12/08/2026 09:45:00 - Atualizado em 12/08/2026 09:45:00

Ator Marco Furlan é indiciado por estupro de vulnerável em São Paulo

Redação RedeTV!

Em depoimento, suspeito disse não lembrar da dinâmica dos fatos na chácara

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O suspeito acabou transferido para a Penitenciária de Pinheiros, na capital do estado, onde teve o cabelo raspado e divide cela com outros quatro detentos. A defesa contesta o procedimento policial e sustenta a inocência do cliente.

Conforme o inquérito policial, a mãe da vítima declarou que escutou gritos e encontrou o filho sem roupas ao lado de Furlan, que também estava despido. O garoto foi levado a uma unidade de pronto atendimento com queixas de dores, mas a perícia do Instituto Médico-Legal não constatou sinais de conjunção carnal.

Uma prima do investigado relatou às autoridades que os dois ingeriram bebidas alcoólicas e foram para um quarto após o evento, que reunia 22 pessoas no imóvel. Segundo a testemunha, o parente mudou de comportamento antes de deixar o aposento para vomitar no sanitário vizinho.

“Ele ficou verbalmente agressivo e passou a fazer propostas sexuais. Pedi que ele ficasse quieto porque havia outras pessoas dormindo e cheguei a empurrá-lo”, contou à delegada Gerlandia Ramalho Brito.

A mulher declarou ter adormecido logo em seguida e apontou que a criança descansava em um cômodo nos fundos da residência.

“Jamais imaginei que ele sairia do quarto onde estávamos e seguiria para o cômodo onde estava a criança”, frisou.

De acordo com o registro feito pela Polícia Militar no local da ocorrência, o homem alegou ter entrado no cômodo por engano em razão de um mal-estar.

“Passei mal, saí do quarto e entrei no quarto errado por equívoco, confundindo a criança com a minha namorada”, disse ele, conforme consta no boletim de ocorrência.

Outra pessoa presente na propriedade relatou ter presenciado o investigado despido, segurando a peça íntima do garoto, enquanto afirmava que nada havia ocorrido.

A advogada Graciele Queiroz assumiu a representação jurídica do artista e declarou que ele estava embriagado, refutando a versão presente no boletim da PM.

“Em nenhum momento o meu cliente afirmou ter se enganado ou confundido a aniversariante com a criança. Essa versão não corresponde ao que ele declarou e precisa ser desmentida de forma categórica. Na verdade, Furlan e a aniversariante estavam fazendo sexo quando ele passou mal e foi até o banheiro vomitar. Ao retornar do banheiro, ele confundiu o quarto e acordou com a mãe da criança empurrando-o da cama porque o quarto estava escuro”, sustenta a advogada.

A defensora apontou falhas na apuração, como a ausência de exame toxicológico solicitado pelo custodiado, a falta de coleta de vestígios e a conclusão das investigações na quinta-feira (6), apenas quatro dias após o fato.

Em depoimento oficial prestado à autoridade policial, o indiciado afirmou não se recordar da dinâmica dos acontecimentos após a ingestão de álcool.

“Eu não sei. Eu estava numa festa com os meus primos. Era uma festa de família. No final, eu estava consumindo álcool. Pelo que eu sei, eu até perguntei para o meu primo, que é advogado, se eu poderia fazer um exame toxicológico, porque eu só bebi cerveja. Não ingeri nada, não uso droga, não faço uso de nada. Não lembro de muita coisa.”

Ao ser questionado sobre o relato de abuso, o suspeito negou a prática e mencionou lapsos de memória.

“Eu não lembro dos fatos que falaram que ocorreram. Eu não tenho essa consciência disso. O que eu me lembro é que, no final da festa, eu fiquei com a minha prima. Mas ela falou que eu fui ao banheiro, que eu estava passando mal, que eu levantei e fui ao banheiro. Ela não conversou tanto comigo. Ela falou que dormiu. Eu não entendi.”

O interrogatório prosseguiu com a autoridade policial questionando os passos seguintes daquela madrugada.

“Ocorreu tudo o que ocorreu. Falaram que eu estava com o menino, o que é o maior absurdo. Eu não tenho essa consciência. Não tenho a consciência de ir ao banheiro e passar mal. É isso que eu estou me questionando também. Eu não tenho essa consciência.”

Indagado sobre a chegada dos agentes de segurança, o detido descreveu apenas a condução na viatura.

“Não. Eles falaram agora para mim. Eu não sabia onde estava a chave do meu carro e aí eles falaram que eu dei a chave para a polícia. Eu não lembrava de ter dado a chave. Eu só lembro de uma coisa que foi marcante para mim. Lembrei de entrar no porta-malas, no carro. Eu não sei como chama. No camburão. Não é camburão. No porta-malas. Eu pedi para ir na frente e eles falaram que não, que eu tinha que ir atrás. Foi isso. Foi a recordação que eu tenho. Desculpa. Eu estou emocionado porque sou uma pessoa extremamente correta. E eu não estou me desculpando.”

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