11/05/2026 11:40:00 - Atualizado em 11/05/2026 13:06:00

Empresária e policial são presos por torturar doméstica grávida no Maranhão

Redação RedeTV!

Vítima estava grávida de cinco meses e foi acusada de furtar joia em casa

(Foto: Reprodução/TVGlobo)

A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos e o policial militar Michael Bruno Lopes Santos foram presos no Maranhão sob acusação de torturar uma empregada doméstica grávida na cidade de Paço do Lumiar. Samara Regina Dutra, de 19 anos, gestante de cinco meses, relatou ter sofrido violência física e psicológica após ser falsamente acusada pelo furto de um anel na residência onde trabalhava.

A vítima detalhou ao Fantástico que foi mantida sob a mira de uma arma e agredida com socos, tapas e puxões de cabelo por cerca de uma hora. De acordo com o relato da jovem, o PM Michael Bruno teria iniciado as ameaças logo no início da manhã para forçar uma confissão.

"Falava que, se o anel não aparecesse, eu ia levar um tiro", disse Samara.

A conduta agressiva foi confirmada pela própria empresária em áudios obtidos pela investigação, nos quais Carolina descreve a participação do policial militar no ato. Nas gravações, a patroa admite ter agredido a funcionária mesmo após o objeto ter sido localizado em um cesto de roupas sujas.

"Ele puxou a bicha (arma), tirou a touca da cabeça dela, pegou no cabelo, botou ela de joelho, puxou a bicha (arma) e botou na boca dela. ‘Eu acho bom você entregar logo esse anel!’ E ela de joelho, bora!", relatou Carolina em uma das mensagens.

A empresária confessou ainda a continuidade do espancamento por motivação fútil, alegando que sua mão chegou a inchar devido à força das agressões desferidas contra a doméstica.

"Ontem (...) eu fui no cesto de roupa suja, eu tirei tudo e nada. Aí na hora que ela abre o cesto de roupa suja, que ela puxa, o anel cai. Ai, gente! Nessa hora... dei tanto nessa mulher! ‘Pensando que é o quê, rapaz? Trabalho minha vida toda pra conquistar minhas coisas, pra tu vir me roubar?’ Gente, eu dei tanto que minha mão tá inchada. Até hoje o meu dedo já tá roxo", afirmou a acusada.

Samara relatou que tentou proteger o ventre durante o ataque e que a empregadora tinha pleno conhecimento de sua gravidez desde o início do contrato de trabalho.

"Me dava socos na região do pescoço e costas", relatou, e afirmou que ainda foi arrastada. Questionada sobre como isso aconteceu, respondeu: “Pelo cabelo.”

Após o crime, a jovem buscou auxílio com uma moradora do condomínio, que acionou a Polícia Militar do Maranhão. No entanto, a primeira equipe que atendeu a ocorrência não efetuou a prisão em flagrante da empresária, o que motivou o afastamento de quatro policiais de suas funções.

Em áudio, Carolina revelou que um dos agentes era seu conhecido e teria rido da situação. "Veio com um policial que me conhecia. Sorte minha, né? Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, tinha que te conduzir pra delegacia, porque ela tá cheia de hematoma’. Aí eu disse: ‘Era pra ter ficado, era mais, não era nem pra ter saído viva’. Aí ele se acabou de rir", confessou a empresária.

A Secretaria de Segurança Pública informou que Michael Bruno não possuía autorização para portar armas devido a restrições psicológicas. O policial nega ter participado das agressões, embora o delegado Walter Wanderley afirme que sua omissão configura o crime de tortura.

Carolina dos Anjos foi capturada no Piauí e, segundo as autoridades, planejava fugir para o Paraguai. A suspeita possui condenação anterior por furto e já respondeu por caluniar uma ex-babá em circunstâncias semelhantes.

Os investigados respondem por tentativa de homicídio triplamente qualificado, tortura, cárcere privado, injúria, calúnia e difamação. Um exame de ultrassonografia confirmou que a saúde do bebê de Samara não foi afetada pelas agressões.

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