Empresa demite funcionário que faltou ao trabalho por internação de bebê com doença rara
Redação RedeTV!Bebê tem epidermólise bolhosa e família faz vaquinha para custear tratamento de R$ 1.900

(Foto: Arquivo Pessoal)
O estoquista Felipe Guimarães foi demitido do emprego no Rio de Janeiro após faltar ao trabalho para acompanhar o filho de quatro meses, Lohan, internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O bebê possui epidermólise bolhosa, uma doença genética rara que causa lesões e bolhas na pele ao menor atrito.
O trabalhador apresentou declarações médicas para justificar as ausências nos primeiros dias de internação. A empresa, no entanto, rescindiu o contrato sob a justificativa de excesso de documentos apresentados e por uma ausência que ficou sem justificativa formal. A demissão extinguiu a única fonte de renda fixa da família. "Foi desesperador para mim e para a minha esposa", diz, em entrevista ao portal 'CRESCER'.
"Ela causa bolhas se tiver qualquer atrito, não tem cura pra essa doença ainda, existe o tratamento que é de custo muito alto", explica.
A condição de saúde do recém-nascido foi identificada em 4 de fevereiro deste ano, data do parto realizado por meio de uma cesárea de emergência. O bebê nasceu sem chorar, com lesões visíveis, e necessitou de intubação imediata, oxigênio e instalação de sonda gástrica.
"Quando a bolsa estourou, minha esposa chegou no hospital e precisou fazer cesária, pela cor do líquido que estava saindo. Quando ele nasceu, ele não chorou. Nasceu com umas lesões e precisou ir direto para a UTI. Ele foi entubado, ficou no oxigênio e precisou colocar sonda gástrica", afirma.
A mãe da criança enfrentou complicações pós-cirúrgicas e dores intensas que a impediram de se locomover até a UTI nos dias iniciais. Diante da gravidade do quadro do filho, que contraiu infecções, tomou sete ciclos de antibióticos e operou para se alimentar, o pai optou por permanecer no hospital.
"Isso ocorreu mesmo eles sabendo da situação do meu filho e de tudo o que eu estava passando", diz. "Fiquei com vergonha de mim mesmo por ter perdido um emprego sabendo que dali para frente o meu gasto seria muito grande por conta da patologia do Lohan", lembra.
"Tenho a plena certeza de que fiz o certo, minha família em primeiro lugar. Sei que o trabalho era importante, mas não podia deixar meu filho sozinho na UTI sabendo que minha esposa recém-operada não estava em condições para ficar lá com ele", destaca.
O recém-nascido recebeu alta hospitalar após quatro meses e dois dias de internação contínua. Sem remuneração e com custos médicos elevados, o casal precisou deixar a residência própria e se mudar para a casa da sogra do profissional demitido.
"Foi desesperador para mim e para a minha esposa, porque sabíamos que seria muito difícil depois que o Lohan saísse do hospital e nós estivéssemos sem renda nenhuma", afirma.
"Eu e minha esposa estávamos morando juntos. Depois que eu fui demitido, tivemos que começar a morar com a minha sogra, até porque minha esposa não iria conseguir algumas coisas sozinha", diz.
O tratamento da doença exige insumos de alto custo, como leite de alta caloria e coberturas especiais para os ferimentos. Para custear os materiais e os itens de higiene específicos, a família organizou uma campanha de arrecadação virtual na internet.
"Cada caixa de curativo que ele usa é em torno de R$1.900 - e gastamos mais de uma caixa por mês -, fora o leite que ele precisa, que tem mais calorias para não perder peso muito rápido por conta da patologia dele", explica.
"Está ajudando muito com os curativos e itens de higiene dele, que são bem específicos", afirma.
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