BASTIDORES DO CARNAVAL

Elogiou o tema da agremiação

Rainha de bateria da Mangueira, Evelyn Bastos diz que maior vitória é a exaltação do "poder preto"


Publicada:06/03/2019 18:33:00
Redação/RedeTV!

(Foto: Reprodução/Instagram)

A vitoriosa Mangueira ganhou o Carnaval 2019 com uma rainha de bateria que está distante do mundo das celebridades, mas muito próxima do tema do samba-enredo com que a agremiação desfilou no segundo dia do Grupo Especial no Rio de Janeiro. Evelyn Bastos, uma mulher negra, de periferia, faz questão de reforçar a importância da luta do povo negro na sociedade contemporânea

Nesta quarta-feira (6), duas horas antes de sair o resultado sobre a escola vencedora do Carnaval 2019, na Sapucaí, Evelyn comemorou a vitória da Mangueira por ter trazido, no samba-enredo "História de Ninar para Gente Grande", o povo negro e indígena para o centro dos holofotes.

"Daqui a pouco os envelopes serão abertos. Conheceremos a campeã do carnaval 2019! Eu quero falar com você, o mangueirense, o ativista, o negro ou o mestiço ... falar que nós vencemos! Quando falamos do poder preto, do gritar do índio ao mundo inteiro, nós vencemos!", escreveu a rainha de bateria da Mangueira na rede social. "Quando uma favela desce agarrada na tua fantasia para falar de representatividade, vencemos!", continuou.

"Quando a comunidade se une pra honrar nossa raiz e nossa ancestralidade sem temer a opressão, nós vencemos! Quando o medo de soltar o verbo desaparece... nós vencemos! Quando entregamos a coroa à Dandara, Maria Felipa, Esperança Garcia, Mahin etc., nós vencemos!", disse Evelyn, que decidiu representar e contar a história da escrava Anastácia no desfile de Carnaval deste ano.

"Quando vi o meu morro chorar de emoção, eu percebi que vencemos! E essa história não será apagada dos nossos corações. O recado foi dado, as folhas em branco já podem serem ilustradas! E, por favor, pintem de preto e desenhe cocar", concluiu a rainha de bateria.

(Foto: Reprodução/Instagram)

Ao falar de escravidão, a escola de samba trouxe luz para várias questões do presente que ainda trazem resquícios desse passado. A escrava Anastácia, por exemplo, que Evelyn Bastos interpretou, sofreu não apenas por ser negra, mas por ser mulher. A personagem histórica não quis se render ao assédio sexual e moral que sofreu de um feitor de fazenda e, por isso, acabou sendo violentada e condenada a viver com uma máscara no rosto.

Não foi à toa que a Mangueira fez questão de lembrar da ex-vereadora Marielle Franco, no desfile, e de trazer nomes que mantêm ativa a luta das mulheres negras, como a cantora Alcione, que representou a Dandara dos Palmares no desfile.

(Foto: Reprodução/Instagram)

(Foto: Reprodução/Instagram)

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