11/03/2026 11:39:00 - Atualizado em 11/03/2026 11:40:00

Daniel Vorcaro envia R$ 700 milhões para ilhas Cayman durante venda do Master ao BRB

Redação RedeTV!

Banco Central rejeitou compra do Master pelo banco de Brasília em setembro de 2025

(Foto: Divulgação Banco Master) 

O banqueiro Daniel Vorcaro, acionista da Titan Holding, repassou R$ 700 milhões em ativos do Banco Master para sua empresa em paraíso fiscal durante negociações com o BRB em 2025. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou que as movimentações financeiras eram incompatíveis com o patrimônio declarado pelo empresário.

O Relatório de Inteligência Financeira (RIF) detalha que, entre janeiro e julho de 2025, o investidor transferiu cotas de fundos para a Master Holding, sediada nas Ilhas Cayman. O órgão de controle emitiu um alerta sobre a suspeita de irregularidade nas transações. As informações foram obtidas pelo jornal O Globo. 

"Desta forma, em linha com a regulamentação em vigor, vimos por meio deste, comunicar esta Unidade de Inteligência Financeira sobre a suspeita identificada, em que os valores movimentados pelo cliente mostram-se incompatíveis com os valores de patrimônio declarados pelo cliente nas fichas cadastrais fornecidas", afirmou a equipe técnica do Coaf.

As transferências envolveram R$ 85 milhões do fundo Quíron e R$ 66 milhões do Saint German. A maior operação ocorreu em abril de 2025, com o repasse de R$ 555 milhões em cotas do fundo GSR para o fundo Krispy, do qual a offshore de Vorcaro é cotista.

O Banco Central do Brasil decretou a indisponibilidade dos bens da Titan Holding em 5 de março de 2026. A medida baseia-se na participação da empresa no controle indireto do Banco Master, que passa por processo de liquidação.

A legislação determina que controladores de instituições em liquidação fiquem com bens bloqueados para garantir o cumprimento de responsabilidades financeiras. A restrição impede a alienação de patrimônio até a conclusão das apurações.

As movimentações ocorreram simultaneamente à tentativa de venda do Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). O negócio, anunciado em março de 2025, foi rejeitado pela autoridade monetária em setembro do mesmo ano.

A Polícia Federal investiga suspeitas de repasse de cartas de crédito fraudadas ao banco estatal de Brasília. O esquema teria o objetivo de inflar artificialmente o capital da instituição brasiliense para facilitar a aprovação da compra pelo Banco Central.

Procurada para comentar os relatórios e a indisponibilidade de bens, a defesa do banqueiro informou que não iria se manifestar sobre o caso.

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