Carnaval 2014 Rio de Janeiro

segunda-feira , 03 de março de 2014 07h07

Desfiles têm 1º dia com poucos imprevistos no Rio

Redação/RedeTV! com Agência Estado

Salgueiro em desfile na Sapucaí (Foto: Reuters)

O samba-enredo na ponta da língua dos componentes e do público não foi suficiente para que a Império da Tijuca ganhasse boa crítica por estar no Grupo Especial. A escola abriu a primeira noite da elite do carnaval carioca com a influência na cultura brasileira dos ritmos africanos trazidos pelos escravos no século 16. Os pontos negativos na visão dos críticos foram a ausência de criatividade e de recursos, já que os carros alegóricos e fantasias eram simples. Houve falhas em evolução e conjunto. O primeiro e o segundo carros, com representações de negros e seus atabaques, eram bem parecidos nos adereços, e os tripés estavam carentes de função. O último carro, uma homenagem ao Morro da Formiga, onde a escola nasceu, nos anos 1950, com formigas gigantes, também não agradou. O ponto positivo ficou por conta do casal de mestre-sala e porta-bandeira, que fez passos característicos do candomblé bem vistos diante dos jurados.

Veja mais:

>>>Império da Tijuca volta ao Grupo Especial com bom samba

>>>Grande Rio mostra um dos defiles mais ricos do ano

>>>São Clemente fala das favelas e dos excluídos

>>>Mangueira traz os fetejos brasileiros para a avenida

>>>Salgueiro fala da criação do mundo a partir de Gaia

>>>Beija-Flor entra na Sapucaí para homenagear Boni

A Grande Rio, segunda escola a se apresentar no Grupo Especial, entrou na Sapucaí por volta das 22h30 com um desfile considerado rico. Com patrocínio de R$ 4,5 milhões da administração petista da cidade de Maricá, a escola de Caxias não poupou nos gastos: a fantasia do mestre-sala Fabrício teve detalhes banhados a ouro e a porta-bandeira Verônica se apresentou com fantasia ornada com 15 mil penas de faisão. Também não houve alas vendidas - todas as fantasias foram doadas para a comunidade. O enredo, considerado confuso, falou sobre Maricá, cidade a 60 quilômetros da capital fluminense. A cantora Maysa, que declarou só ter sido feliz na cidade, foi homenageada. Christiane Torloni fez aulas de samba com o dançarino Carlinhos de Jesus e foi a madrinha de bateria da escola, posto que já foi ocupado por Suzana Vieira, Carla Prata e Paola Oliveira.

Neste ano, a São Clemente, terceira escola a desfilar, falou sobre favelas. Grande parte dos integrantes são dos morros Dona Marta e Vidigal, na zona sul do Rio de Janeiro. O carnavalesco Max Lopes fez referências aos excluídos, pobres e retirantes,  às periguetes, aos vendedores ambulantes, motoqueiros e funkeiros. O ponto baixo foi problema na evolução. Além disso, o público não deu muito retorno ao desfile. Em um dos carros, o destaque foi uma piscina de plástico. Com apenas 15 anos a rainha de bateria Raphaela Gomes fez sua estreia no posto vestida de funkeira e comandando o baile da escola de Botafogo. 

A Mangueira 'verde-e-rosa' entrou na avenida do samba em seguida para saudar o povo brasileiro e seus principais festejos. As comemorações juninas, o boi-bumbá, a folia de reis, o réveillon, o congado, as procissões religiosas e o próprio Carnaval compuseram o desfile da carnavalesca Rosa Magalhães. A parada gay foi simbolizada por drag queens e por um carro cheio de portas de armários, dos quais saíram 40 homossexuais assumidos. O único problema da apresentação foi a retirada de uma peça de um dos carros alegóricos, que extrapolou o limite de altura e entalou na avenida.

Já o Salgueiro falou da criação do mundo a partir de Gaia, a deusa grega da Terra. No enredo, foram representados os quatro elementos: terra, água, fogo e ar, e seus orixás correspondentes. Pequenos problemas de fumaça e iluminação foram registrados na avenida. O carro abre-alas quebrou no início e deixou espaço na pista, o que pode ser prejudicial na contagem de pontos. Divindades africanas apareceram em diversas alas. Um dos momentos chamativos foi um truque de levitação. Viviane Araújo foi a artista que entrou como rainha de bateria. 

O diretor de TV José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, foi o homenageado da Beija-Flor de Nilópolis. Como ele já atuiu em diversas frentes - rádio, TV, publicidade, internet -, a escola decidiu contar em seu desfile a história da comunicação, desde os primeiros escritos até a era tecnológica. Lima Duarte, Tony Ramos, Tarcísio Meira e Faustão estiveram presentes no desfile. Amigo do patrono da escola, Aniz Abrão David, Boni participou de toda a idealização e execução da apresentação, indo ao barracão até duas vezes por semana. No final do desfile, um destaque no alto de um carro alegórico perdeu parte da fantasia ao se chocar com a torre de TV. Câmeras no último carro capturaram imagens da plateia da Sapucaí e foram exibidas em telhes. O enredo foi interpretado por Neguinho da Beija-Flor.