07/08/2026 18:59:00 - Atualizado em 07/08/2026 19:00:00

Câmeras corporais mostram PMs matando jovem rendido em Paraisópolis

Redação RedeTV!

Renato Torquatto e Robson Noguchi foram inocentados em julgamento na Barra Funda 

(Fonte: Reprodução/ Polícia Militar ) 

Imagens de câmeras corporais da Polícia Militar de São Paulo mostram o jovem Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, com as mãos levantadas antes de ser morto a tiros por agentes em Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. A ação ocorreu no ano passado e os policiais atiraram contra o rapaz mesmo sem reação da vítima.

No vídeo gravado pelos equipamentos, agentes invadem a residência e encontraram suspeitos agrupados em um quarto. Assim que a porta do cômodo é aberta, os ocupantes erguem os braços e anunciam a rendição.

Durante o cerco, um dos policiais dispara duas vezes contra a parede da sala, enquanto o grupo no aposento reforça a submissão. “Perdeu. Perdeu, chefe”, implorou um.

Instantes depois, dois policiais efetuam novos disparos que atingiram fatalmente Santos. Os registros apontam que um dos tiros ocorreu quando o rapaz já estava caído e sem capacidade de reação. Outros indivíduos ficaram feridos no local, mas sobreviveram e acabaram algemados.

Após os disparos, os agentes envolvidos iniciaram conversas em tom audível reduzido sobre os aparelhos acoplados ao fardamento. De acordo com a Polícia Militar de São Paulo, a equipe desconhecia o funcionamento ativo das gravações no momento do confronto.

Com o término da ocorrência, um oficial superior compareceu ao imóvel e questionou a conduta da patrulha. A gravação registrou o diálogo entre as partes:

Superior hierárquico: Senhores, como é que foi aí? Alguém pode explicar como é que foi desde o começo? — PMs: […] Eles estavam todos atrás da cama. Às vezes ‘pá’, às vezes levantavam as mãos. E as armas tudo embaixo da cama, no alcance da mão deles. — PMs: Toda hora ciscando, abaixa a mão, abaixa e levanta. Teve até um que meio que sacou e aí a gente… — Superior hierárquico: Daí vocês viram isso na mão dele? — PMs: É. Viu um cabo de madeira ali, né.. — Superior hierárquico: Vocês já sabiam que a arma estava debaixo da cama? — PMs: Não. Não sabia.

As cenas mostram o grupo com os braços erguidos durante toda a abordagem até o momento dos tiros. Os soldados Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima foram denunciados pelo Ministério Público do Estado de São Paulo como autores dos disparos mortais.

O Tribunal do Júri absolveu a dupla de policiais no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste da capital. A decisão ocorreu em 30 de julho de 2026, ao fim de três dias de julgamento.

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