01/03/2026 14:21:00 - Atualizado em 01/03/2026 14:21:00

"Me senti acolhida": Tifanny sai do banco, marca 15 pontos e Osasco é campeão da Copa Brasil

Redação RedeTV!

Liberada pelo STF e pela Justiça paranaense, a atleta trans superou tentativa de veto da Câmara de Londrina

(Foto: Reprodução/ Instagram)

Em uma semana marcada por embates jurídicos e superação, a ponteira Tifanny, de 41 anos, sagrou-se campeã da Copa Brasil de Vôlei pelo Osasco neste sábado (28). Após ter sua participação inicialmente vetada pela Câmara Municipal de Londrina, a atleta obteve o direito de jogar por meio de liminares e foi a peça determinante na vitória contra o Minas, por 3 sets a 1, no ginásio Moringão. 

Além de conquistar seu quinto título no torneio — o segundo pelo clube paulista —, Tifanny foi eleita a melhor jogadora da final, recebendo o troféu Viva Vôlei após sair do banco de reservas e somar 15 pontos decisivos.

Do banco ao topo!

O confronto decisivo começou equilibrado, com as equipes empatadas em 1 a 1 nos sets. Tifanny iniciou a partida entre as suplentes, mas entrou no terceiro set no lugar de Maira. A alteração promovida pela comissão técnica de Osasco deu novo vigor ofensivo ao time, permitindo que a ponteira dominasse as ações na rede. Sua performance foi fundamental para desestabilizar a defesa do Minas e garantir a vitória que selou o bicampeonato consecutivo da equipe de Osasco na competição.

A recepção do público em Londrina já antecipava o protagonismo da atleta. Na semifinal contra o Sesc-Flamengo, Tifanny foi aclamada pelos torcedores e recebeu diversas manifestações de carinho, contrastando com a tentativa de exclusão institucional promovida por parlamentares locais.

Entenda o caso

A participação de Tifanny foi alvo de um requerimento de urgência da vereadora Jéssica Ramos Moreno, a "Jessicão" (PP), fundamentado na Lei Municipal 13.770/2024. A legislação proibia a participação de atletas transgênero em competições vinculadas à prefeitura de Londrina. Contudo, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) acionou a Justiça, obtendo uma liminar do juiz Marcus Renato Nogueira Garcia, da Vara da Fazenda Pública de Londrina, que apontou a inconstitucionalidade da medida. O Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria da ministra Cármen Lúcia, também deu parecer favorável à jogadora.

Após o título, Tifanny não poupou críticas à tentativa de veto e defendeu a inclusão no esporte: "Ao invés de você se preocupar comigo jogando, preocupe-se com o esporte da cidade, porque o vôlei de Londrina precisa de mais incentivo. Vá buscar incentivo para o esporte ao invés de excluir, porque o seu trabalho é colocar a inclusão, não a exclusão", afirmou a atleta em entrevista ao Sportv.

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