Guerra tarifária? O que esperar após Trump anunciar nova tarifa de 50% sobre o Brasil?
Ana Souza / Redação RedeTV!Especialistas avaliam os impactos da medida

(Foto: Reprdução/Redes Sociais)
Nesta quarta-feira (9), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, a partir de 1º de agosto, todas as exportações brasileiras para os EUA serão taxadas em 50%. A medida foi apresentada em carta oficial e gerou forte reação do governo brasileiro.
O chefe do Executivo americano justificou a decisão como resposta à “perseguição” ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que responde a processo no STF. “A maneira como o Brasil tem tratado o ex-presidente Bolsonaro […] é uma desgraça internacional”, escreveu. Trump também apontou barreiras comerciais impostas pelo Brasil e ações do STF contra redes sociais como motivações adicionais.
Lula respondeu nas redes sociais afirmando que o Brasil é um país soberano, com instituições independentes, e que “não aceitará ser tutelado por ninguém”. Reforçou ainda que o julgamento de Bolsonaro é responsabilidade exclusiva da Justiça brasileira.
A medida gerou preocupação em diversos setores da economia, já que os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras. Óleos, combustíveis, aço, aeronaves e café estão entre os principais produtos vendidos.
Alfredo Trindade, economista e CEO da Ecco Planet Consulting, avaliou que “os reflexos para o mercado acionário brasileiro podem ser significativos, principalmente para empresas com forte dependência das exportações para os Estados Unidos”. Segundo ele, “a tarifa de 50% encarece os produtos brasileiros no mercado norte-americano, reduzindo sua competitividade e, consequentemente, o volume de vendas. Isso pode levar a uma queda na receita e no lucro dessas empresas, impactando negativamente o valor de suas ações na B3”.
Trindade também alertou para os riscos de instabilidade: “A incerteza gerada por essa guerra comercial pode afastar investidores e gerar volatilidade no mercado. Há também a possibilidade de retaliação por parte do Brasil, o que poderia escalar ainda mais a tensão comercial”.
Entre as empresas listadas na B3 que podem ser afetadas, ele destacou: “Petrobras, Vale, Gerdau, Usiminas, CSN, Embraer e WEG”, com base na exposição ao mercado americano. E acrescentou: “A análise do impacto no lucro não se limita à receita com exportações para os EUA. Fatores como a capacidade de redirecionar vendas e a estrutura de custos também influenciam”.
Diante do cenário, Trindade recomendou cautela: “Sugiro que o investidor adote uma postura estratégica, avaliando empresas individualmente. Empresas com alta dependência do mercado americano e baixa capacidade de diversificação tendem a ser mais vulneráveis”.
Fique informado com a RedeTV!
- Clique aqui para entrar no nosso canal de notícias no WhatsApp