Eduardo Bolsonaro afirma que não voltará ao Brasil enquanto Moraes estiver no STF
Ana Souza / Redação RedeTV!Deputado defende “anistia ampla” para réus do 8 de janeiro e cogita exercer o mandato à distância

(Foto: Reprodução/Agência Brasil)
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) afirmou que permanecerá nos Estados Unidos em busca de mais sanções contra o Brasil impostas pelo governo do ex-presidente Donald Trump. Em entrevista ao jornal O Globo, nesta quarta-feira (6), ele declarou que pode passar “décadas” em autoexílio no país.
“Se eu retornar, sei que vou ser preso”, afirmou Eduardo, que é investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de coação no processo em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é réu por tentativa de golpe de Estado.
Na mesma data, entraram em vigor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros impostas pelos EUA. Questionado sobre o impacto bilionário nas exportações, Eduardo responsabilizou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e defendeu a aprovação de uma “anistia ampla, geral e irrestrita” para os réus dos atos de 8 de janeiro e da tentativa de golpe após as eleições de 2022.
“Isso colocaria o Brasil numa boa condição na mesa de negociações junto ao governo dos EUA”, disse o deputado.
Segundo ele, parte do impacto econômico das tarifas já está sendo levado a interlocutores na Casa Branca, embora não pretenda aconselhar o presidente americano. “Não me sinto na posição de desautorizar o Trump. Entendo que ele é muito mais qualificado do que eu para escolher quais armas utilizar nessa briga, até porque tem uma carreira de muito êxito empresarial, é um excelente negociador”, declarou.
Eduardo também minimizou os efeitos das tarifas sobre o agronegócio. “Até agora nenhum fazendeiro ou produtor agrícola me ligou para dizer que eu deveria parar com as minhas ações”, afirmou. No entanto, levantamento do Estadão/Broadcast indicou que 82% do volume das exportações do agronegócio brasileiro será afetado pelo tarifaço de Trump, já que ficou fora da lista de exceções.
Sobre sua permanência nos EUA, o parlamentar disse que tem condições de ficar “durante um bom tempo”. Ele afirmou que pretende oficiar o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), sobre sua impossibilidade de retornar ao Brasil e manifestou apoio à mudança no regimento da Casa para permitir o exercício do mandato à distância.
Eduardo voltou a afirmar que, caso Motta ou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não pautem o impeachment de Moraes e a anistia ampla, eles podem “entrar no radar” das sanções americanas. “As pessoas que estão em posição de poder têm responsabilidades e estão sendo observadas pelas autoridades americanas. Todos eles estão no radar”, disse.
O deputado contou que vai à Casa Branca “quase toda semana” e mantém contato com os parlamentares americanos María Elvira Salazar, Richard McCormick e Chris Smith, além do ex-estrategista de Trump, Steve Bannon.
Sobre as eleições de 2026, Eduardo afirmou que só será candidato à Presidência com apoio do pai: “Antes, tenho que ter sucesso nessa questão de resgate da normalidade democrática no Brasil e no isolamento do Alexandre de Moraes, na anistia, em todas essas pautas.”
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