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Textos e vdeos da equipe de jornalistas do Portal da RedeTV!. Contedos exclusivos com a opinio dos redatores e tambm a cobertura dos bastidores do trabalho da redao.
 
 
postado em 09/11/2016 15h42
A zebra na Casa Branca

(Foto: Reuters)

 

Por Luiz Anversa

 

A eleição de Donald Trump deve ter surpreendido até alienígenas que gostam de acompanhar a política em alguns países da Terra. O outsider teve uma vitória humilhante contra Clinton e os Democratas.

Acompanhei a apuração desde o início. Os números no Colégio Eleitoral de Trump teimavam em não baixar, e os de Hillary mostravam dificuldade em manter o fôlego na corrida.

Já no começo da madrugada brasileira, a situação da Democrata tornou-se oficialmente desesperadora. Nos Estados fundamentais para a vitória, seu desempenho foi patético. Para dizer o mínimo.

Analisemos as últimas quatro eleições presidenciais: desde 2000, quando Bush II ganhou de Gore por um nariz de vantagem, Wisconsin sempre votou com Democratas. Não em 2016. Pensilvânia, idem. Só aqui temos 30 votos.

A cobiçada Flórida, que seguiu Obama nos dois últimos pleitos, caiu nos braços de Trump e seu topete. Em Ohio aconteceu a mesma situação, assim como em Iowa. A conta aqui fecha em 53 delegados, quase 10% do total do Colégio Eleitoral.

Até o momento, Hillary tinha 218 votos, no pior desempenho para um Democrata desde Michael Dukakis, em 1988, quando foi estraçalhado por Bush Pai por 426 a 111.

Já Trump foi o melhor Republicano nas urnas também desde a eleição citada acima. Com 289 votos computados, superou Bush Filho em suas duas vitórias, quando marcou 271 e 286, respectivamente em 2000 e 2004.

Alguns pontos podem ser facilmente analisados. O clã Clinton acabou de forma vergonhosa. O Partido Republicano precisará repensar como irá lidar com a figura de Trump, que nunca teve a simpatia dos caciques da legenda. Alguns deles, inclusive, pediram para que o magnata abandonasse a disputa quando os escândalos mais cabeludos começaram a pipocar.

No Congresso, os Democratas não conseguiram retomar o controle de uma das Casas. Mesmo assim, os parlamentares Republicanos devem fazer marcação cerrada com o novo presidente, sobretudo nas questões comerciais. Lembrando que Donald propôs quase uma guerra comercial contra a China. As duas maiores economias do planeta se estranhando num tom acima do saudável não é bom para ninguém.

Na política internacional, Trump deve ser o presidente mais isolacionista da era moderna dos EUA. O mantra “cada um com seus problemas” é o desejado pelo novo ocupante da Casa Branca. Síria, Oriente Médio, Ucrânia e afins…

Sobre os muçulmanos e o México, ainda é cedo para dizer o que ele vai fazer. Deportar todos os seguidores daquela religião e construir um muro na fronteira com o vizinho do Sul parece algo totalmente absurdo. Mas essa palavra também foi muito utilizada para classificar uma possível eleição de Trump. Então…

Para o Brasil, nada, a princípio, vai mudar. Continuamos na periferia do mundo, tentando sair da pior crise econômica de nossa história recente. Seremos afetados, claro, se um terremoto atingir o PIB global. Algumas promessas de Trump podem causar isso.

Mas uma pergunta martelou minha enorme cabeça durante a madrugada: será que Donald Trump vai dispensar algum secretário com seu famoso bordão You’re fired? A realidade virou um show de televisão.

***

 

ps: apesar de deslizes na política externa, Barack Obama fará falta. Podem ter certeza.

colunistas@redetv.com.br
 
 
postado em 04/10/2016 19h52
"Eu achei que ele fosse me matar" - A violncia contra a mulher no Brasil


Por Bruna Baddini/RedeTV!
bruna.tavares@redetv.com.br


No dia 7 de agosto deste ano a Lei Maria da Penha completou sua primeira década de vigência. Apenas em 2006, quando foi criada, mais de 16 mil casos de violência contra a mulher foram registrados em todo o país. Em 2014, mais de 147 mil mulheres foram atendidas no Sistema Público de Saúde vítimas de violência, dos quais 72% dos casos as agressões foram cometidas por um homem do convívio próximo, segundo dados levantados pela Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR).

A violência contra a mulher continua aniquilando vidas e assassinando histórias. Sejam mães, esposas, filhas ou namoradas, são cidadãs que vassalas da vontade masculina, redundam em mais um número dentro das estatísticas. Embora a criação da Lei Maria da Penha tenha significado um avanço na história nacional como instrumento legal de coibir e punir a violência doméstica, a lei não é sozinha suficiente para erradicar o crime no Brasil. É o que explica Reni Simone, advogada e professora de Direito de Família e Sucessões.

“São mulheres diariamente agredidas e violentadas. O que mais preocupa é que a procura por ajuda, mesmo através de delegacias especializadas, não impede que esses crimes voltem a acontecer. Em outras palavras, mesmo que essas mulheres procurem órgãos públicos competentes, não é garantido que o agressor seja de fato preso. Muitas vezes, elas encontram ambientes hostis, além de serem questionadas e culpabilizadas pelas agressões”, contou.

Maria José, ou Zefa, como gosta de ser chamada, não esperou do Estado atitude para se livrar das agressões do marido violento. Sergipana, foi casada pelos pais aos 16 anos e teve uma filha fruto de um relacionamento abusivo. Sobrevivente da agressividade e do medo, ela é mais uma entre tantas brasileiras vítimas da violência contra a mulher.

“Eu achei que ele fosse me matar”, confessou, ao narrar firme sua história de superação.  Embargado pela bebida e brutalidade, o marido quebrou os pés de Zefa, cortou seus cabelos e abusou do seu corpo. Não via destino senão a morte quando fugiu do agressor. Com a filha de apenas um ano nos braços, deixou o interior de Sergipe e fugiu para São Paulo. 

“Era a minha vida, a vida da minha filha, ou a dele. Eu peguei só os documentos e a roupa do corpo”, contou. Mas a vida de mãe solteira na capital paulista não foi mais justa. Dormiu na sarjeta por uma semana, até encontrar em uma casa de família o trabalho de empregada. Hoje, aos 50 anos, seus olhos refletem a força de uma mulher que criou sozinha uma filha e conta orgulhosa sua história de superação. 

Na penumbra da violência, está o crime de honra, o assassinato por lesbofobia, o estupro matrimonial, permeando a ideia de que a esposa pertence ao marido, assim com a filha ao pai, ou a namorada ao companheiro. Mas embora a percepção social de que a vida e a sobrevivência feminina está vinculada à vontade masculina, há uma luz no fim do túnel. 

Sancionada no dia 9 de março de 2015 pela presidente Dilma Rousseff, a lei de 13.104, também conhecida como a Lei do Feminicídio, tornou-se uma aliada à Maria da Penha na luta para erradicar a violência contra a mulher, tornando o assassinato de mulheres crime hediondo, com penas que podem variar de 12 a 30 anos de reclusão.

Mas são também nas estatísticas que se percebe a realidade cruel da violência, ainda forte no contexto brasileiro. Segundo o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), apenas no espaço de dez anos, entre 2003 e 2013, o total de vítimas de feminicídio passou de 3.937 a 4.762: aumento equivalente a 17%.  Ainda de acordo com o SIM, desses homicídios, 50,3% foram cometidos por familiares. A cada duas mulheres assassinadas no Brasil, uma teve sua vida arrancada por alguém do convívio próximo.
 
A aposentada Nena Gonçalves perdeu a filha Mariana para a obsessão do genro Reginaldo da Silva. “Eu demorei pra entender o que tava acontecido. Ela foi se afastando da gente. Meu mundo caiu quando eu descobri o que ele tinha feito com a minha menina”, contou. Mascarada de excesso de amor, a primeira pancada de Reginaldo marcou a pele da esposa. A segunda, ciúmes de um vizinho, quebrou seu quadril. E terceira e tantas outras se seguiram. Até que, fatal, ele tirou a vida de Mariana. Reginaldo foi condenado em 2005 a 15 anos de prisão por crime passional.  

Para denunciar um caso de violência doméstica basta comparecer em qualquer delegacia ou ligar para a Central de Atendimento à Mulher pelo 180. Além de ser gratuita, a Secretaria de Políticas para as Mulheres garante o anonimato. É possível ainda procurar a prefeitura de sua cidade, que acolhe e oferece apoio para as mulheres vítimas de violência. 


colunistas@redetv.com.br
 
 
postado em 04/07/2016 18h19
"O dio o alimento dos fracassados"

 

Por Luiz Anversa

 

Uma Estrela na Escuridão (Editora Ateliê de Palavras) é o título mais que adequado do livro do historiador Gabriel Davi Pierin sobre Andor Stern. E quem é o sr. Stern?

Pelo que se tem notícia, é o único brasileiro sobrevivente do holocausto nazista. Tive o prazer e a oportunidade histórica de conversar com Andor no dia 24, pouco antes do lançamento da obra num shopping da zona sul paulistana.

Aos 88 anos, à primeira vista, o sr. Stern não parece ter passado por toda aquela tragédia. Está completamente lúcido e dá detalhes de como o ser humano pode ser infinitamente pior que o mais selvagem dos animais.

De família de judeus húngaros, seu pai, médico, cuidava de trabalhadores de uma mina em Minas Gerais. “Aquilo ali parecia um campo de concentração. As pessoas tinham lepra e sífilis”, contou.

O trabalho do pai fez com que fossem para a Índia. De lá, foram para a Hungria – Andor tinha dois anos quando chegou ao país europeu.

O sr. Stern esteve nos campos de Auschwitz-Birkenau, Dachau, Muhldorf e Waldlager, além do Gueto de Varsóvia. Em Sheeshaupt, na região da Baviera, foi libertado em 1945. Três anos depois, chegou ao Brasil e se estabeleceu em São Paulo, cidade em que nasceu e vive até hoje.

A mãe de Andor morreu pelas mãos dos nazistas e seu pai abandonou a família durante a guerra. Apenas em 1968 foi localizado, com a ajuda da Cruz Vermelha, na Espanha. Os dois mantiveram contato até 1972, ano da morte de Estevam Stern.

O sr. Stern e o professor Pierin refizeram todo o “trajeto do mal” em 2014. Na mesma cidade alemã em que Andor conseguiu a tão sonhada liberdade podemos encontrar uma das mais belas passagens do livro.

Buscando informações sobre o local em que se prestavam as homenagens aos judeus, um alemão se propôs a ajudá-los. Ao final das andanças, o “guia” falou: “Sinto muito pelo que aconteceu com você e seu povo. Perdão”.

Andor é bem categórico quando o assunto é antissemitismo: “Sempre vai haver. Não foi Hitler que inventou”.

Como sobrevivente que é, deixa a mensagem mais otimista possível: “A vida foi muito generosa comigo. A vantagem que tenho é que nada pode ser tão ruim quanto aquilo que passei”.

Vamos aprender um pouco com o sr. Stern.

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postado em 24/06/2016 16h55
Reino Unido fica mais fraco e UE em risco

O líder nacionalista Nigel Farage ficou feliz com o resultado (Reuters)


Por Luiz Anversa (luiz.anversa@redetv.com.br)


A votação histórica do Reino Unido pela não permanência na União Europeia mostra como os súditos da rainha estão bem divididos sobre o assunto.

As pesquisas oficiais apontaram que o “Não” ganhou por 52% a 48% do “Sim” – algo em torno de 1,3 milhão de votos de diferença. Os institutos locais novamente erraram pois previam a vitória do “Sim”, mesmo que apertada. Não foi um erro tão grotesco quanto das eleições gerais de 2015.

O curioso é analisar como cada região do Reino Unido pensa.

A Escócia votou majoritariamente pela permanência na UE (62% x 38%). Já o País de Gales optou pela saída (52,5% x 47,5%). A Irlanda do Norte quis ficar na UE (55% x 44%). Em Londres, 60% dos eleitores votaram pelo “Sim”.

As regiões costeiras e do interior do Inglaterra, com populações mais conservadoras, optaram majoritariamente pela saída do bloco.

A divisão também ficou clara na demografia. No grupo das pessoas jovens (18-24 anos), 64% disseram ter escolhido o “Sim”, opção de apenas 33% dos britânicos entre 50 e 64 anos.

O premiê David Cameron, o grande derrotado politicamente desse episódio, anunciou sua renúncia à Rainha Elizabeth II. Um novo primeiro-ministro deve ser escolhido em outubro. Cameron, que venceu o último pleito em 2015, havia prometido o plebiscito aos britânicos. Só não esperava o resultado salgado.

O Reino Unido como conhecemos pode mudar bastante. A premiê da Escócia, Nicola Sturgeon, disse ser “muito provável” a realização de um novo plebiscito sobre a independência da Escócia. “Não queremos deixar a UE”, falou. Em 2014 os escoceses realizaram um plebiscito sobre a permanência no Reino Unido (55% optaram por continuar, contra 44% que pediam a independência). Dessa fatia que pedia a continuidade, boa parte o fez por causa da UE.

Agora, a saída da Escócia do Reino Unido depois de mais de 300 anos tem grandes chances de se concretizar. Os mapas escolares precisarão ser remodelados.

O preocupante é que movimentos xenófobos em Itália, França, Holanda e Dinamarca já reivindicam plebiscitos a respeito da UE. O maior bloco político-econômico do planeta pode ruir em razão de uma promessa eleitoral tacanha do demissionário premiê Cameron.

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postado em 24/03/2016 15h39
Faca de trs - ou mais - gumes
Por Gabrielle Bertoni, estudante de jornalismo e estagiária do Portal da RedeTV!
gabrielle.bertoni@redetv.com.br

Em meio à esse auê político todo, me sinto no direito de defender não só a democracia, não só os menos favorecidos, não só a economia, como também julgo indispensável falar sobre verdade, honestidade e principalmente respeito. Sei que é um pouco complicado falar sobre valores quando o país atravessa um período difícil e delicado, mas é algo que se faz necessário.

Desde que a Polícia Federal 'apareceu' na casa do ex-presidente Lula para obrigá-lo a depor, no começo deste mês de março, o país se transformou em um verdadeiro campo de caos. Com petralhas, tucanalhas e canalhas soltando faíscas à troco de nada por tudo quanto é lado, a ansiedade pelo dia em que isso estará 'apenas' nos livros de história é grande. 

De um lado, há aquelas pessoas que defendem com unhas e dentes a 'força vermelha' do país. A ideia de que Lula - e o PT -  fizeram um bem danado para o Brasil permeia alguns discursos pró-governo que apareceram na internet por esses dias. Vale lembrar, que esse é um fato incontestável. Tirou muita gente da pobreza, fez com que 35 milhões de pessoas ascendessem à classe média em 2012, segundo relatório da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, e colocou o país em ótimas posições em rankings internacionais nos quesitos fome e moradia, por exemplo.

Sobre todos esses feitos ao longo dos anos, a pergunta que sempre me faço é: será que o método para 'aumentar o poder aquisitivo' da população utilizado por ele(s) foi o melhor, considerando assuntos educacionais e culturais para exemplificar o que quero dizer? Não sei.

Em um outro extremo do 'bafafá', estão os famosos coxinhas. A oposição. Vestida de verde e amarelo para esconder o coração azul que eles carregam no peito. Tomada por uma classe de pessoas que se consideram 'estudadas e bem aculturadas', eles saem às ruas com um único objetivo principal: tirar o PT do governo - seja por impeachment, implorando por renúncia da presidente Dilma, quebra-quebra ou quaisquer outros métodos que é possível ler e ouvir por aí, sejam eles bizarros ou não.

As indagações e indignações desse povo que fez, e ainda faz, questão de ir para a Avenida Paulista saudar o juiz Sergio Moro e condenar Lula e Dilma é um tanto quanto compreensível. A economia do país nos últimos meses tem transitado entre os níveis 'ruim e péssimo'. Inflação terrível, dívida gigante que não acaba nunca e empresas demitindo funcionários à rodo, fazendo com que 9,1 milhões de pessoas ficassem desempregadas, um recorde de acordo com relatório do IBGE sobre o último trimestre do ano de 2015.

A primeira ação, em contra-partida à esse cenário, qual seria? Reclamar e condenar as pessoas que teoricamente 'cuidam' do país? Talvez. Que isso não é culpa de uma só pessoa ou de um só partido é evidente. Mas a combinação de fatos históricos + escolhas mal feitas - como diria uma ótima professora que tive na faculdade - resultaram nisso que temos hoje.

Por fim, quem perde com tudo isso? Todo mundo. E quem condena o governo, de modo unilateral e irônico? Os de verde-e-amarelo.

Além dessas duas panelas, com pensamentos e anseios um tanto quanto distintos, ainda há um outro 'grupo de pessoas', que na verdade compõem o terceiro gume desta faca. Seus integrantes não estão preocupados com camisetas vermelhas ou azuis, com impeachment ou golpe ou com Dilma ou Aécio, na essência disso tudo. O que realmente importa, para eles, é que quem fez coisa errada vá para onde deve ir e quem não fez nada de mais continue onde está, até quando tiver de ser.

O país tem um histórico horrível de falhas, roubos, egoísmos, desonestidades e egocentrismos. Há quem goste de chamar isso de 'herança cultural' e há quem torça para que isso reduza à níveis baixíssimos, ocasionando em exceções à regra ao invés de identidades pré-conceituadas.

Que centenas deles roubam e sambam na cara da sociedade, isso todo mundo já sabe. O que não é muito legal de se ver é enquanto uns protegem um lado horrível, o opositor à este está tão ruim quanto, não deixando margem para que a pessoa defenda o A ou o B. Reivindicar pelo azul ou pelo vermelho já não faz tanto sentido, uma vez que as ideologias por traz 'das cores' foram jogadas ao vento há tempos. 

Agora, ir em busca de verdades e justiças, com um único objetivo de libertar a nação dos cabrestos que muitos vestem, isso sim parece funcionar um pouco melhor. Uma vez que o ser humano é corrompido desde quando ele nasce, a ideia de um mundo livre de corrupções se torna utópica. Mas que criar seres humanos pensantes, de bem e em busca de algo possa reformar uma sociedade, isso não há estudos ou pesquisas no mundo que sejam capazes de gerar um contraponto. 
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postado em 13/08/2015 16h20
Tom Cruise: astro analgico na era digital
Por Gustavo Gobbi, redator no Portal da RedeTV! e estudante de cinema
gustavograndino@gmail.com

Logo de cara, "Missão: Impossível - Nação Secreta" coloca Tom Cruise agarrado a porta de um avião-cargueiro enquanto este decola. Não havia truques ali: era mesmo Cruise pendurado no avião, e para finalizar a cena ao gosto do diretor, precisou fazer a mesma proeza oito vezes. Poucos minutos depois, Ethan Hunt, o personagem de Cruise, recebe a notificação de uma missão através de um disco de vinil. Essas pequenas 'dicas' parecem apontar para o fato de que, apesar de viver em uma era digital, Tom Cruise é um astro analógico, puramente 'old school'.

É comum se ver hoje em dia filmes de grande orçamento com uma profusão de efeitos especiais. Basta fazer uma rápida comparação entre a produção mais vista de 2015, "Jurassic World" (terceira maior bilheteria da história, com mais de US$ 1.581 bilhão em caixa), e seu progenitor, "Jurassic Park", de 1993. Enquanto que o filme original se ancorou em dinossauros, em sua maioria, animatrônicos, a nova sequência possui apenas uma cena em que um 'dinossauro real' foi construído para contracenar com os atores. Não por acaso, é uma dos poucos momentos que encontra alguma emoção verdadeira na nova película. 

Cruise não é nenhum novato quando se trata de fazer suas próprias cenas de ação: o ator exigiu estar presente na cabine dos caças militares de "Top Gun", em 1986, e, em "Missão: Impossível - Protocolo Fantasma", o quarto filme da série, se pendurou no topo do prédio Burj Khalifa, nos Emirados Árabes, edifício mais alto do mundo, para a realizar uma fantástica cena de ação que deixou os espectadores na ponta do assento. O comprometimento do ator com o filme era tanto que, para realizar a cena, precisou demitir a companhia que cuidava do seu seguro de vida no longa e achar outra empresa que aceitasse as condições do astro.

Cruise falou recentemente com o apresentador norte-americano Jimmy Fallon, e comentou como foi ficar agarrado à porta de um Airbus 400: "Ele me amarraram ao lado do avião e então ligaram os motores. Eu conversei com o piloto antes, pois eu também gosto de pilotar aviões, e pedi: 'Gostaria que você calculasse bem o ângulo da decolagem, pois eu quero que as minhas pernas fiquem batendo contra a parede do avião'. Ele olhou para mim sorrindo e disse: 'Sim, isso não será um problema'. No primeiro take, estávamos indo tão rápido que as minhas pernas batiam descontroladamente na fuselagem e eu comecei a pensar: 'Talvez isso não tenha sido uma ideia tão boa'. Eu só não queria ser atingido por um pássaro ou qualquer partícula… Eu fui atingido por uma pequena pedra e quase quebrei uma costela. A dor foi horrível. Eu faço isso pois eu quero entreter a plateia. Eu faço por vocês".

O esforço parece ter dado certo: "Nação Secreta" atualmente goza de saudáveis 75% no site Metacritic, que reúne resenhas de críticos ao redor do mundo, e liderou as bilheterias norte-americanas pelo segundo final de semana seguido. A produção já arrecadou mais de US$ 111 milhões no país e tem avaliação de "A-" no site Cinemascore, que analisa a opinião do público que acabou de sair de uma sessão do filme. 

Pelo visto, ninguém está cansado de Tom Cruise.
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postado em 12/08/2015 12h43
Sense8: uma srie arriscada e certeira
O mundo das sries, costumado histrias repetidas e com poucos questionamentos, teve um supreendente impacto ao caso de ficco cientfica que os consagrados irmos Wachowskis - dupla tambm responsvel por Matrix - decidiram levar s telas da Netflix. leia mais
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postado em 29/07/2015 17h54
Tratando a causa. Ou o efeito?

Por Gabrielle Bertoni, estudante de jornalismo e estagiária do Portal da RedeTV!
gabrielle.bertoni@redetv.com.br


Benedito Domingos é um ex-deputado (PP-DF) que há 22 anos propôs uma  emenda à Constituição (PEC 171/1993) que analisaria a proposta de reduzir a idade mínima para a responsabilização penal de 18, para 16 anos. No dia 31 de Março deste ano (2015), foi criada uma comissão especial na Câmara dos Deputados com o intuito de colocar novamente este tema em voga. Como justificativa da PEC, o ex-deputado afirma que a maioridade penal em nosso país foi imposta no ano de 1940, e que os jovens dessa época “tinham um desenvolvimento mental inferior aos jovens de hoje com a mesma idade”.

Agora, alguns meses após a ‘recolocação’ desta ideia na Câmera, e a ‘aprovação’ da mesma no Senado, a pergunta que fica é a seguinte: reduzir a maioridade penal, em nosso país, diminuirá efetivamente a violência?

No Brasil, a partir dos 12 anos, qualquer adolescente é responsabilizado por qualquer ato cometido contra a lei. Essa responsabilização, executada por medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, visa ajudá-lo a recomeçar e preparar esse jovem para uma vida socialmente normal e correta. Porém, não é bem assim que funciona. 

Muitos adolescentes que têm a sua liberdade privada não são colocados em instituições preparadas para a sua reabilitação. A lei está aí, mas não é cumprida em sua totalidade.

Não existem dados que comprovem que a redução da idade penal rebaixa os índices de criminalidade juvenil. Na realidade, nos 54 países que diminuíram a maioridade, não se registrou redução da violência e, inclusive, 
grandes países como Espanha e Alemanha voltaram atrás em sua decisão de criminalizar menores de 18 anos. 

Usar o sofrimento de pessoas que têm algumas ocorrências arquivadas em seu histórico, sem oferecer argumentos sólidos e ‘futuristas’, é visto como um retrocesso. O Estado Brasileiro tem a fama de resolver problemas com medidas imediatistas e muitas vezes inconsequentes, das quais iludem a população dando uma solução ‘rápida’ para algo, e 20 anos depois, sociólogos, historiadores, economistas ou até mesmo políticos aparecem com um discurso que começa com “se não tivessem feito aquilo, hoje a situação estaria diferente”. Basicamente a ideia de ‘tapar o sol com a peneira’.

Com uma breve comparação entre Brasil e Japão, em um dado período histórico onde o país oriental estava investindo em educação e desenvolvimento tecnológico, a “pátria amada” estava muito ocupada aquecendo a economia e deixando ‘básico’ em um segundo plano. Quanto aos resultados dos investimentos de ambos os países, não é preciso comentar, né?

“Investir em educação demora”, “vamos ajeitar as coisas por agora e depois a gente trata o problema pela raiz”, “quem não quer ver um menor preso, que o pegue e leve pra casa”. Argumentos comumente vistos e que, mais uma vez, retratam a realidade do ‘tapar o sol com a peneira’. Adolescente nenhum vai entrar em uma cadeia e sair um cidadão melhor. Criança nenhuma nasce criminosa ou perigosa. País nenhum vai se transformar em uma ‘pátria educadora’, priorizando grades ao invés de escolas, leis ao invés de livros.

Defender a meritocracia é fácil. Cada um tem aquilo que lutou para ter, chegou onde lutou para chegar. Mas, em um mundo onde diz “levante e amarre seus próprios cadarços”, a resposta vem de Marthin Luther King: “é cruel dizer isso a um homem descalço”.*
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postado em 02/07/2015 16h19
Opinio: Barrios a pea que falta para o Palmeiras brigar pelo G4
Barrios marcou o único gol do Paraguai na goleada contra a Argentina (Foto: Reuters)

Por André Lucena/RedeTV!
andre.mendes@redetv.com.br


Com os 2 a 0 contra a Chapecoense na noite da última quarta-feira (1), o Palmeiras conquistou a segunda vitória consecutiva no Campeonato Brasileiro e sem sofrer gols. Estive no Allianz Parque e pude assistir a uma atuação mediana porém segura do time treinado por Marcelo Oliveira.

Penso que, atuando no 4-4-2, o Verdão rende mais do que no 4-2-3-1 utilizado pelo novo técnico na formação inicial nos jogos contra Grêmio, São Paulo e Chapecoense.

Se o único meia, que vem sendo Robinho, for bem marcado, a única opção de jogada acaba sendo nos repetidos lançamentos pelo alto para Rafael Marques e/ou Leandro Pereira. Isto porque Gabriel e Arouca, ótimos marcadores, têm bastante dificuldade na saída de bola.

Gabriel, aliás, foi a melhor contratação do Palmeiras no ano (mérito de Alexandre Mattos que, diferente de José Carlos Brunoro, soube contratar bem e aproveitar as oportunidades do mercado). O volante de 23 anos corre o campo todo incansavelmente, vibra, não se machuca e já fez dois gols na temporada em belos chutes de fora da área.

O que falta para o Verdão brigar por uma vaga entre os primeiros colocados é um bom centroavante. Leandro Pereira destoa negativamente. Cristaldo também. Apesar da raça e dos 11 gols marcados pelo argentino em 2015, ele está longe de ser a "referência" de um time que quer ser campeão.

Lucas Barrios tem tudo para ser a peça que falta para o Palmeiras ter regularidade. O atacante mostrou que pode repetir as boas temporadas que fez pelo Colo-Colo (do Chile) e Borussia Dortmund (da Alemanha) ao marcar três gols nesta Copa América pelo Paraguai, sendo dois deles contra a atual vice-campeã mundial Argentina.

Sendo assim, acredito que o Palmeiras ideal iniciaria suas partidas com a seguinte formação: Fernando Prass; Lucas, Victor Ramos, Vitor Hugo e Egídio; Gabriel, Arouca, Zé Roberto e Robinho; Rafael Marques e Barrios. O banco teria boas opções para mudar um jogo difícil como Dudu, Alecsandro, Cleiton Xavier, Kelvin, João Pedro e Gabriel Jesus.

E você, acredita que o Palmeiras com Barrios vai brigar pelo G4 do Brasileirão?
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postado em 09/02/2015 15h33
A internet no matou os f-clubes

O fã-clube Star Trekkers é bastante ativo em eventos e faz ações sociais (Foto: Fã-clube Star Trekkers)

Por Luiz Anversa 


Em tempos de internet e comunicação instantânea, soa estranho alguém dizer que faz parte de um fã-clube. Sim, aquelas associações que se reuniam para debater assuntos em comum. De preferência do universo nerd, claro.

No Brasil, essa cultura começou na década de 70, com fã-clubes de franquias de ficção científica como Star Trek e Star Wars. Havia fanzines e carteirinha da agremiação. E, claro, a disputa para saber quem era mais fanático pela série adorada.

Com a chegada da internet e a possibilidade de conversar com qualquer pessoa no mais distante canto do planeta, o fã-clube começou a perder espaço. Para alguns, não fazia mais sentido a reunião física se existia a possibilidade de fazer isso na frente da tela do computador na comodidade de casa. Mesmo assim, existem nerds que ainda gostam da velha maneira de encontro de fãs.

Marcelo “Chewie” Forchin, presidente do Conselho Jedi de São Paulo (www.conselhosp.com.br), faz elogios à web: “O grupo foi fundado em maio de 1999, quando a internet estava se consolidando. Ela nos ajudou um bocado e hoje temos mais de seis mil integrantes”, diz. Forchin lembrou que as reuniões normais conseguiam “meia dúzia de gatos pingados”, mas a 1ª Jedicon (Convenção Anual) teve mais de 700 fãs.

César Cezaroni dirige o fã-clube Star Trekkers (www.startrekkers.com.br), fundado em fevereiro de 2014. Além de divulgar a mensagem do seriado, ele conta que o objetivo do grupo é ajudar pessoas. “Sempre buscamos de alguma maneira auxiliar os mais carentes com campanhas de agasalhos e doação de sangue e alimentos”. Cezaroni falou que entre os mais de mil associados pelo Facebook, há desde médicos até engenheiros.

Já Marcelo Daniel, o Almirante MDaniel Landman, é fundador do Grupo USS Venture NCC 71854 (www.ussventure.eng.br), também composto de fanáticos por Star Trek. Ele não vê a internet como um obstáculo, e sim como ferramenta. “O USS Venture surgiu na web, em 2002, com um site e uma página no Yahoo Groups. Nossa proposta nunca foi ser um grupo regional, mas sim proporcionar uma experiência maior”, analisou. O USS Venture também implementou para seus membros a dinâmica da Second Life, em que o ambiente virtual simula alguns aspectos da vida real. Em 2011, a organização lançou a revista bimestral eletrônica Tribuna Quark, em que mostra as últimas ações do grupo e o que está rolando de mais interessante no meta-universo do Second Life.

Outra que só vê pontos positivos na internet para a organização de fãs é Thaís Aux, fundadora e criadora do site Doctor Who Brasil (http://doctorwhobrasil.com.br), no ar desde 2011. Ela lembra que no início os encontros eram feitos em piqueniques. “Agora, resolvemos focar em eventos locais, como a Livraria Cultura do Shopping Bourbon em maio do ano passado”, comentou. A comunidade do grupo no Facebook tem mais de 3.300 membros. Além do Face, os fãs do Doctor Who Brasil estão em redes sociais como Instagram, Twitter, Tumblr. Aux, que fez pós-graduação sobre o tema, também lembrou que o perfil do fã do Doctor Who Brasil é jovem (18 a 25 anos) e com concentração principalmente em centros urbanos – sobretudo São Paulo e Rio de Janeiro.

Seja na internet ou pessoalmente, nada melhor do que reunir nerds para discutir assuntos de interesse geral, não é mesmo?
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