. O novo documento de identidade (RG) foi emitido no ano de 2011.
A paulista possuía formação técnica em contabilidade. Devido às divergências entre sua identidade de gênero e os registros civis, nunca conseguiu exercer a profissão. Ela trabalhou como manicure ao longo da vida e manteve uma rotina discreta.
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