09/09/2026 10:03:00 - Atualizado em 09/09/2026 10:04:00

Laudo pericial contesta versão de PM sobre morte da mulher em Embu das Artes

Redação RedeTV!

Marido alegava suicídio, mas trajetória do projétil afasta versão apresentada à polícia

(Foto: Reprodução)

O laudo necroscópico da técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, apontou 14 equimoses no corpo da vítima, morta com um tiro na cabeça no último domingo (6), em Embu das Artes, no estado de São Paulo. A jovem foi encontrada no banheiro da residência onde morava com o marido, o soldado da Polícia Militar Vinícius Costa Silva, de 26 anos, que está preso sob suspeita de envolvimento no caso.

A Justiça comum decretou a prisão do suspeito a pedido da Polícia Civil, e o agente foi encaminhado para o presídio Romão Gomes da PM, na capital paulista. O militar nega o crime e sustenta a hipótese de que a companheira tirou a própria vida.

O documento pericial descreve lesões arroxeadas distribuídas pelas mãos, pelos pés, pelos joelhos e pela perna esquerda da vítima. Entre as marcas registradas estão ferimentos no joelho direito, na lateral da mão esquerda e nos dorsos dos pés.

O relatório médico não determina quando ou de que maneira essas lesões foram produzidas. Por isso, a análise isolada das marcas não permite confirmar se decorreram de agressões, queda ou outra circunstância.

A perícia também identificou a presença de diversos fios de cabelo soltos grudados na calça da profissional, sem vestígios de sangue. O documento não especifica a origem dos fios nem como foram parar no vestuário.

A causa da morte foi atestada como traumatismo craniano decorrente de ferimento por arma de fogo. O laudo descreve o trajeto percorrido pelo disparo:

“Um projétil penetrou em região temporal esquerda do crânio e saiu na região temporoparietal direita, perdendo-se no meio ambiente. O vetor do trajeto foi de trás para frente e da esquerda para a direita.”

A análise preliminar dos peritos apontou que o tiro não foi feito à queima-roupa e atingiu a vítima pelas costas, acima da orelha esquerda, enquanto ela estava em pé. Como a jovem era destra, a trajetória do projétil reduziu a probabilidade de autogolpe, afastando a hipótese de suicídio.

A principal linha de investigação da polícia é de feminicídio. A arma do policial, uma pistola calibre .357, foi localizada debaixo do corpo e apreendida junto com coldre, carregador, munições e um estojo.

Em depoimento, o investigado afirmou que informou à esposa a intenção de se separar momentos antes do ocorrido. Ele relatou que foi dormir no quarto após a conversa e acordou com o barulho do disparo, encontrando a mulher caída no banheiro.

A irmã do PM estava na residência e confirmou ter ouvido o diálogo sobre o término do casal. O filho das partes, de 2 anos, também estava no imóvel.

A Justiça manteve a prisão temporária do autuado pelo prazo de 30 dias, e seu telefone celular foi apreendido para perícia. A investigação aguarda o resultado do exame toxicológico e agendará a reprodução simulada dos fatos.

A defesa do suspeito declarou que o cliente confia que os elementos documentais e periciais esclarecerão a dinâmica dos fatos. Em nota, os advogados afirmaram:

“jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa”

A defesa sustentou ainda a existência de mensagens nas quais a mulher teria expressado a intenção de tirar a própria vida caso o casamento terminasse. A família da vítima contesta a versão e afirma acreditar na hipótese de feminicídio.

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