11/06/2026 09:28:00 - Atualizado em 11/06/2026 09:28:00

Com polêmicas, novo formato e em meio à guerra, Copa começa nesta quinta-feira (11)

Redação RedeTV!

México e África do Sul abrem no Estádio Azteca o torneio que terá 78 jogos em solo americano

(Foto: Reprodução/ Redes Sociais)

A maior competição de futebol do planeta tem início nesta quinta-feira (11), a partir do confronto entre México e África do Sul no Estádio Azteca, localizado na Cidade do México. O início da Copa é marcado por um formato inédito na história dos Mundiais. O evento esportivo também começa sob o impacto de questões geopolíticas, influenciadas por conflitos armados e pela agenda política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Embora o torneio conte com subsedes em território mexicano e no Canadá, os Estados Unidos concentram o protagonismo da organização. Os campos americanos receberão a maior parte dos confrontos, totalizando 78 das 104 partidas programadas. Esta edição estreia o modelo de disputa composto por 48 seleções, expandindo o formato anterior de 32 participantes que vigorou entre as edições de 1998 e 2022.

A estrutura da fase inicial divide os concorrentes em 12 grupos de quatro integrantes, que se enfrentam internamente. Os dois primeiros colocados de cada chave avançam diretamente, acompanhados pelos oito melhores terceiros colocados no cômputo geral. A partir desta etapa, os 32 classificados iniciam o sistema de mata-mata, que passa a contar com uma rodada eliminatória a mais em relação às edições passadas.

Esta é a primeira ocasião em que o torneio ocorre com três nações parceiras na organização. Anteriormente, a distribuição de sedes havia acontecido apenas em 2002, sob a responsabilidade de Japão e Coreia do Sul. Entre os 16 estádios selecionados, três estão situados em solo mexicano, divididos entre a capital, Guadalajara e Monterrey, enquanto duas praças esportivas ficam em Toronto e Vancouver, no território canadense.

Os Estados Unidos despontam como anfitriões principais, dispondo de 11 cidades-sede. A infraestrutura americana abrigará a totalidade dos jogos eliminatórios da fase decisiva, abrindo exceção apenas para uma única partida agendada para o Estádio Azteca. Contudo, a centralização das disputas no país norte-americano gera tensões diplomáticas antes mesmo do apito inicial.

A realização da competição coincide com a retomada das hostilidades entre Washington e Teerã, que reavivaram o conflito iniciado em fevereiro pelos americanos e por Israel. Apesar do estabelecimento de um cessar-fogo firmado em abril, os desdobramentos atingiram a esfera esportiva. A seleção do Irã, que obteve a classificação em campo, disputará todos os seus compromissos da fase de grupos nos gramados dos Estados Unidos.

A postura da administração de Donald Trump em relação aos representantes asiáticos demonstra forte rigidez. O plano original de hospedagem em Tucson, no estado do Arizona, foi cancelado pela delegação iraniana, que se fixou em Tijuana, no México. A mudança ocorreu após o governo americano vetar a permanência noturna de atletas e comissão técnica em seu território.

Ocorreram ainda entraves burocráticos, com a emissão de vistos negada para diversos integrantes da comissão técnica da equipe asiática. O elenco de jogadores obteve a liberação para ingressar nos Estados Unidos somente na última semana. As restrições atingiram também as arquibancadas na última terça-feira (9), quando Washington cancelou a cota de 8% de ingressos destinada aos torcedores iranianos.

As diretrizes migratórias americanas impactaram profissionais de outras delegações que desembarcaram no país. O centroavante Aymen Hussein, do Iraque, foi retido por sete horas para interrogatório logo após o pouso no aeroporto de Chicago. Na mesma comitiva, o fotógrafo oficial iraquiano teve os arquivos do aparelho celular inspecionados e o acesso ao território negado.

O caso de maior repercussão internacional envolveu o árbitro Omar Artan, nascido na Somália. Credenciado pela Fifa após comandar a final da Champions League africana, o juiz foi barrado ao desembarcar no aeroporto de Miami e obrigado a retornar ao seu país de origem. A comunidade somali tem sido alvo frequente de discursos e operações federais nos Estados Unidos.

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