13/07/2026 11:46:00 - Atualizado em 13/07/2026 11:48:00

Alerta no Mundial: Copa registra ao menos sete casos de racismo

Redação RedeTV!

O atacante francês Mbappé é o principal alvo

(Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Pouco mais de um mês após o início da Copa, o principal torneio de futebol do planeta já contabiliza ao menos sete casos ou denúncias de racismo. Os episódios envolvem jogadores, árbitros, técnicos, autoridades e influenciadores digitais. O cenário preocupa a entidade máxima do esporte, que enfrenta uma onda crescente de discriminação dentro e fora dos estádios.

O episódio mais recente ocorreu neste último domingo (12), quando políticos franceses denunciaram um artigo escrito por Mariano Rajoy, ex-presidente do governo espanhol. O político conservador do Partido Popular afirmou que a seleção da França "já não tinha franceses". A declaração gerou forte reação internacional e foi classificada como racista e xenófoba, ocorrendo às vésperas da semifinal entre os dois países.

Paralelamente, a Fifa informou um aumento expressivo de ataques digitais. O monitoramento de mais de seis milhões de publicações identificou 89 mil mensagens abusivas na fase de grupos, volume 13 vezes maior do que em 2022. Desse total, 11% apresentaram caráter estritamente racial. O principal alvo dessas manifestações tem sido o atacante francês Kylian Mbappé.

Após a eliminação do Paraguai, uma senadora daquele país publicou mensagens ofensivas direcionadas ao camisa 10 da França nas redes sociais. A parlamentar chamou o atleta de "arrogante" e "feio", além de proferir ofensas de cunho racial. A autoridade paraguaia escreveu textualmente: "Esse bruto nem aprendeu a escrever. Em vez de leite materno, mamou em cocos, e os seres mais instruídos que ouviu foram chimpanzés".

Outro caso envolveu o influenciador americano IShowSpeed, que acompanhava a seleção de Cabo Verde na partida contra a Argentina. O criador de conteúdo foi alvo de insultos racistas por parte de torcedores dentro do estádio. A Fifa abriu uma investigação oficial sobre o ocorrido após a circulação de vídeos que registram as hostilidades nas arquibancadas.

Ainda no confronto diante dos argentinos, o técnico da seleção do Egito cruzou os braços em forma de "X" após sofrer um gol. O gesto é o símbolo oficial adotado pela federação internacional para denunciar atos discriminatórios e serve para o árbitro iniciar o protocolo antirracismo. Apesar do protesto do comandante egípcio, o procedimento de interrupção da partida não foi acionado.

Na primeira semana da competição, um árbitro de vídeo também foi investigado por um suposto gesto racista. O profissional fez um sinal com os dedos associado a grupos supremacistas brancos. A entidade máxima do futebol abriu um processo interno para apurar a conduta, mas concluiu que não havia elementos para caracterizar discriminação e inocentou o profissional.

Por fim, o ex-jogador e tetracampeão mundial Bastian Schweinsteiger foi acusado de discriminação durante uma transmissão da TV alemã. O ex-meio-campista utilizou o termo "selvagem" para definir o estilo de jogo da seleção da Costa do Marfim. A declaração foi duramente criticada pela imprensa local e por especialistas, que apontaram a reprodução de estereótipos contra equipes do continente africano. Esta é a primeira edição do Mundial em que a Fifa adota oficialmente o protocolo que prevê a paralisação de jogos em caso de injúria racial, embora o recurso ainda não tenha sido utilizado em campo.

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