22/07/2026 10:20:00 - Atualizado em 22/07/2026 10:20:00

Cliente é retida em mercado após falha no Pix e filhos autistas entram em crise

Redação RedeTV!

Vítima apresentou comprovante do banco, mas seguranças impediram a saída da loja

(Foto: Arquivo Pessoal)

A dona de casa Amanda de Sousa Gomes, de 39 anos, foi impedida de sair de um mercado atacadista em Praia Grande, no litoral de São Paulo, após realizar o pagamento de suas compras via Pix no dia 13 de julho. A moradora registrou um boletim de ocorrência por calúnia na última segunda-feira (20).

A consumidora relatou que os funcionários do estabelecimento alegaram que a transação bancária não constava no sistema. Durante o período de cerca de duas horas em que permaneceu retida no local, os dois filhos da mulher, de 3 e 20 anos, ambos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA), sofreram crises emocionais.

"Eu quero que outras mães não passem por isso. Que outras pessoas não necessitem passar esse vexame, calúnia e vergonha, igual eu passei sendo acusada de roubo e em cárcere. Fiquei das 21h30 até 23h35, sem que eles permitissem que eu saísse", lamentou Amanda em entrevista ao portal 'g1'.

A cliente havia chegado ao estabelecimento comercial acompanhada dos filhos por volta das 19h30. Ela apresentou a Carteira de Identificação da Pessoa com Espectro Autista (Ciptea) para receber atendimento prioritário no caixa.

O pagamento das mercadorias foi dividido em duas etapas por meio do aplicativo bancário. A primeira transferência, no valor de R$ 234,46, ocorreu normalmente. A segunda tentativa, referente à quantia de R$ 186,01, apresentou uma falha na impressão do comprovante físico, embora o saldo tenha sido debitado da conta da vítima e a tela da máquina tenha exibido a finalização do processo.

Mesmo diante da apresentação do comprovante digital, a equipe da loja informou que a cliente não poderia deixar as dependências do comércio antes da devolução do dinheiro. A moradora entrou em contato com o banco, que confirmou o envio do montante e descartou o estorno.

"O gerente já tinha dado a ordem que era para me segurar lá. E, se eu tentasse sair, era para me impedir. Tanto que, pode ver, segundo as fotos, os seguranças ficavam em volta de mim e dos meus filhos", destacou Amanda.

A moradora ligou para a Polícia Militar às 22h22, recebendo a instrução de se retirar para efetuar o registro policial. Diante do impasse, o filho da mulher se escondeu após ser abordado verbalmente por uma funcionária.

"O meu filho correu e se escondeu atrás de um balcão porque uma moça começou a gritar: 'Você não vai sair, você não pagou'", lembrou ela.

A saída da dona de casa ocorreu por volta das 23h35, após a chegada de familiares ao local. Os agentes de segurança da empresa informaram que iriam acompanhar a família até a residência caso as mercadorias fossem transportadas.

Durante a permanência de duas horas no estabelecimento, a cliente alegou ter passado por situações de constrangimento perante outros consumidores. A gerência do local não ofereceu suporte no atendimento às crianças durante o episódio.

"Se eu tivesse todo o dinheiro do mundo, eu pagaria para os meus filhos não passarem por isso e eu não tenho a necessidade de ficar com R$ 186. Eu me coloquei a todo momento à disposição", finalizou Amanda.

Por meio de nota, a empresa Atacadão informou que o problema ocorreu devido a uma instabilidade sistêmica nacional no serviço de Pix, o que inviabilizou a confirmação da operação. A rede lamentou o fato e declarou manter compromisso com o consumidor.

A Polícia Militar não retornou aos contatos da reportagem. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que a vítima recebeu orientações sobre o prazo legal de seis meses para prosseguir com a representação criminal no 2° Distrito Policial de Praia Grande.

(Foto: Arquivo Pessoal)

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