07/04/2026 18:35:00 - Atualizado em 07/04/2026 18:38:00

Crise no Santos? Contas aprovadas expõem dívida bilionária e pressão sobre Marcelo Teixeira

Manuela de Azevedo / Redação RedeTV!

Com acordo que coloca patrimônio do clube como garantia, presidente enfrenta protestos

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O Santos Futebol Clube aprovou, na noite da última segunda-feira (6), as contas de 2025 sob a gestão de Marcelo Teixeira, mas a decisão do Conselho Deliberativo intensificou a crise política e financeira dentro do clube. Mesmo com parecer favorável do Conselho Fiscal, o cenário expõe uma dívida próxima de R$1 bilhão e levanta questionamentos sobre acordos firmados pela atual presidência.

Os conselheiros aprovaram as contas por 109 votos a favor, 37 contra e uma abstenção, cerca de 74% do total. Do lado de fora da Vila Belmiro, torcedores protestaram contra a gestão. Marcelo Teixeira chegou a ser cobrado diretamente e tentou dialogar com os presentes, em um ambiente de forte pressão.

O balanço financeiro revela um passivo de R$998,5 milhões. Desse total, mais de R$470 milhões correspondem a dívidas de curto prazo, com vencimento em até 12 meses, enquanto R$761 milhões estão no médio e longo prazo. Além disso, o clube registra R$233,4 milhões em receitas diferidas. Vale destacar que, valores que não entram no cálculo da dívida por se tratarem de obrigações de entrega futura.

Apesar do cenário crítico, o Santos aumentou sua arrecadação em 2025, alcançando cerca de R$700 milhões, 60% acima do previsto. A venda de jogadores, por exemplo, foi um dos destaques, gerando R$188,5 milhões, bem acima dos R$100,3 milhões projetados. Ainda assim, o clube fechou o ano com déficit de R$79,3 milhões, abaixo da previsão inicial de R$89,5 milhões, mas longe de reverter o quadro financeiro.

O ponto mais sensível da crise envolve um acordo com a NR Sports, empresa ligada a Neymar. Conforme divulgou o 'Diário do Peixe' nesta semana, o Santos acumula uma dívida superior a R$90 milhões com o jogador, e o contrato firmado prevê garantias consideradas arriscadas. Entre elas, a utilização de patrimônios do clube, como o CT Meninos da Vila, além de uma cláusula que obriga o pagamento integral da dívida à vista caso Marcelo Teixeira não seja reeleito.

A repercussão negativa mobilizou torcedores, como a Torcida Jovem, que foi até o CT Rei Pelé cobrar explicações da diretoria. O acordo, aliado ao alto endividamento, aumentou a desconfiança sobre a transparência e a condução financeira da atual gestão.

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