24/04/2026 11:57:00 - Atualizado em 24/04/2026 12:00:00

Mulher engravida de dois homens e tem gêmeos de pais distintos

Redação RedeTV!

Fenômeno conhecido como superfecundação heteropaternal possui apenas 20 registros no mundo

(Foto: Freepik)

O pesquisador William Usaquén, diretor do Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia, identificou um caso raro de superfecundação heteropaternal, em que gêmeos foram gerados por pais diferentes.

Esse fenômeno biológico foi confirmado após uma mulher solicitar exames de DNA para os filhos de dois anos. O processo utiliza marcadores microssatélites para comparar sequências numéricas do material genético da mãe, das crianças e do suposto pai.

"Nós pegamos o DNA de cada um deles, observamos de 15 a 22 pontos, conhecidos como microssatélites, e os comparamos um a um", explica Usaquén. O procedimento exige isolamento químico e amplificação das amostras de sangue para análise precisa.

A paternidade foi confirmada para apenas um dos bebês após a análise de 17 microssatélites. A equipe científica repetiu os protocolos para eliminar riscos de erro processual ou confusão de amostras antes da divulgação dos resultados.

"Sou diretor do laboratório há 26 anos e este é o primeiro caso que presenciamos", destaca o docente. Segundo o especialista, este é, até o momento, o único registro contabilizado pela instituição colombiana.

A especialista em genética Andrea Casas, pesquisadora do instituto, reforça a raridade da condição na literatura médica global. Cerca de vinte casos semelhantes foram relatados em artigos científicos ao redor do mundo.

"Havíamos lido em outros relatos que esses casos são observados com muito pouca frequência", afirma Casas. A ocorrência depende de uma série de eventos biológicos simultâneos e improváveis.

Para que a gestação ocorra, a mulher precisa apresentar poliovulação e manter relações sexuais com dois homens em um curto intervalo. As fecundações devem acontecer em um período de 24 a 36 horas, tempo de viabilidade dos óvulos.

"Às vezes, uma trompa libera um óvulo e, depois de dois ou três dias, libera o outro", explica a geneticista. Essa variação biológica pode ampliar a janela de oportunidade para fecundações distintas em um mesmo ciclo.

O diretor do laboratório detalha que a baixa incidência se deve à combinação de múltiplos fatores atípicos. "Trata-se de um evento raro, somado a outro evento raro, mais um e mais outro evento raro. Infelizmente, não jogamos na loteria", brinca Usaquén.

Embora o caso desperte interesse acadêmico, os cientistas mantêm sigilo sobre o histórico pessoal dos envolvidos. "Os testes de filiação sempre são realizados respeitando a integridade e a intimidade das pessoas", conclui o professor.

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