"Exploração financeira da Fé" entenda como agia grupo criminoso que enganava fiéis
Ana Souza / Redação RedeTV!Durante a apuração financeira, foram constatadas movimentações superiores a R$ 3 milhões em dois anos

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Policiais civis da 76ª DP de Niterói, em parceria com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), deflagraram nesta quarta-feira (24) a “Operação Blasfêmia”, voltada ao combate de uma quadrilha que cobrava fiéis por promessas de curas e milagres, se passando por um pastor. O grupo atuava a partir de um call center no centro de Niterói.
O objetivo da ação foi cumprir mandados de busca e apreensão relacionados a um inquérito da 76ª DP que investigava crimes de estelionato, charlatanismo, curandeirismo, associação criminosa, falsa identidade, crime contra a economia popular, corrupção de menores e lavagem de dinheiro. O delegado Luiz Henrique Marques Pereira explicou que “pelo que foi apurado, o que realmente motivava o grupo criminoso não era o atendimento religioso, mas a exploração financeira da fé, sem nenhum escrúpulo”.
Ele acrescentou que “a atuação de líderes religiosos na arrecadação de dízimos e ofertas é permitida dentro do princípio da liberdade religiosa, garantida pela Constituição Federal. No entanto, quando essa arrecadação ocorre por meio de fraude, ultrapassa o campo da fé, sendo considerada conduta criminosa.”
As investigações revelaram que dezenas de atendentes eram contratados por meio de anúncios em plataforma on-line de vendas, sem qualquer vínculo religioso, e orientados a se passarem pelo líder religioso durante atendimentos via WhatsApp. Durante as conversas, os atendentes simulavam ser o pastor de uma igreja de São Gonçalo, utilizando áudios previamente gravados com promessas de curas e milagres, condicionadas à realização de transferências bancárias via Pix, com valores que variavam entre R$ 20 e R$ 1,5 mil. O grupo ainda se utilizava de uma rede de contas em nome de terceiros, dificultando o rastreamento das movimentações financeiras. Os atendentes recebiam comissões proporcionais à arrecadação semanal e eram dispensados caso não atingissem as metas estipuladas.
A investigação começou em fevereiro, quando foram flagradas 42 pessoas realizando atendimentos no call center. Na ocasião, foram apreendidos 52 celulares, seis notebooks e 149 chips de telefonia pré-paga. A análise do material permitiu identificar milhares de vítimas em todo o país.
Durante a apuração financeira, foram constatadas movimentações superiores a R$ 3 milhões em dois anos. Na residência do pastor, os policiais encontraram grandes quantias em espécie, incluindo R$ 32.450, 1.800 euros, 750 libras egípcias e 90 dólares.
Na primeira fase da operação, o pastor e outros 22 integrantes do grupo foram denunciados. Também foi deferida medida cautelar de monitoramento por tornozeleira eletrônica em face do líder religioso, além do sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias vinculadas aos investigados.
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