07/07/2026 09:11:00 - Atualizado em 07/07/2026 09:12:00

Ex-prefeito e ex-secretário viram alvos da PF em ação sobre desvios bilionários

Redação RedeTV!

Agentes cumprem 19 mandados de busca em municípios fluminenses nesta terça-feira

(Foto: Divulgação/Polícia Federal)

A Polícia Federal iniciou nesta terça-feira (7) a sexta etapa da Operação Unha e Carne contra uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro. A ofensiva mira conexões de agentes públicos com organizações criminosas fluminenses.

Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, é um dos alvos de busca e apreensão. O delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, também é investigado na ação policial.

O grupo econômico movimentou R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão na capital fluminense, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende.

A Justiça determinou o bloqueio de bens e valores pertencentes ao grupo criminoso. As atividades econômicas das empresas ligadas aos suspeitos também foram suspensas por ordem judicial.

Um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras deu início à apuração. O documento apontou a movimentação bilionária com a anuência de políticos do estado.

“Além do crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro, além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”, disse a PF.

A prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral indicou gasto eleitoral de R$ 478 mil com combustível. A campanha adquiriu cerca de 70 mil litros de diesel de estabelecimentos de um empresário parceiro.

O fornecedor é proprietário de dez dos 12 postos que abasteceram os veículos da campanha. Os repasses ocorreram por meio de 12 transferências bancárias idênticas de R$ 39,9 mil.

Empresas vinculadas ao investidor assinaram contratos com a administração estadual após a posse do governador Cláudio Castro. O empresário já havia sido investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro.

O advogado do suspeito na época era Rodrigo Bacellar, que presidiu a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A apuração original aponta indícios de uma cadeia de proteção institucional ao crime organizado.

A força-tarefa da Operação Unha e Carne soma cinco fases deflagradas desde dezembro de 2025. O foco inicial era o vazamento de informações sigilosas sobre ações contra a facção Comando Vermelho.

Os dados compartilhados de forma ilegal comprometeram investigações da Operação Zargun, realizada em setembro daquele ano. O vazamento possibilitou a destruição e ocultação de provas por parte dos criminosos.

O ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, foi o principal beneficiado pela quebra de sigilo. O político é apontado como o articulador político da organização criminosa em território fluminense.

Rodrigo Bacellar foi preso temporariamente na primeira etapa da operação por determinação do ministro Alexandre de Moraes. A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro revogou a prisão em plenário dias depois.

O parlamentar cassado passou a cumprir medidas cautelares alternativas após ser solto. A Justiça determinou o monitoramento eletrônico do investigado por meio do uso de tornozeleira.

A segunda fase da apuração mirou o Judiciário federal em dezembro de 2025. O desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, acabou preso preventivamente.

O magistrado é suspeito de repassar informações sigilosas diretamente para o ex-presidente do Legislativo fluminense. O deputado distrital teria repassado os dados estratégicos para o articulador da facção.

Mensagens e registros telefônicos apreendidos indicam uma relação próxima e troca de favores entre as autoridades. A defesa do magistrado afirmou que a quinta fase da operação não tem relação com o cliente.

A terceira fase foi deflagrada em 27 de março de 2026 com nova prisão de Bacellar. Policiais civis cumpriram o mandado na residência do ex-parlamentar, localizada em Teresópolis.

A ordem de prisão aconteceu após a cassação do mandato dele pelo Tribunal Superior Eleitoral no caso Ceperj. A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia formal contra o grupo em 16 de março.

Os investigadores relacionaram as condutas à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635. A interferência política comprometeria a eficácia de operações policiais em comunidades do Rio de Janeiro.

O deputado estadual Thiago Rangel foi preso na quarta etapa da operação em maio de 2026. O parlamentar do Avante é suspeito de chefiar fraudes em licitações da Secretaria Estadual de Educação.

O esquema direcionava contratos de reformas em escolas para empresas previamente selecionadas. A área de atuação das firmas coincidia com a zona de influência política do político no Noroeste fluminense.

A quinta fase da operação prendeu o pastor Márcio Poncio na semana passada. O religioso é investigado por suposta ligação com a Máfia do Cigarro em território fluminense.

O bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, também recebeu nova ordem de prisão na mesma data. Ele e o ex-presidente do Parlamento já cumpriam pena em estabelecimento prisional.

Documentos apreendidos em uma mala de couro na residência do contraventor continham listas de agentes públicos. A relação detalhava repasses financeiros e contabilidade vinculada à lavagem de capitais.

Pelo menos 25 políticos são suspeitos de receber doações financeiras ilegais para as campanhas de 2022. O atual governador fluminense figura em um dos documentos apreendidos pela força-tarefa.

“As listas chamaram a atenção dos investigadores por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio de Janeiro”, afirmou a Polícia Federal.

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