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Túlio Maravilha lembra quando, no início da carreira, 'conquistou' Felipão mesmo não sendo "centroavante trombador"

Foto antiga mostra Túlio Maravilha no início da carreira com a camisa do Goiás (Foto: Reprodução)

Túlio Maravilha, que completa 48 anos nesta sexta-feira (2), conta que Felipão foi o segundo técnico a treiná-lo logo que o atacante subiu das categorias de base para a equipe principal do Goiás em 1988.

"Meu primeiro treinador foi o Carlos Gainete Filho, que também era do Sul. O Goiás tinha essa tradição de técnicos do sul, gaúchos, rígidos. Naquela época o Felipão era apenas Luiz Felipe, mas já tinha o bigodinho. Lembro uma passagem marcante. Estava começando, nervoso, acanhado, ansioso e o Felipão me disse o seguinte: 'Guri, vai lá e faça seu futebol como se tivesse jogando na base. E deixa que a responsabilidade é minha'. Depois disso me soltei, fiquei mais confiante e comecei a ser o Túlio que todos conheceram", lembra o ex-jogador em entrevista ao portal da RedeTV!.

"Ele (Felipão) respeitou as minhas características. O Goiás contratou um ou dois centroavantes trombadores no estilo que ele gosta, mas eu jogava porque o time do Goiás era técnico, o entrosamento era melhor. Acabei tendo a oportunidade e me consolidei", destaca Túlio, que não coloca no comandante toda a culpa da goleada sofrida pela seleção brasileira contra a Alemanha na Copa do Mundo de 2014: "Ele (Felipão) foi injustiçado pois treinador nenhum entra em campo e resolve. Qual técnico quer montar um time para tomar de 7? Foi uma fatalidade, deu um branco, faltou um Dunga na concepção da palavra, um jogador que colocasse a bola nos braços e acalmasse a equipe. O Felipão pode ter errado na questão de escalar três atacantes e encarar a Alemanha de peito aberto".


Em 1987, um ano antes de treinar o Goiás de Túlio Maravilha, Felipão era técnico do Grêmio
(Foto: Reprodução)

Em novembro de 2016, aos 47 anos, Túlio Maravilha foi anunciado como reforço do Taboão da Serra, equipe na qual seu filho, Túlio Júnior, de 18 anos, atua. O veterano, no entanto, rescindiu o contrato por conta de compromissos profissionais. "Ia voltar, mas infelizmente pelos compromissos não era possível conciliar. Meu filho continua, está disputando o Campeonato Paulista sub-20 e está gostando, pegando experiência. Ele é lateral direito, mas quando tinha uns 12 anos era atacante. Foi passando os anos e ele falou: 'Pai, não tenho característica de atacante".

Agora com 48 anos, o artilheiro dos mil gols não pensa em voltar a jogar profissionalmente, muito menos ser dirigente ou treinador: "Passei quase 30 anos vivendo o futebol diretamente no campo e se me envolver novamente vou perder o que quero mais nessa vida que é curtir meus filhos, viajar, poder comemorar o aniversário com a família... Estou buscando mais qualidade de vida e continuo fazendo palestras, presenças VIP e eventos pelo Brasil como embaixador do Botafogo".

"Sou grato ao futebol por tudo que sou e que tenho. Essa palavrinha mágica 'futebol' me transformou e me mostrou para o Brasil e para o mundo inteiro. Sempre fui apaixonado por futebol, jogava de manhã, tarde e noite. Minha mãe brigava, mas era um vício. A partir daí fui tomando gosto e era só questão de tempo para virar profissional. Meu pai nunca jogou bola, mas sempre me levava para o Serra Dourada desde meus 8 anos até antes de virar profissional. Sempre torci para o Vila, minha família toda é vilanovense, mas fiz a base toda no Goiás", completa Túlio, que teve três passagens pelo Vila Nova e foi artilheiro do Campeonato Brasileiro da Série B pelo time em 2008.

Túlio Maravilha participa de eventos organizados pelo Botafogo. Quase todos lembram o título Brasileiro de 1995 (Foto: Reprodução/Facebook)

Mil gols

Em fevereiro de 2014, então com 44 anos, o artilheiro marcou seu milésimo gol na vitória do Araxá por 2 a 1 contra o Mamoré no Módulo II (2ª divisão) do Campeonato Mineiro. Túlio Maravilha afirma que não se importa com as críticas referentes à contagem dos gols: "Tanto eu, como Pelé e Romário fomos contestados, mas se colocar na realidade a carreira de cada um, todos foram artilheiros, tiveram recordes e ninguém vai questionar. Fui goleador das três primeiras divisões do Campeonato Brasileiro. Levo muito a frase dita por Pelé: 'Não dê bola para os invejosos que só sabem criticar'. Só eu sei o que passei para alcançar os mil gols".

[leiamais]O gol mais importante na carreira de Túlio, segundo ele, foi marcado no dia 17 de dezembro de 1995, no Pacaembu, no segundo jogo da final do Campeonato Brasileiro daquele ano. O empate por 1 a 1 contra o Santos garantiu o troféu para o Botafogo, que não conquistava um título nacional desde a Taça Brasil de 1968. "Foi um gol que me consolidou. Já vai fazer 22 anos aquele dia que entrei para a história do Botafogo. Participo de eventos, encontros, jogos, feijoadas, tudo relacionado ao Botafogo. É um carinho que não tem preço. Me considero embaixador do clube no Brasil e graças a Deus o time está muito bem atualmente", exalta ele.

"Tenho um único arrependimento na carreira: ter saído do Botafogo em 1997 para o Corinthians. Não por ter sido o Corinthians, mas acho que poderia ter ficado mais uns dois, três anos no Botafogo e conquistado mais títulos", finaliza Túlio Maravilha.

Em entrevista para Luiz Ceará, Túlio Maravilha relembra gols célebres e conta como foi jogar ao lado do filho: