Invasões virtuais e ataque hacker: o que você precisa saber para não ser enganado
Pedro Brum com supervisão de Caio HenriqueRecentemente, o ‘maior ataque hacker ao sistema financeiro brasileiro’ gerou dúvidas na população
(Foto: freepik)
Em tempos de hiperconexão, a internet se tornou um terreno fértil tanto para o compartilhamento de informações quanto para a disseminação de golpes e fake news. Ataques hackers estão cada vez mais sofisticados, colocando em risco dados pessoais, contas bancárias e até a reputação de pessoas e empresas.
Recentemente, houve o ‘maior ataque hacker ao sistema financeiro brasileiro’ deixou grande parte da população em alerta. No caso, João Nazareno Roque, de 48 anos, está sendo investigado sob suspeita de fornecer login e senha para criminosos acessarem os sistemas da C&M Software, empresa que presta serviços essenciais para o funcionamento do Pix.
O suspeito teria recebido R$ 15 mil pelo acesso ilegal, ocorrido na madrugada do dia 30 de junho, quando criminosos utilizaram suas credenciais, cedidas por ele, para acessar “contas reservas” usadas para transferências entre bancos. Entre as instituições afetadas estão o Banco BMP e o Banco Paulista, que garantiram que os recursos dos clientes não foram comprometidos.
Roque, que trabalhou por 20 anos como eletricista, ingressou na área de tecnologia em 2020 e atua na C&M há três anos, com um salário acima do piso da categoria, recebendo mensalmente R$ 3.003,27. Segundo a Polícia Civil, ele foi abordado pelos infratores em março e se “sentiu seduzido” pela proposta dos criminosos, alegando não saber as consequências.
O caso expôs fragilidades que vão além da conduta individual de Roque, levantando questionamentos sobre os métodos utilizados pelos criminosos para acessar sistemas internos.
A C&M Software afirmou não ser responsável pelo incidente, destacando que o acesso indevido ocorreu por meio de engenharia social para obtenção de credenciais, e não por falhas técnicas. A empresa reforçou as medidas de segurança e colabora com as investigações. A Polícia Federal abriu inquérito para apurar crimes como furto mediante fraude, invasão de dispositivo e lavagem de dinheiro.
Diante desse cenário, surge uma dúvida comum entre muitos brasileiros: como evitar ser vítima de crimes digitais? Para esclarecer os principais riscos no ambiente digital, entrevistamos Lucas Suzano Guerino, com experiência na área de cibersegurança pela empresa Netglobe, além de estudante de Sistemas de Informação da PUC-Campinas.
Pontos comuns dos hackers
Assim como todos nós temos manias e padrões, os hackers também têm seus métodos e estratégias comuns para invadir dispositivos pessoais. Lucas destacou as formas mais utilizadas para isso, e dentre elas, o Phishing:
O que é o Phishing?
* Técnica de golpe cibernético usada para enganar e obter informações pessoais e confidenciais
Como o Phishing acontece?
* Através de e-mails, mensagens de texto (SMS/WhatsApp) ou ligações telefônicas
* Os golpistas se passam por bancos, empresas conhecidas ou até contatos próximos da vítima
Qual o objetivo dos criminosos?
- Fazer com que a vítima:
* Clique em links maliciosos
* Forneça dados sensíveis, como senhas, códigos de autenticação ou dados bancários
Como se proteger:
* Desconfie de mensagens com senso de urgência ou erros de português
* Não clique em links suspeitos
* Verifique o remetente e, em caso de dúvida, entre em contato diretamente com a instituição oficial
Segundo o especialista, a importância dos cuidados básicos no dia a dia para se proteger desses ataques “é sempre desconfiar da mensagem. Verificar o remetente de um e-mail ou mensagem, e NUNCA clicar em links suspeitos.”
Caso seja realmente necessário clicar em um link, Lucas recomenda uma verificação prévia como medida de segurança: “Caso seja necessário clicar em um link, passe o mouse sobre o link (sem clicar) para ver o endereço real para o qual ele aponta. Se o endereço parecer estranho ou não corresponder ao que o texto do link diz, não clique!”, explicou.
Além desse cuidado com os links, ele destacou outros pontos importantes que merecem atenção. Entre eles, está a chamada engenharia social, um dos métodos mais utilizados por cibercriminosos para enganar suas vítimas. Segundo Guerino, trata-se de manipulações que exploram o medo ou a urgência para induzir ações precipitadas, com mensagens como:
* Conta será bloqueada;
* Detectamos uma compra suspeita;
* Você ganhou um prêmio.
Outro ponto levantado por Lucas foi o uso de redes Wi-Fi públicas, muito comuns em locais como cafés, shoppings e aeroportos. Ao ser questionado sobre a segurança dessas conexões, ele foi direto: “Não. Encare toda rede pública como hostil, seja em cafés, aeroportos, shoppings, praças. A conveniência esconde riscos significativos.”
Ainda de acordo com o especialista, entre as principais formas de proteção recomendadas, ele destacou a autenticação em dois fatores como uma medida essencial para garantir maior segurança nas contas online.
ATENÇÃO: Hábitos simples que ajudam a evitar golpes virtuais:
• Desconfiar de mensagens urgentes ou ofertas boas demais para ser verdade;
• Manter softwares atualizados;
• Não clicar em links suspeitos (evitar links sempre que possível).
Orientações caso ocorra
Em casos mais graves, como infecção por vírus ou ataque hacker, ele orientou sobre os primeiros passos que devem ser tomados: “Desconecte imediatamente o dispositivo da internet (essa é a ação mais importante) e, se possível, mantenha o aparelho ligado. Também é fundamental registrar uma denúncia na Polícia Civil ou na Delegacia de Crimes Cibernéticos do seu estado”, disse Lucas.
“O antivírus realmente funciona. Para um usuário comum, a solução de segurança nativa do Windows, o Microsoft Defender, é uma ótima opção e, em muitos casos, suficiente”, reforçou.
Durante a entrevista, o especialista também comentou o impacto da desinformação nos ataques cibernéticos, ressaltando o papel das fake news: “A desinformação facilita golpes. Promoções falsas, campanhas de doações inexistentes ou até servir para esconder arquivos ou links maliciosos.”
Por fim, Lucas fez um alerta importante: embora não exista uma proteção totalmente eficaz contra ataques virtuais, é possível reduzir significativamente os riscos com a adoção de boas práticas de segurança.
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