22/07/2026 09:18:00 - Atualizado em 22/07/2026 09:18:00

Febre maculosa mata mulher de 43 anos em São Bernardo do Campo

Redação RedeTV!

Vítima deu entrada em estado de choque no hospital e morreu em menos de 24 horas

(Foto: Reprodução/TV Gazeta)

Uma mulher de 43 anos morreu devido à febre maculosa em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, após ser infectada por carrapatos no bairro Alvarenga. O óbito ocorreu em março, menos de 24 horas após a moradora dar entrada no hospital em estado de choque, mas as autoridades divulgaram as informações recentemente.

A vítima residia em uma área com vegetação densa. Após a notificação do caso, a Vigilância Epidemiológica municipal esteve na residência da paciente e localizou cães infestados por parasitas que testaram positivo para a bactéria Rickettsia, causadora da doença infecciosa grave.

O secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Jean Gorinchteyn, explicou os procedimentos adotados no local pelas equipes de fiscalização.

"A nossa ação de vigilância epidemiológica foi instituted no sentido de ir até a casa da paciente e visitar os arredores. Foi identificado que dois dos seus cachorrinhos tinham a presença do carrapato. De forma imediata, foi feita uma orientação para os vizinhos para que identificassem se os seus pets estavam infectados e imediatamente foi orientado para a população observar se seus cãezinhos pudessem ter a presença desses carrapatos", afirmou.

O gestor municipal destacou que os animais receberam tratamento imediato e que o setor de zoonoses investigou os arredores sem encontrar outros cães infectados. A rede de saúde do município também entrou em alerta para monitorar o aparecimento de novos sintomas na população local.

A transmissão ocorre quando o vetor permanece fixado à pele por algumas horas. O período de incubação varia de 2 a 14 dias, apresentando sintomas iniciais como febre alta, dores corporais, dor de cabeça e náuseas, frequentemente confundidos com quadros de dengue ou gripe.

Sem o diagnóstico rápido, a infecção avança para os vasos sanguíneos e causa inflamações severas, comprometendo órgãos e gerando manchas avermelhadas nos pés e mãos. O infectologista Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, ressaltou o impacto do avanço do quadro clínico no organismo.

"A evolução acaba sendo mais grave porque o quadro lembra uma septicemia, uma infecção generalizada com acometimento de múltiplos órgãos e, com muita frequência, leva ao óbito desses infectados. É uma das doenças de maior letalidade que conhecemos. Entre 40% e 80%, dependendo da região e de quão precoce seja o tratamento, essas letalidades chegam a quase 90%", afirmou.

A prevenção contra o vetor engloba evitar áreas de mata, utilizar calças compridas e botas em locais de risco e inspecionar o corpo frequentemente. A remoção rápida do parasita da pele, sem esmagá-lo, associada ao início imediato do tratamento, amplia as chances de recuperação.

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